DISCURSO PRONUNCIADO NA INAUGURAÇÃO DO CICLO DE PALESTRAS SOBRE “INFLUÊNCIAS DO SOLO NO ANIMAL ATRAVÉS DAS PLANTAS”
Aqui os papéis se vão inverter um pouco. O professor Voisin expressava sua dificuldade para falar em uma cerimônia de caráter oficial, em uma recepção, e dizia que estava preocupado e que, naturalmente, não ia falar de política porque os cientistas quando falavam de política, se arriscavam a dizer muitas tolices . Agora, fiquem vocês no caso meu: eu que sou político, que riscos não estarei correndo se começo a falar de questões científicas? De certeza que um cientista terá muitas menos possibilidades de se enganar se faz algum juízo de caráter político, do que um político se começa a emitir juízos de caráter científico.
Editor
Versões Estenográficas – Conselho de Estado
Data

Senhor Embaixador da França;
Professor André Voisin e senhora;
Companheiras e companheiros:  

Eu venho a esta tribuna, ainda profundamente impressionado, pelas amáveis e sentidas palavras do professor Voisin relativamente às suas impressões em nosso país, e ao mesmo tempo, espantado pessoalmente, pelas frases muito generosas que tem pronunciado respeito a suas impressões sobre minha pessoa.
Esta noite inaugura-se o ciclo de conferências do professor Voisin. Já pelo menos eu aprendi a pronunciá-lo bem em francês, alguns companheiros dizem “Voisin” e penso que é “Vuasán”, e brevemente já todos nós estaremos familiarizados com esse nome. Quer dizer, a inauguração das palestras tem lugar esta noite, embora as palestras começarão propriamente amanhã.

Aqui os papéis se vão inverter um pouco. O professor Voisin expressava sua dificuldade para falar em uma cerimônia de caráter oficial, em uma recepção, e dizia que estava preocupado e que, naturalmente, não ia falar de política porque os cientistas quando falavam de política, se arriscavam a dizer muitas tolices (RISOS). Agora, fiquem vocês no caso meu: eu que sou político, que riscos não estarei correndo se começo a falar de questões científicas? (RISOS.) De certeza que um cientista terá muitas menos possibilidades de se enganar se faz algum juízo de caráter político, do que um político se começa a emitir juízos de caráter científico.

O professor Voisin amanhã começará a falar no campo científico, e nós hoje queríamos fazer algumas apreciações do interesse que para nós têm suas obras, sua visita e, portanto, algumas considerações sobre a utilidade para nós dessas obras, realmente não no campo científico, que seria improcedente por completo da minha parte, mas sim como cidadão que se preocupa pelos problemas de seu país e pelos problemas do povo, e nisso podemos dizer que cientistas e revolucionários coincidem, porque se pode dizer, em primeiro lugar, que todo cientista é um revolucionário, o que é preciso conseguir é que todo revolucionário seja um cientista.

Outro ponto de coincidência entre os sentimentos do professor Voisin e nós é essa dimensão humana que ele dá à ciência. Através de todas suas obras, de todo seu trabalho, se pode apreciar que o fator humano, o homem, a saúde humana, a felicidade humana é o objetivo fundamental das obras do professor Voisin. E em realidade o homem, a felicidade humana, devem ser o alvo essencial de todos os revolucionários.  

E as obras de Voisin têm para nós um interesse muito amplo. Em primeiro lugar, eu quero referir por que chegaram a ser conhecidas essas obras para nós; na essência não vem a ser uma coisa extraordinária. Há já algum tempo, nós somos cada vez mais conscientes da necessidade de desenvolver a técnica, nós somos cada vez mais conscientes da importância que a técnica e a ciência têm no mundo atual. E poderia dizer-se que a Revolução necessita da ciência e é claro que não era difícil que entre nós despertasse grande interesse as obras do professor Voisin, mesmo do primeiro livro que tivemos oportunidade de ler.
A mim pessoalmente me ocorreu que o primeiro livro que caiu em minhas mãos foi “Dinâmica das pastagens”. Por esse tempo eu estava sentindo cada vez mais um interesse maior nas questões da pecuária e a alimentação do gado e me chamou a atenção aquele livro, seu título muito sugestivo. Nós tínhamos uma série de problemas de caráter econômico relacionados com a produção de leite e de carne, problemas de caráter econômico relacionados com a alimentação do gado, entre outras coisas a despesa que anualmente devia fazer nosso país para satisfazer essas necessidades, e realmente nossa técnica de produção leiteira estava cimentada sobre a experiência de outros países, sobretudo baseada na experiência de países que têm um clima diferente do nosso e que têm condições de produção diferentes das nossas. E, contudo, essa era a técnica que nós vínhamos empregando desde sempre em Cuba, ou a pouca técnica que vínhamos empregando sobre isso, em questões de produção, sobretudo de leite, porque já se sabe que aqui a carne se produzia em forma extensiva, em grandes latifúndios.

E então quando se apresentava para nós a necessidade de resolver um problema, cada vez que se falava de resolver o problema de mais leite sempre surgiam os números de que se precisava de mais ração, e com os volumes de mais ração a quantia de mais divisas para adquirir essa ração e resolver o problema do leite e, inclusive, a concorrência entre os diferentes planos e as diferentes necessidades do país.

E para dizer a verdade, a primeira vez que eu me pus a tentar achar uma solução a este problema eu também estava pensando na ração. Mas pensava em uma solução de ração nacional, quer dizer, produzir aqui todas essas matérias primas que eram importadas para a produção de leite, e me pus a organizar uma pequena fazendinha em que havia uma parte destinada à produção de pastagens, gramíneas; outra parte destinada à produção de leguminosas — ainda não sabia qual era a leguminosa, nem qual era a que viria, efetivamente, a se adaptar às condições de nosso clima — e estava pensando nas possibilidades de alguma alfalfa e, posteriormente, a ideia de plantar também ali uma parcela destinada a milho em rotação com a soja.

