“Os africanos não precisam de novas promessas”, disse Machado na ONU
“Precisam-se de novas relações de solidariedade e cooperação plena com nossos irmãos africanos”, disse o vice-presidente cubano José Ramón Machado Ventura, durante a palestra Necessidades de Desenvolvimento da África, celebrada nesta segunda-feira (22), durante o 63º período ordinário de sessões da Assembléia-Geral da ONU.
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ACN
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“Precisam-se de novas relações de solidariedade e cooperação plena com nossos irmãos africanos”, disse o vice-presidente cubano José Ramón Machado Ventura, durante a palestra Necessidades de Desenvolvimento da África, celebrada nesta segunda-feira (22), durante o 63º período ordinário de sessões da Assembléia-Geral da ONU.

Em termos gerais o funcionário instou a acabar com a retórica, pois a situação da África não vai se resolver com lamentações e a limitada ajuda caritativa que se dá a esse sofrido continente, enquanto no Norte se dilapidam fortunas em luxo e extravagâncias, informou Granma Internacional em sua edição de hoje.

Em seu discurso o chefe da delegação cubana disse: “O que fizermos será um exercício estéril, se não se der resposta ao imperativo de estabelecer um novo sistema de relações Norte-Sul, que ponha fim à injusta e não sustentável ordem econômica, comercial e financeira vigente no mundo, que marginaliza e sacrifica 80% da população mundial em função do esbanjamento e das extravagâncias de uma exígua minoria. Assim, pretende-se demonizar o direito dos povos à solidariedade internacional e nega-se o tratamento especial e diferenciado de que necessitam os países em desenvolvimento, especialmente os africanos”.

“É contraditório — analisou o primeiro vice-presidente dos Conselhos de Estado e de Ministros de Cuba — que vários dos estadistas do Norte, que vieram expressar sua suposta preocupação pela África, sejam ao mesmo tempo os que impõem leoninas condições e padrões de ajuste estrutural através de organismos financeiros internacionais que eles controlam.

“Cuba desenvolveu profundos vínculos com a África; a cooperação com o continente é um componente essencial da política externa da Revolução. Tudo isso permitiu que, nas últimas cinco décadas, se formassem em Cuba mais de 32 mil jovens africanos e atualmente estudem em nossas universidades 2.253 jovens de 45 países desse continente.

“Se Cuba conseguiu desenvolver essas ações, o que não conseguiriam os países do Norte, que contam, de sobra, com os recursos necessários? Não faltam recursos, o que falta é decisão política", afirmou o dirigente partidário, que concluiu seu discurso expressando:

“Os africanos não precisam de novas promessas nem de receitas paternalistas. Os povos da África e todos os habitantes do planeta apenas exigem que sejam respeitados seus direitos, uma ordem internacional justa e eqüitativa em que a solidariedade e a cooperação em prol do bem-estar de cada povo e ser humano, sejam os princípios reitores”.

O primeiro vice-presidente cubano dialogou com os presidentes da Colômbia, Álvaro Uribe; Guiné Equatorial, Teodoro Obiang Nguema Mbasogo; e de Cabo-Verde, Pedro Pires, assim como com os chanceleres de Angola, Argélia e Indonésia.

Já na noite, o chefe da delegação participou de um ato de solidariedade a Cuba na Igreja Intercession, situada no bairro nova-iorquino de Harlem, encontro organizado por grupos promotores da campanha pela libertação dos Cinco Heróis e do qual participou o reverendo Lucius Walker, dirigente da organização Pastores pela Paz, o advogado Leonard Weinglass e outras destacadas personalidades do movimento de solidariedade a Cuba, aos quais transmitiu cumprimentos de Fidel, de Raúl e de todo o povo.