Embaixador ianque fez Hemingway sair de Cuba, afirma especialista
Foi por pressões do embaixador norte-americano em Cuba, que o escritor Ernest Hemingway abandonou repentinamente a ilha em 25 de julho de 1960, afirma estudiosa cubana.
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AIN
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Foi por pressões do embaixador norte-americano em Cuba, que o escritor Ernest Hemingway abandonou repentinamente a ilha em 25 de julho de 1960, afirma estudiosa cubana.

Até hoje as leituras sobre as causas da rápida partida do romancista americano de Cuba foram muitas. Entre elas, que o autor de O velho e o mar, sentiu frustração pelo triunfo da Revolução Cubana e por isso decidiu partir na hora.  

Também era um mistério por que o escritor abandonara a Finca Vigia (onde morava) e com ela todos seus pertences, incluídos, os manuscritos, sem concluir, de alguns de seus romances.

No entanto, a especialista Ada Rosa Alfonso Rosales, diretora do Museu Ernest Hemingway de Havana, assegura que Philip Wilson Bonsal, então embaixador dos E.U., forçou Hemingway a abandonar a Ilha, segundo explica em um artigo do jornal Juventud Rebelde.

A diretora do Museu, situado na própria finca Vigía, baseia sua hipótese em dados encontrados no livro Correr com os touros, de Valery Danby Smith, hoje Valery Hemingway. Nesse texto a última secretária do autor (posteriormente casada com seu filho Gregory), afirma tal coisa.

Ainda, o fato de ele ter viajado em 25 de julho de 1960 para Nova Iorque e de lá para a Espanha (não para sua cabana em Sun Valley), também deixam entrever que o propósito não era regressar, definitivamente, a seu país.

A especialista agrega que o famoso escritor norte-americano sempre quis voltar e não apenas, pelos bens materiais que deixava. “ Hemingway amava Finca Vigia; era o lugar dele para escrever e ao que invariavelmente voltava. Era o lugar pelo qual sentia vaidade, pois tinha 18 variedades de mangueiras, e [ainda] estava próximo de Havana e de Cojímar, onde ia navegar em seu iate Pilar”.

Alfonso Rosales lembra, aliás, que “Hemingway nunca teve problemas com o governo cubano. Inclusive, estando nos Estados Unidos comunicou-se com alguns amigos para indagar a respeito de seu possível regresso e eles lhe afirmaram que podia fazê-lo quando quisesse”.

Entre seus livros foram encontrados bilhetes do Partido Socialista Popular (divisão Guanabacoa), ao que contribuía com dinheiro, e uma identificação do movimento 26 de julho, liderado por Fidel Castro.

No amanhecer do dia 02 de julho de 1961, quase um ano depois de sua saída intempestiva de Cuba, Hemingway acabou com sua vida. Dois tiros no céu da boca puseram fim à existência do Prêmio Nobel de Literatura 1954 e Pulitzer 1953. Tais fatos ainda hoje são alvo de debates.