E me pus a fazer os cálculos. Eu estive vários dias fazendo cálculos, e estava planejando uma produção alta de leite, quando em uma ocasião se me ocorreu fazer o cálculo de quanto leite obtinha por quilo de milho e quanto por quilo de soja, e que parte daquela superfície ia ser destinada ao milho e qual à soja, quer dizer, propriamente aos grãos. E vejo, fazendo o cálculo das quantidades de proteínas que tinha um quilo de soja e as quantidades de proteínas e de carboidratos que tinha um quilo de milho, e a quantidade de milho e de soja que ia produzir naqueles hectares, supondo que todas as culturas se desenvolvessem perfeitamente bem e a produção fosse ótima, percebia que da do milho e da soja — que ocupavam aproximadamente uma terça parte da superfície — ia produzir-se aproximadamente da oitava à décima parte da quantidade de leite.

E eu perguntei: “De onde sai este leite?” e dei por mim de que o leite ia sair da pastagem, principalmente; acabei percebendo que as superfícies destinadas a pastagens, com rendimentos normais, iam produzir muito mais leite que as superfícies destinadas a grãos, supondo rendimentos ótimos. E não só isso, mas que a superfície destinada a pastagens ia produzir um leite muito mais barato, pois o outro devia ser plantado todos os anos, duas vezes ao ano, enquanto a pastagem seria plantada uma única vez.

Foi assim como nasceu em mim um extraordinário interesse pela importância das pastagens, e por fazer alguns testes com as pastagens; e por isso, quando caiu em minhas mãos o livro “Dinâmica das pastagens”, me interessou aquilo. E vou a dizer a verdade: ao contrário do que eu pensava quando abri esse livro, que ia encontrar uma grande ajuda, inicialmente me ocorreu tudo ao contrário; aquele livro me suscitou uma grande quantidade de preocupações, porque pela primeira vez me deparei com um fenômeno que algumas vezes o havíamos escutado expressar-se ou manifestar-se na boca dos camponeses, e era o fenômeno da miséria, dos anos de miséria nas pastagens.  À parte de que a primeira vez que o livro não o havia entendido muito bem, e isso resultava lógico porque o livro era o terceiro de uma série escrita pelo professor Voisin, todos os quais estão relacionados uns com outros, e que se tivesse lido anteriormente os outros dois livros me teria sido mais fácil a compreensão deste livro.

Mas, de todas as formas, aquele livro abriu meus olhos para uma série de problemas que nem sequer nunca tinham passado pela minha mente. Eu diria que, essencialmente, foram três esses problemas; naturalmente, o que mais me impressionou foi o problema dos anos de miséria nas pastagens, o fato de que quando se lavra a terra e se planta uma pastagem nova, durante os primeiros anos, a terra tem uma grande produtividade, mas essa produtividade começa a decair entre o terceiro e o quarto anos, e depois decorre um período longo de tempo em que a produtividade se mantém em níveis inferiores a 50% da produtividade que tem nos primeiros dois ou três anos.  

E naquele livro se defendia a ideia ou o sistema das pastagens permanentes. E eu não acabava de compreender com clareza aquele conceito da pastagem permanente. No livro vinha uma explicação ampla de toda uma série de experiências realizadas, no que se podiam ver as enormes vantagens das pastagens permanentes sobre as pastagens temporárias. O próprio conceito de pastagem permanente e de pastagem temporária não era para mim muito claro, nos primeiros momentos; eu confundia um pouco a ideia da pastagem natural com a pastagem permanente, e eu dizia: “Bem, de todas as maneiras teremos estes problemas, porque nós temos muitas extensões de terra cobertas de jurema, que de todas as maneiras é preciso desmontá-las e que de todas as maneiras é preciso plantá-las. Quantas pastagens naturais nós temos?” Foi um pouco mais na frente que eu compreendi o conceito de pastagem temporal, que não quer dizer pastagem natural, embora muitas vezes as pastagens permanentes sejam pastagens naturais; quer dizer, zonas onde sempre existiu a pastagem; mas o conceito de pastagem permanente não tem que nascer, necessariamente, do de pastagem natural, o conceito de pastagem permanente tem que ver, simplesmente, com o sistema de exploração da terra, se a terra se alterna ou não se alterna, se as pastagens se alternam para cultivar outros artigos e voltar a plantar pastagens ou não se alternam essas pastagens, a pastagem com a agricultura em geral, com os terrenos de cultura.

Quer dizer, que a pastagem permanente simplesmente é a parcela de terreno que uma vez estabelecida ali uma pastagem, bem de maneira temporal ou bem porque foi plantada, é explorada e não volta a ser lavrada; quer dizer, se pode plantar uma pastagem e se pode manter todo o tempo que seja necessário essa pastagem nessas condições, e de acordo com o método de exploração que se leve a cabo...  Porque, naturalmente, nenhuma das ideias, que eu comecei a expor-lhes algumas destas coisas, do simples ao complexo, mas devo advertir que todas e cada uma destas coisas estão muito relacionadas, quer dizer, que a ideia da pastagem permanente está relacionada com o sistema de exploração.

Mas, finalmente, acabei compreendendo o que significava esse conceito. E no essencial era, simplesmente, não lavrar as pastagens, não replantar as pastagens. E aqui é onde nos deparamos com a essência de uma das teorias fundamentais do professor Voisin, e é que ele é um parceiro determinado das pastagens permanentes frente às pastagens temporárias. Naturalmente que ele defende a tese com uma grande abundância de materiais, de experiências e com uma grande abundância de dados e argumentos.  

Uma dessas ideias essenciais está relacionada com os microorganismos do solo, com a micro fauna do solo. E este veio a ser outro problema e outro aspecto da agricultura em geral, e sobretudo o das pastagens, sobre o qual praticamente não tinha absolutamente nenhuma notícia, e que constituía um aspecto de extraordinário interesse para a agricultura.

A razão dos anos de miséria nas pastagens é explicada pelo professor Voisin, precisamente em relação com a micro fauna do solo. Em que consiste esta ideia? Pois que nas pastagens permanentes se estabelecem as condições ideais de vida para os microorganismos e em geral para a micro fauna do solo, para distinguir os organismos realmente microscópicos e aqueles pequenos organismos, como são as minhocas e os enquitreídeos no solo.

