As Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia-Exército do Povo (FARC-EP) chamaram hoje aqui o presidente Juan Manuel Santos a deter a brutalidade policial contra camponeses que protestam na região de Catatumbo, nordeste do departamento Norte de Santander.
Iván Márquez, líder da delegação guerrilheira que participa da mesa de conversas instalada em Havana desde novembro passado, denunciou os abusos dos Esquadrões Móveis Antidistúrbios (Esmad), "que atacaram camponeses indefesos", e pediu à administração que pusesse fim a tal situação.
No Palácio de Convenções -sede das conversas- as FARC-EP se solidarizaram com os manifestantes, que exigem a criação de zonas de reservas camponesas e a suspensão imediata da destruição dos cultivos ilícitos.
Márquez também falou sobre a convocação à Assembleia Constituinte, uma das iniciativas que fazem parte de 10 "propostas mínimas", anunciadas pela delegação insurgente, que centrarão os debates do segundo ponto da agenda: participação política.
Dita assembleia será concebida como um "grande acordo político nacional" -explicou-, que incluirá partidos, movimentos sociais e políticos, comunidades indígenas, camponesas e afrodescendentes, entre outras.
A Constituição que surgir "será o verdadeiro tratado de paz, justo e vinculante, que funde nossa reconciliação", agregou Márquez.
Outra proposta versa em torno da cultura política para a participação, a paz, a reconciliação nacional, o direito ao protesto e à mobilização social.
Nela, a guerrilha insiste que os processos de democratização política "deverão ser acompanhados de medidas tendentes à transformação estrutural da cultura sobre o tema".
Além disso, as diretrizes das FARC abordam as garantias de participação política e social das comunidades camponesas e outros setores excluídos, assim como o estímulo à participação social e popular em processos de integração da região.
Ambas as partes do conflito conseguiram atingir, no final de maio passado, o primeiro acordo sobre o tema agrário.
