As conversas entre as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia-Exército do Povo (FARC-EP) e o governo desse país continuam hoje nesta capital, depois de um novo pedido da guerrilha ao cessar bilateral de hostilidades.
Em sua sede permanente do Palácio de Convenções as partes vão ao terceiro dia de diálogos deste quinto ciclo, enquanto o tema da trégua volta a sair à luz tanto em Havana como na Colômbia, onde o conflito armado se estende já por mais de meio século.
Ontem, o chefe da delegação guerrilheira, Iván Márquez, reiterou em um comunicado a disposição das FARC-EP para estabelecer o cessar bilateral de ações, e mencionou a sugestão de trégua realizada pelo político colombiano Álvaro Leyva, publicada na coluna La Barca de Calderón, no jornal El Nuevo Siglo.
No documento as FARC-EP manifestaram seu acordo com a proposta de Leyva, que há décadas procura uma solução para o conflito armado baseada no diálogo.
A respeito, expressaram que ainda que cessar fogo implica um esforço grande, constitui um passo importante para demonstrar a vontade de obter paz de cada uma das partes.
É imperativo deter o sangrento nacional, principalmente no meio de um diálogo de paz, bem como "sair do turbilhão que obriga que os colombianos de baixo-estrato se matem entre si para que os de altos-estratos vivam bem", destacaram.
O tema do cessar bilateral de hostilidades tem gerado polémicas durante as práticas de paz: no mesmo dia que se iniciou, em 19 de novembro, as FARC-EP anunciaram uma trégua unilateral de 60 dias para favorecer um ambiente de tranquilidade para o processo, no qual Cuba e Noruega são garantidoras.
Enquanto, o governo colombiano defende a postura de que a paz deve ser estabelecida só como resultado dos eventuais acordos da mesa de conversas, a qual até o momento se centrou no primeiro ponto da agenda: o desenvolvimento agrário.
Os cinco temas restantes são as garantias para a participação política, o fim do conflito armado, a solução ao problema das drogas ilícitas, os direitos das vítimas e os mecanismos de verificação e certificação do pactuado na mesa.