O que é que ocorre quando se alterna uma pastagem permanente, segundo a teoria de Voisin? Mudam as condições de vida nas quais vivem aqueles microorganismos ou a micro fauna do solo. Nos primeiros anos há uma grande produção, porque a matéria orgânica e o humo acumulado durante muitos anos são expostos à oxidação; em consequência, facilitam a produção dos primeiros anos, a grande produção dos primeiros anos, mas passados esses primeiros anos em que já se desgastou boa parte daquela matéria orgânica os vermes da terra e os microorganismos em geral durante os dois primeiros anos ainda subsistem, porque se alimentam daquela matéria orgânica, mas decorrido já o terceiro ou o quarto ano aquela micro fauna começa praticamente a desaparecer, reduz-se consideravelmente. E o professor Voisin assinala uma série de experiências feitas em diferentes países, em que foi investigado o solo, foram contabilizados os microorganismos que há no solo e, além do mais, o peso desses microorganismos. Tudo isso é um mundo muito interessante, e se conseguimos que se desperte o interesse — e eu estou certo de que não faz falta quase nada para que se desperte esse interesse... Mas, enfim, que se produz uma diminuição considerável da quantidade de microorganismos no solo e qual é a função desses microorganismos.

Esses microorganismos têm uma dupla função: uma função física, uma função química.  Do ponto de vista físico são os que penetram no solo, lavram o solo, e o professor Voisin os chama de “lavradores liliputienses”; ao mesmo tempo realizam uma função química muito importante: van tornando assimiláveis muitos dos elementos minerais do solo, porque eles vão ingerindo matéria orgânica e terra, e então passa através desses organismos e em seus excrementos já vão deixando esses elementos minerais em forma assimilável para as plantas, quer dizer, realizam uma dupla função: física e química. E o que diz o professor Voisin é que o gado que está sob a pastagem pesa mais do que o gado que está sobre a pastagem, quer dizer, calculando o peso dos microorganismos que estão na terra.

Quando as condições de vida do solo mudam devido à lavoura, diminui extraordinariamente a micro fauna do solo, não somente diminui em quantidade, muda em qualidade e em consequência já falta esse fator, esse elemento que realiza a dupla função física e química do solo e então o solo fica compacto. Vocês escutaram falar da compactação do solo, mas todos pensavam que a compactação do solo era consequência do peso do gado; mas na compactação do solo, pode dizer-se que um dos fatores imediatos é o peso do gado, pode influir, mas inclusive se produz a compactação embora não haja gado. A razão fundamental da compactação do solo — e em consequência se reduz o índice de umidade, se reduz a quantidade de ar do solo — é simplesmente a destruição da micro fauna que tem lugar com a lavoura das pastagens. Essa é a ideia essencial, para mim e possivelmente para boa parte de nós, aliás para nós todos, inteiramente nova acerca desse problema.

Então, têm lugar uma série de anos que se chamam anos de miséria, e no prazo de seis ou sete anos, no oitavo, no nono, no décimo ano começam a criar-se de novo, devagar, as condições para a micro fauna do solo, as condições para que se desenvolva de novo essa micro fauna e pouco a pouco o problema da compactação do solo comece a diminuir e em consequência se produza o seguinte: que nas pastagens permanentes a produção por hectare seja maior que nas pastagens em rotação. Desde a primeira vez que tivemos conhecimento desse conceito, nossa preocupação fundamental era: Como se resolve o problema dos anos de miséria? Porque representa um problema muito sério o fato de que se plante uma extensão, produza uma quantidade tal de pastagem e depois dos primeiros anos tenha que reduzir-se praticamente à metade o número total de cabeças de gado; isso para nós representava um problema muito sério.

Mas não parece que seja fácil a solução do problema dos anos de miséria. O que o professor Voisin expunha é que há uma série de métodos, de técnica e, sobretudo, o sistema de exploração das pastagens; do sistema de exploração dependerá que esses anos de miséria durem mais ou durem menos. Esses anos de miséria se podem diminuir, se podem encurtar, mas não se podem, realmente, evitar. Naturalmente que nós, nas condições de nosso clima, temos a necessidade de investigar quais seriam as técnicas ideais para reduzir ao mínimo esse período, e quais seriam nas condições nossas, mais ou menos, quanto tempo durariam esses anos de miséria. E, enfim, a partir da primeira vez que ganhei uma ideia daquele problema, uma das preocupações fundamentais tem sido realizar pesquisas para tentar superar esse problema. E simplesmente creio e tenho uma esperança nas características especiais de nosso solo.

Como a maior parte das pesquisas foi feita em climas diferentes do nosso, como a maior parte das investigações foi feita na Europa, fizeram-se, ainda, noutros países, por exemplo, como em Nova Zelândia, Austrália, onde parece que há certos fatores de características especiais, a esperança fundamental assenta em que, sendo as condições do clima nosso diferentes, o bastante diferentes, nós acharemos soluções para superar essas dificuldades.

Por exemplo, um dos elementos que o professor Voisin assinala para a questão dos anos de miséria, é a contribuição de matéria orgânica. E nós temos feito os cálculos no pastoreio experimental que temos, e é que sobre cada hectare, daqueles que estão sob o sistema de pastoreio em rotação, os animais depositam umas 80 toneladas ao ano. Isso é, aproximadamente, três vezes mais do que deposita o gado na Europa.

Portanto, nós temos que investigar a influência que tem esse aumento quantitativo tão extraordinário de matéria orgânica que é entregue por hectare cada ano, nos problemas da micro fauna do solo e, portanto, na solução do problema dos anos de miséria.

De todas as formas, em dias recentes, pude apreciar um fator que me deu muita esperança e foi no dia em que visitamos o pastoreio de Artemisa.  Aquela pastagem tem oito anos e o professor Voisin disse: “Já estes ultrapassaram os anos de miséria.” E, contudo, na Europa no oitavo ano se pode dizer que as pastagens estão em plena etapa de miséria.

O que quer dizer isso? Inclusive, ali aqueles potreiros estão submetidos a uma exploração extensiva, a um pastoreio contínuo, o que quer dizer isso? Que existe a possibilidade de que nas condições nossas e com o sistema do pastoreio em rotação, o período dos anos de miséria se reduza consideravelmente. Mas isso não é mais do que uma esperança.  

