Médicos de Cuba que chegaram hoje a esta capital depois do fim da missão médica da nação caribenha no Brasil expressaram seu orgulho pelos serviços prestados no gigante sul-americano.
No recebimento no Aeroporto Internacional José Martí, a doutora María Suárez disse em nome de seus colegas que os doutores cubanos podem estar satisfeitos do trabalho cumprido e a atenção a milhões de pessoas, em sua maioria humildes, pobres e esquecidas.
Suárez, originaria da oriental província de Holguín, relatou que muitos de seus pacientes nunca tinham contado com doutores até a chegada dos cubanos.
Fomos muito bem recebidos -disse-; guardo inumeráveis memórias e vivências, mas de maneira especial lembrança das crianças e dos idosos que puseram sua saúde e sua confiança em nossas mãos.
'Diziam que só os médicos cubanos os olhavam nos olhos', acrescentou a doutora, que assegurou ter comprado de seu bolso em mais de uma ocasião os medicamentos que mães sem os mais básicos recursos precisavam para seus filhos.
Ao dar as boas-vindas aos colaboradores, o presidente de Cuba, Miguel Díaz-Canel, comentou que numerosos brasileiros viram nascer uma esperança com os doutores da maior das Antillhas.
Vocês foram a lugares remotos aos que ninguém queria ir, recordou o mandatário aos mais de 200 recém chegados.
Fica o lamento da população vulnerável, dos pacientes que estarão desatendidos, mas vocês cumpriram, reflexionou Díaz-Canel, que acrescentou que Cuba não abandonará o povo do Brasil nem a nenhum outro do mundo, dada a vocação humanista da ilha.
Segundo o chefe de Estado, os médicos cubanos foram capazes de curar doentes, mas também de animar o alma de milhões de brasileiros e demonstrar que um mundo melhor é possível.
Por sua vez, o titular do Ministério da Saúde Pública, José Ángel Portal, assinalou que os doutores da ilha ganharam o carinho de seus pacientes devido a sua profissionalidade.
De acordo com o ministro, os médicos internacionalistas cubanos têm enfrentado as mais diversas adversidades, desde geografias inóspitas até desastres naturais, passando por epidemias e complexas situações políticas.
No entanto, assegurou, nunca antes tinham sido tão humilhados e agredidos como com as declarações e condicionamentos do presidente eleito do Brasil, Jair Bolsonaro, razão pela qual a ilha decidiu pôr fim a sua participação no programa Mais Médicos do país sul-americano.
As ofensas de Bolsonaro ameaçam deixar sem serviços de saúde milhões de pessoas, considerou.
Cuba recebe-os como os heróis que são; estamos orgulhos da cada um de vocês, bem como dos restantes dos médicos que prestam serviços em mais de 60 países, sublinhou.
Em declarações à imprensa, Yari Niurka Montero relatou que foi muito triste partir e comprovar a certeza de seus pacientes de que não voltariam a contar com um médico.
Todo mundo lamentou nossa partida, disse a doutora, que atendia umas cinco mil pessoas no estado de Minas Gerais.
Do mesmo modo, Aliuska Rodríguez, assegurou que nunca em dois anos no Brasil recebeu uma queixa de seus pacientes referida aos médicos cubanos.
Agregou que antes de partir para a missão todos assinaram um contrato e estiveram de acordo com os termos da presença no Brasil. Nem eu nem nenhum de meus pacientes me considerava uma escrava, disse em alusão a declarações de Bolsonaro referidas ao trabalho dos cubanos.
Nos cinco anos de trabalho do programa Mais Médicos, uma iniciativa criada em agosto de 2013 pela então presidenta do Brasil, Dilma Rousseff, para perto de 20 mil colaboradores cubanos atenderam a 113 milhões de pessoas em mais de três mil e 600 municípios.
Noticias
Médicos cubanos orgulhosos de serviços prestados no Brasil
Fuente
Prensa Latina
Fecha
