O pintor cubano Rogelio Fundora, conhecido como "O guajiro que pinta", doou uma obra à representação em Cuba da Organização de Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), durante a inauguração de sua mais recente mostra.
A doação do quadro, dedicado ao Ano Internacional da Agricultura Familiar, é um óleo sobre teia de 200 x 155 cm, que faz parte da exposição inaugurada ontem à noite na galeria Carmelo González, desta capital, titulada "Do guajiro... trago você um recado".
Theodor Friedrich, representante permanente da FAO em Cuba, agradeceu o gesto do artista cubano e reconheceu como os criadores põem, com sentimento e paixão, os recursos expressivos da arte em função de mostrar a contribuição de homens, mulheres e famílias camponesas, à soberania alimentar dos povos.
Em exclusiva com Prensa Latina, Fiedrich comentou que a doação de Fundora, é um sinal da generosidade da gente do campo.
"A nós nos enche de orgulho poder fazer algo em benefício de gente que cria este tipo de sentimento, que querem expressar gratidão, e isso para uma organização como a FAO, é realmente comovente receber uma doação deste tipo", disse.
A mostra, que permanecerá aberta todo o mês de dezembro, inclui obras que correspondem à série "Guajiros de minha terra", integrada por retratos ao óleo sobre cartolina e que recolhe as imagens de importantes personalidades da vida política, social, intelectual e camponesa na ilha.
Esta coleção caracteriza-se, porque todos os retratos levam um chapéu de jarey, um dos atributos mais emblemáticos do campo cubano.
"O chapéu é um elemento que o ponho a todos para criar uma unidade que devemos ter todos os cubanos, mas desde o mundo do campo. Todos os camponeses se protegem do sol forte que tem Cuba, usando esse chapéu de jarey, e para mim, é algo que cria a unidade entre todos" sublinhou o pintor Rogelio Fundora.
Entre as obras, destacam os retratos do líder histórico da Revolução cubana, Fidel Castro, o presidente Raúl Castro, o poeta Pablo Armando Fernández, o pintor Nelson Domínguez e a cantora Celina González, entre outras importantes figuras.
Rogelio Fundora (Havana, 1972) é pintor autodidata e a sua vez, é um agricultor que dirige uma produtiva finca onde se produz feijões preto, junto a outros cultivos como plátanos, pinha, goiaba e fruta bomba, trabalho que lhe fez merecedor da condição de Vanguarda Nacional do Sindicato de Trabalhadores Agropecuários.
Para o maestro cubano Nelson Domínguez, Prêmio Nacional de Artes Plásticas 2009, Rogelio "é um homem que pinta e depois cultiva a terra, e cultivando a terra lhe ocorre o que ele pinta".
"Eu creio -comentou a Prensa Latina- que Rogelio é um artista que vai "in crescendo", se saindo do pintoresco para uma pintura superior. Penso que anda por caminhos que não são precisamente trilhados, um caminho que o vai conduzir justamente no ponto onde ele queira".
Obras de Rogelio Fundora exibem-se em coleções institucionais e privadas de Cuba, Venezuela, Itália, Porto Rico, França, Alemanha, Guatemala, Equador e Estados Unidos.
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Pintor cubano doa obra à FAO dedicada à agricultura familiar
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Prensa Latina
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