Mas basta dizer que nunca nenhum de nós tinha pensado seriamente acerca destes problemas, jamais tínhamos escutado nenhum dos nossos técnicos falar acerca disso, só até quando chegou pela primeira vez a Cuba essa obra do professor Voisin, a qual assinalava dois aspectos importantíssimos: a importância da micro fauna do solo e o problema dos anos de miséria. Também nesse livro se assinalam e se estudam e se analisa uma série de questões muito importantes acerca da evolução da flora das pastagens, mas enfim, que seria longo; eu simplesmente quero, mais ou menos, dar uma ideia de como se foi desenvolvendo, em meu caso, por exemplo, o interesse por todas estas questões, como fui conhecendo o professor Voisin através de seus livros.

Posteriormente, obtive um segundo livro que foi “Produtividade da erva”. Já o livro “Produtividade da erva” é algo que, do ponto de vista prático para nós, constitui uma contribuição inapreciável. Pode dizer-se que o estudo e a aplicação do sistema assinalado no livro “Produtividade da erva”, pode significar para nós, do ponto de vista econômico, centenas de milhões de pesos todos os anos; falo de milhões de pesos para dar uma ideia da importância econômica que pode ter a aplicação de uma técnica correta na agricultura.  Porque, naturalmente, a produção com o sistema que se expõe no livro “Produtividade da erva” triplica; agora, com esse sistema mais a fertilização, a produção atual de nossas pastagens pode se multiplicar em seis vezes. Possivelmente não há nenhum ramo de nossa agricultura que permita elevar a produtividade em um grau tão alto como nas pastagens.

Mas já o livro “Produtividade da erva” é um livro para o agrônomo, é um livro com uma grande função prática, um livro cujas indicações se podem pôr imediatamente em prática; e, naturalmente, é para nós uma satisfação poder afirmar aqui que já nós temos aplicado, experimentalmente, o sistema que se preconiza nesse livro e os resultados são incríveis. Basta dizer que, por exemplo, onde está sendo implementado esse sistema, em pleno mês de dezembro, quando essa erva noutros potreiros está escassa, o gado praticamente está passando fome, ali a erva está como em plena primavera; basta dizer que ali em umas 90 hectares há 250 vacas; basta dizer que ali, naquela leiteria, com um só ordenho, sem consumir ração e criando o bezerro, têm uma produção mais alta que as outras leiterias onde as vacas são ordenhadas duas vezes, onde o bezerro é criado com leite em pó, e onde, além do mais, o gado recebe ração.
Isto dá uma ideia da importância e do interesse que para nós despertou este sistema, quando precisamente nos começamos a preocupar de maneira prática por estas questões pela tamanha preocupação que tínhamos relativamente à ração e à necessidade de resolver o problema do leite sem que crescesse, ano após ano, a despesa em divisas do país.

No livro “Produtividade da erva” se preconiza o sistema do pastoreio em rotação e se faz uma análise verdadeiramente científica do sistema, e uma análise, aliás, de todas as falhas do sistema. Em nosso país o pastoreio em rotação se tinha estado tentando aplicar; não era uma coisa inteiramente nova, sobre isso já tínhamos escutado falar, diferentes pessoas falavam do pastoreio em rotação.

Mas, quando tivemos a oportunidade de conhecer esse livro nos demos conta onde estava a falha essencial. E resulta muito curioso: a falha em que estávamos incorrendo em Cuba era a mesma falha em que praticamente se tinha incorrido em todos lados do mundo, era a mesma falha em que, inclusive, tinham incorrido em quase todos os centros de pesquisas do mundo; e que precisamente para nós é a contribuição essencial das ideias de Voisin a nossa técnica agrícola. Porque através desse livro vemos em que consistia essa falha, e essa falha consistia naquilo que se chama tecnicamente “tempo de repouso igual”, e que em realidade quer dizer que em qualquer mês do ano, em qualquer estação do ano, se deixava descansar a erva o mesmo número de dias. Quer dizer, por exemplo, em Camaguey penso que tinham 10 potreiros; estava o gado — não sei se me lembro — oito dias. Então a erva descansava 30 dias em qualquer mês do ano; trinta, ou vinte e tanto, ou trinta e tanto em qualquer mês do ano.

Então, nisso consistia a falha fundamentalmente: de que havia que dar à erva diferentes períodos de descanso, segundo o mês do ano, segundo a estação do ano.  

Por quê? Porque há épocas do ano em que a erva cresce em 30 dias, e ainda em menos de 30 dias atinge seus níveis ótimos; há épocas do ano em que a erva necessita do dobro de tempo, e em ocasiões quase o triplo do tempo. E que ocorria? Na primavera tinha muita erva, mas quando já ia entrando o outono, quando chegava a época de seca propriamente e lhe davam 30 dias, cada mês tinha menos erva. Então incorriam no que tecnicamente o professor Voisin assinala como “aceleração fora do tempo”.

O que é a aceleração fora do tempo? Deram-lhe 30 dias de descanso em junho, a comida bastou; deram-lhe em julho, em agosto, outros 30 dias. Mas já em setembro lhe deram 30 dias, ou em novembro 30 dias, e não bastou; e, em consequência, adiantaram. Levam o gado, e em vez de mantê-lo seis dias o mantiveram só três dias nada mais, e o transferem para o outro curral.

Então, eis o resultado: quando a erva necessita mais descanso tem precisamente menos descanso, porque vão acelerando: três dias, três dias, três dias, são oito lugares. Já são 21 dias. E na próxima ocasião deixam o gado dois dias, e na próxima ocasião o deixam um dia, porque já apenas a parcela produz erva para um dia, e o resultado é que chega o momento no qual têm que estar dando-lhe uma semana de descanso; o resultado é que se liquidam as pastagens.
E precisamente quando nós visitamos a província de Camaguey, conversamos com os companheiros que tinham trabalhado nisso, lhes perguntamos como tinha funcionado o sistema do pastoreio em rotação. Explicaram-nos que estavam dando um tempo de descanso igual. E eu lhes disse: E que acontece? Dizem: Bem, quando nos começa a faltar a erva começamos a dar-lhes menos tempo em cada parcela e a tentar ganhar tempo.

Através da obra, do livro “Produtividade da erva” do professor Voisin, se vê que precisamente essa foi a falha essencial do pastoreio em rotação, o que levou a que, inclusive, muitas pessoas perdessem a fé no pastoreio em rotação.

É interessante que, por exemplo, nos próprios Estados Unidos, cuja técnica agrícola é o bastante avançada, os problemas do pastoreio em rotação recentemente é que começaram a ser compreendidos e aplicados. Pode dizer-se que é muito recente a elaboração de um sistema que realmente converte o pastoreio em rotação em uma das técnicas mais perfeitas para a exploração das pastagens. E esse é precisamente a contribuição essencial do professor Voisin na questão do pastoreio em rotação.

Para nós esse livro, simples, claro, ameno, inteligível, é um material técnico de uma importância extraordinária; praticamente neste momento há milhares de pessoas no país todo estudando esse livro. Naturalmente que através das conferências do professor Voisin algumas destas coisas serão expostas com precisão, sistematicamente. Eu estou simplesmente dando algumas das ideias de caráter geral.

Dos três livros do professor Voisin, pode-se dizer que um — ”Produtividade da erva” — é um livro para o agrônomo; o livro “Dinâmica das pastagens” é um livro que o pode usar o agrônomo, o pode utilizar o botânico, quer dizer, um livro de caráter — pode dizer-se — mais científico. O de “Produtividade da erva” é mais prático, embora tenha uma sólida base científica. Mas o professor Voisin tem um terceiro livro, segundo na série, que é “Solo, erva, câncer”. Podemos dizer que este é um livro para agricultores, e, ainda mais, é um livro para médicos.

E aqui vem um dos aspectos mais interessantes, que a nós mais nos tem chamado a atenção da obra científica do professor Voisin, e é o aspecto humano de suas pesquisas científicas, e a contribuição de um ponto de vista que é inteiramente novo. É inteiramente novo para nós, naturalmente, mas não só é inteiramente novo para nós, é inteiramente novo para todo mundo; é um ponto de vista inteiramente novo.

E podemos dizer que o professor Voisin, além de um cientista, é um apóstolo do homem, um apóstolo da saúde do homem e, sobretudo, um apóstolo da medicina preventiva.

Há coisas nesse livro que, para quem não haja meditado nunca sobre esse problema, resultam verdadeiramente novas, verdadeiramente incríveis e, em algumas ocasiões, traumatizantes. Esse livro analisa a influência do solo no homem através dos animais e através das plantas. E nos permite ver a estreita relação, a extraordinária relação que há entre a saúde humana e o solo onde se produzem os alimentos do homem, entre a saúde humana e as técnicas que se aplicam para produzir os alimentos do homem.

O título dessa obra “Solo, erva, câncer” é um título sugestivo, sugestivo. Porque há já uma série de doenças que se conhecem e que se pôde verificar que dependem da alimentação e das condições em que se produz essa alimentação, e possivelmente resta muito por investigar nesse sentido.

Nós temos entregado uma série desses livros a médicos, a estudantes de medicina, e, em geral, vejo que despertam um interesse muito grande.

E esta concepção do professor Voisin da importância do solo, das técnicas de cultura na alimentação humana, é o que permitiu a ele elaborar uma ideia nova, revolucionária, que ele defende com muita ênfase. E é a necessidade da relação mais estreita entre os agricultores e os médicos.

Possivelmente se a alguém tivessem dito, há algum tempo, que aqui existia uma grande relação entre a escola de agronomia e a escola de medicina, teria ficado surpreendido: lhe teria parecido que praticamente a escola de agronomia não tinha nada a ver com a escola de medicina — e como o professor Landa está olhando muito sério, penso que possivelmente seja que ele pensa que eu me esqueci da veterinária —, na realidade, se pode dizer entre as ciências agropecuárias e a medicina.

O professor Voisin é a favor, inclusive — e nos sugere isso a nós — da ideia de organizar em nossa universidade o que se poderia chamar a Faculdade de Ecologia Humana. Na essência, se dedicaria ao estudo da influência do meio, da influência do ambiente na saúde humana.

Realmente, apesar de que cada ciência tende hoje à especialização, sem dúvida de nenhuma classe a medicina e a agricultura são chamadas a ter um relacionamento cada vez mais estreito.

Quando nós organizamos as primeiras escolas de solos e fertilizantes, dizíamos a alguns companheiros que, futuramente, a medicina e a agricultura se encontrariam no solo.  Também se pode dizer que a agricultura e a medicina se encontrariam na bioquímica.

Esse relacionamento entre a agricultura e a medicina tem a ver, também, com um conceito da medicina diferente do que conhecemos tradicionalmente. Tradicionalmente, tem-se um conceito terapêutico da medicina. E este conceito está relacionado mais bem — segundo a ideia do professor Voisin — com a medicina preventiva.  

O professor Voisin diz que nós devemos avançar extraordinariamente na medicina preventiva, pois podemos trabalhar sem as interferências de fatores de caráter comercial ou de caráter mercantil, no que se refere à saúde. Isto quer dizer que nós temos a possibilidade de desenvolver uma medicina que impeça que o homem frequente os hospitais; não curar o homem nos hospitais, mas sim impedir que o homem tenha que ir aos hospitais.

E, com certeza, nós tínhamos escutado falar de medicina preventiva. Mas a ideia da medicina preventiva para nós não passava mais que do problema da vacina, a vacinação em massa, quer dizer, um aspecto da medicina preventiva, ferver a água, adotar medidas higiênicas com o leite, com os alimentos. Mas nós nunca tínhamos escutado falar da medicina preventiva relacionada com a qualidade biológica dos alimentos que ingerimos.  Quer dizer, nossa medicina — sobretudo, depois da Revolução — foi norteada para a prevenção das doenças, mas em um aspecto.  

E a ideia essencial da medicina preventiva de que aqui se fala é, precisamente, a medicina preventiva baseada na qualidade biológica dos alimentos que o homem consome.

Quando nós tínhamos escutado falar disso? Quando qualquer nutricionista recomendava a um doente uma dieta de leite, de carne, de vegetais, lhe indicava dadas quantidades: “tantos quilos de carne, tantos litros de leite, tantas onças ou quilos de vegetais”. Quando dizia:  “consuma tomate”, pois simplesmente se limitava a dizer: “consuma tantos quilos de tomate todos os dias”. Nenhum nutricionista indicou nunca:  “consuma tomates de tal qualidade biológica”, ou “consuma leite ou carne de tal qualidade biológica”, ou “consuma fruta de tal qualidade biológica”.  

A nós todos nos parece que um tomate, que uma fruta qualquer, que um alimento qualquer se mede por quantidades; que sua importância ou sua influência na saúde se mede por quantidades: por quilos, por onças, por gramas.

E foi precisamente, através das obras do professor Voisin, quando pela primeira vez nós pudemos encontrar, ver, escutar, ler um ponto de vista diferente. Foi pela primeira vez, na minha vida, que eu escutei dizer que um tomate podia ter três vezes mais vitaminas do que outro tomate, que uma variedade de maçã podia ter até quinze vezes mais vitaminas que outra variedade de maçã; e que isso dependia da técnica de cultura, que isso dependia do sistema de cultura. É claro que no caso do exemplo da variedade, não; mas sim no exemplo do tomate. Quer dizer, um tomate da mesma variedade que outro, pode ter três vezes mais vitaminas, dependendo da forma em que esse tomate tenha sido cultivado.

Foi quando pela primeira vez nós pudemos compreender que em nosso futuro existia a possibilidade, nas condições que nos oferece nosso sistema social, sem interferências de interesses de caráter comercial, de estabelecer uma produção que levasse em conta não só a quantidade, mas também a qualidade. Foi pela primeira vez que nós lemos, ou vimos, tivemos a notícia de que um alimento podia ter mais quantidades de micro elementos que outro alimento, e que tanto esses micro elementos como essas vitaminas, tinham uma importância essencial para a saúde humana.

E realmente, para nós tudo isso foi uma verdadeira revelação. A importância disto está relacionada com o fato de que a saúde humana, o organismo humano se defende, por exemplo, do ataque das doenças através de sistemas defensivos que a natureza lhe deu.  E há sistema de defesa genérico, e sistema de defesa específico; sistema de defesa contra todas as doenças em geral, e sistema de defesa contra determinadas doenças no particular.  

E sobre estes problemas cada vez mais interessantes, há algo que já os médicos... este sistema dos mecanismos com que a natureza dota os seres vivos para defender-se dos ataques do exterior.

Há uma questão que já começa a preocupar muito aos nossos médicos, e é o problema da imunidade de certos germes aos antibióticos. Por exemplo, já quaisquer de nossos médicos, em quaisquer de nossos hospitais fala acerca do problema de uma série de germes que se tornaram resistentes ao efeito dos antibióticos e já praticamente, uma das primeiras coisas que se faz antes de aplicar um antibiótico, é fazer uma análise para ver o antibiótico ao qual é sensível esse germe, e por ocasiões de uma lista de dez antibióticos, se encontra que o germe é resistente a oito. O que quer dizer isso? Quer dizer que os organismos, simples ou complexos, têm mecanismos de adaptação, mecanismos de defesa. Ao extremo de que essas doenças infecciosas começam a ser de novo, outra vez, um problema. E por que, essencialmente? Pelo abuso dos antibióticos, pelo uso indiscriminado dos antibióticos que têm vindo a reduzir sua eficácia, pois para qualquer coisa um médico receitava um antibiótico, ou qualquer um se receitava ele próprio um antibiótico.  

E naturalmente, os médicos são muito sensíveis a algo que para eles é muito claro, e é a influência que tinham os interesses de caráter comercial em todos estes problemas; a propaganda comercial, a venda sem controle de antibióticos, hormônios, e toda uma série de medicamentos por razões comerciais, que não é pouco o dano que têm ocasionado já à saúde e, sobretudo, o dano que ocasionam a partir do momento que tornam praticamente inservíveis alguns antibióticos que nos primeiros tempos tiveram tamanha eficácia. E já os médicos estão preocupados de como usar os antibióticos, já nas operações não utilizam o antibiótico preventivamente, já vão cada vez mais a controlá-lo, a aplicá-lo nos casos estritamente necessários.

Mas, enfim, a natureza dota aos seres vivos de meios de adaptação, e o organismo humano não é um dos organismos menos provido de meios de defesa contra as doenças.  Mas esses meios de defesa, segundo se explica nesse livro de “Solo, erva e câncer”, agem em função de determinados elementos, de determinadas enzimas, nos quais por seu lado, todos esses mecanismos defensivos operam. Para poder operar, precisam, pode dizer-se, da matéria prima. Qual é a matéria prima? As vitaminas, as proteínas, os micro elementos, e precisamente aí é onde se abre o imenso campo para a pesquisa, e é aí onde assinala precisamente, o professor Voisin, o caminho para desenvolver a medicina preventiva, que consiste, precisamente, em fornecer ao organismo de todos os elementos que o organismo precisa para desenvolver sua própria defesa contra o ataque dos agentes exteriores, quer dizer, das bactérias e dos vírus.
E alguns perguntarão: O que tem a ver a agricultura com isto? Pois é muito simples e é incrivelmente simples. Em quase todos os livros do professor Voisin, mas há um livro que ainda não está editado em espanhol, chamado “As novas leis científicas da aplicação dos fertilizantes”, em que explica os mecanismos mediante os quais as plantas absorvem os elementos, produzem, além do mais, as vitaminas que depois o organismo humano assimila. Chama a atenção acerca de um problema gravíssimo em todo o mundo de hoje.  

E todos nós temos escutado falar de quão extraordinariamente avançada está a técnica agrícola no mundo todo, e nos dizem: em tal país obtêm tantos quintais métricos por hectare de tal produto, e praticamente, todas as estatísticas do mundo assinalam o desenvolvimento da técnica agrícola pela quantidade de colheitas produzidas. E essencialmente pode dizer-se que em todos os países do mundo, e sobretudo nos mais adiantados, a agricultura é baseada, essencialmente, na quantidade e não na qualidade, e só se preocupam de adicionar um micro elemento quando a ausência desse micro elemento afeta a quantidade, mas jamais se preocupam de adicionar um micro elemento quando a ausência desse micro elemento afeta a qualidade, porque a qualidade nunca se teve em conta. E é precisamente esse problema o que assinala o professor Voisin e faz o alerta contra o que ele qualifica de um dos maiores problemas da civilização atual, contra o que ele qualifica, inclusive, de “fomes clandestinas”, que ele assinala que são similares, e que podem fazer tanto dano como a outra, a que não é clandestina.

E ele considera que em muitos países, com um padrão de vida alto, com grande desenvolvimento agrícola, estão tendo lugar essas “fomes clandestinas”, que são consequência da carência de determinados elementos essenciais para a vida nos alimentos que se produzem. E ele explica por que se têm produzido essas carências.  Porque não só há um equilíbrio, no estado natural do solo há um equilíbrio; o homem rompe esse equilíbrio, lavra a terra, começa a produzir cada vez colheitas maiores. Para produzir colheitas maiores emprega determinadas variedades, que têm maior capacidade de metabolizar os elementos e, sobretudo, emprega os fertilizantes e, sobretudo, emprega o nitrogênio que é um fertilizante que estimula o crescimento das plantas, que eleva consideravelmente a quantidade de alimentos que se produzem.

E então ele assinala que dos inúmeros elementos que a planta necessita e que o homem necessita...  Porque há elementos que são essenciais para o homem, por exemplo: iodo, sódio, é um elemento essencial para o homem, creio que o cobalto também é um elemento essencial para o homem; contudo, não se considera que o iodo seja essencial para a planta, não se considera que o sódio seja essencial para a planta. Há outros elementos que são essenciais para a planta e não são essenciais para os animais; mas, praticamente, quase todos os que são essenciais para a planta são essenciais para os animais, são essenciais para a vida humana.

Quando o homem rompe o equilíbrio da natureza, cultiva, devolve só quatro elementos fundamentalmente: nitrogênio, fósforo, potássio e cálcio. Os demais elementos menores, e alguns macro elementos, elementos maiores, não os aplica. Reparem que quase todas as fórmulas de fertilização que se conhecem no mundo consistem em três números: 10-20-12, 15-10-10, 6-8-10, etecétera, e infinidade de fórmulas se referem principalmente a três elementos: nitrogênio, fósforo e potássio. Claro que alguns outros elementos, como o enxofre, como o cálcio, vão mesclados com esses fertilizantes, alguns desses elementos, mas tudo o mais são cinco, seis elementos.

Estão extraindo à terra, constantemente, todos seus elementos, e lhe estão devolvendo três, quatro ou cinco. Com as técnicas modernas se fazem quantidades muito grandes de colheitas, e contudo só se devolvem três ou quatro elementos; os produtores comerciais de alimentos devolvem aqueles que lhes permitem obter a maior quantidade de produtos. Consequência: cria-se o desequilíbrio no solo, os alimentos começam a ter cada vez menos elementos essenciais para a vida; mas não só isso: o emprego dos fertilizantes, que Voisin considera uma das maiores invenções do homem, sem as quais o homem realmente estaria submetido à fome, não é aplicado de uma maneira científica, não se usa, mas se abusa mesmo dos fertilizantes.

E ele tem estudado esse problema, e estabeleceu uma série de leis, que chama de “Leis científicas da aplicação dos fertilizantes” e que na essência consistem nisto: que demasiado fertilizante ou pouco fertilizante, quer dizer, que excesso de fertilizante ou déficit de fertilizante afeta a quantidade e também pode afetar a qualidade dos alimentos.

Como são aplicados os fertilizantes na agricultura hoje?  Em virtude de fórmulas comerciais, em virtude de propaganda; e, contudo, com esses fertilizantes se está produzindo o alimento humano, e da qualidade desses alimentos vai depender a saúde humana. E que ocorre? Pois se utilizam quantidades indiscriminadas de fertilizantes. Que ocorre com os elementos do solo, dos quais se nutre a planta, dos quais se nutre o homem? Pois simplesmente que esses elementos necessitam estar na terra em determinadas proporções, as quantidades desses elementos devem existir na terra e devem estar de uma forma equilibrada à disposição das plantas. Quando há um excesso de um desses elementos se produz então o antagonismo entre esse elemento e outro elemento e se produze um déficit. E, por exemplo, não só pode haver um elemento determinado em quantidades suficientes para a planta, adicionar a esse só quantidades excessivas de outro elemento, e então este elemento se torna não assimilável.

Destas coisas possivelmente muitos de nós nunca tínhamos escutado dizer uma só palavra. E lá estão, por exemplo, toda uma série de coisas. O excesso de potássio, por exemplo, torna não assimilável o cálcio, o sódio e o magnésio; o excesso de potássio torna não assimilável, por exemplo, também o boro; agora, o magnésio é um elemento essencial, o magnésio tem uma importância grande para a célula humana, para o metabolismo humano, tem importância grande na elaboração das vitaminas por parte das plantas: e, enfim, em um só a uma planta dada, a uma cultura dada se aplica um excesso de magnésio e em consequência cresce uma planta onde a quantidade de magnésio diminuiu consideravelmente. E assim temos um só elemento: o potássio, que afeta vários outros elementos, os volumes de sódio, os volumes de cálcio, os volumes de magnésio, que há em uma planta. O fósforo, outro dos elementos que se aplica muito, excesso de fósforo produz deficiência de zinco e deficiência de cobre; excesso de cálcio produz deficiência de manganês; excesso de nitrogênio produz deficiência de cobre, quer dizer, a aplicação continuada do nitrogênio.

Por seu lado, as deficiências: solo ácido produz deficiência de fósforo nas plantas, produz deficiência de molibdênio. Ora, a deficiência de quaisquer destes elementos produz na planta deficiência de determinadas vitaminas. Vitamina C, o manganês; Vitamina A, por exemplo, a quantidade de caroteno — que é a base de Vitamina A — caso diminuir, não se metaboliza na planta quando tem deficiência de sódio, quando tem deficiência de magnésio creio que também. E outra coisa: o fósforo, por exemplo, ou o cobre — não sei qual destes dois elementos — tem tamanha importância também na Vitamina B12, creio que é...  não sei se será o manganês, se o professor me pudesse...  (ALGUÉM DOS PRESENTES LHE DIZ ALGO.)

O cobalto, não? Para a riboflavina. Quem são os estudantes de medicina por aí? (UM DOS ESTUDANTES LHE DIZ ALGO.)

Está bem. Então a deficiência é de manganês. Não, de cobalto. E o manganês qual é a deficiência que produz?... Não se sabe, é preciso pesquisar (RISOS).
(O PROFESSOR ANDRE VOISIN PERGUNTA EM RELAÇÃO COM OS ESTUDANTES DE MEDICINA).

Estudantes de medicina? São de veterinária. Aqui o que há são professores de medicina, médicos, há alguns médicos.

Eu pelo menos tenho visto alguns aqui, o decano da escola de medicina, companheiro Dorticós, e deve haver uns quantos mais. Foram convidados.
(O PROFESSOR ANDRE VOISIN DIRIGE-SE DE NOVO AO DOUTOR CASTRO).  

Cobalto. Como vocês veem, esta é uma questão de sumo interesse, pois, quem tem em conta estes fatores quando produz os alimentos? Quem tem em conta estes fatores quando estão produzindo os vegetais, quando estão cultivando os vegetais que consome a população? Este é um fator que praticamente não se teve em conta em nenhum lado do mundo.

(HÁ UMA BREVE INTERRUPÇÃO COM MOTIVO DE UMA DEFICIÊNCIA NA CABINE DE TRADUÇÃO).

LIONEL SOTO.— Bem: o professor Voisin quis expressar ao companheiro primeiro-ministro que ao escutá-lo em sua explicação ele pensa que o companheiro primeiro-ministro é o melhor de seus alunos, de seus estudantes (APLAUSOS PROLONGADOS).  

COMANDANTE FIDEL CASTRO.— Eu agradeço ao professor Voisin mas simplesmente na realidade eu me considero um aluno que tenho muito que estudar ainda, sobretudo esses livros e mais bem me sinto como um aluno nervoso aqui na presença do professor.

Realmente, eu estou tentando explicar aquelas razões, aqueles elementos, aqueles pontos de vista, que mais atraíram meu interesse, como estou certo de que vão atrair o interesse de praticamente todo o povo.

Precisamente, nós estávamos esperando a visita do professor Voisin, a fim de que nos autorizasse para que alguns desses livros que têm um interesse de todo ponto de vista, tanto do ponto de vista médico, como do ponto de vista humano, como do ponto de vista econômico, muito grande para todos nós, e precisamente esta conferência é o que nós estávamos esperando para que, através dela, se despertasse o interesse que facilitará a atenção para todas estas questões, para estes temas, e para todos os materiais de caráter científico que vão ser divulgados através de nossos jornais e através de nossas revistas.
Eu não tenho a menor dúvida, não tenho a menor dúvida de duas coisas: primeiro, que neste problema temos um grande campo, um extraordinário campo, de uma extraordinária repercussão humana; e, segundo, que nós temos as condições ideais para avançar neste campo tão longe quanto desejemos fazê-lo.
Em certo sentido estamos trabalhando. E sobre estas questões que atualmente estávamos nos referindo aqui dentro de alguns anos haverá dezenas de milhares de técnicos que conhecerão cabalmente, que dominarão cabalmente esses conhecimentos. Nós não iremos ao desenvolvimento de uma técnica agrícola buscando somente a quantidade, nós iremos buscando a quantidade e a qualidade dos alimentos.  

E, futuramente, teremos uma nova magnitude para medir o valor de nossos produtos, quer dizer, tantas quantidades de um produto de tal qualidade, porque realmente em nosso país se dão todas as condições para que possamos perseguir esta aspiração.

No começo, nossa preocupação também era a questão de elevar a produção à base da quantidade. Nem sempre a técnica que produz a maior quantidade produz a melhor qualidade. Os produtores com fins comerciais se preocupam da quantidade e em ocasiões, quando um elemento afeta a quantidade, o aplicam. O professor coloca uma série de exemplos desses. Por exemplo, na cultura da cebola determinados elementos permitem melhor apresentação, maior quantidade, têm melhor preço, mas simplesmente pelas aparências exteriores, porque se conserva melhor, então aplicam esse micro elemento, mas quando a falta de um micro elemento não afeta a quantidade de produtos não se preocupam os agricultores com fins comerciais.

Na atualidade vem se implementando um programa de formação de técnicos, com o propósito de poder pôr um técnico em cada parcela de terra, praticamente, a cada fazenda, a cada pedaço de terra. E chegará o dia em que na frente de cada pedaço de nossa terra haja um técnico, com uma preparação séria, profunda e, além do mais, com esta filosofia de produzir em quantidade e em qualidade. Além do mais, esses técnicos estarão assistidos por todos os meios, todos os laboratórios que sejam necessários e, além do mais, deverão ser apoiados por todas as pesquisas que são necessárias.

Pode afirmar-se que hoje em dia, em muitos produtos, já seria possível seguir esta linha de produzir em quantidade e em qualidade, mas que não haja nenhuma dúvida de que há um campo muito grande para a pesquisa, porque nós conhecemos já, por exemplo, por estes mesmos livros e pelas investigações que têm sido realizadas, os antagonismos de determinados elementos, uns com outros; a influência que têm em determinadas doenças alguns destes elementos, mas sem dúvida que ainda nos falta muito por conhecer, muito por investigar nesse sentido. Quem sabe quantas coisas mais possam ser verificadas, possam ser pesquisadas trabalhando nesse rumo!

Mas, sem dúvida, que já há uma série de produtos em que a questão da qualidade se poderia desenvolver, quer dizer, se poderia atender cabalmente. Mas tem que chegar um dia em que todos e cada um dos produtos que consuma a população tenham um valor biológico máximo, ótimo. Essa deve ser a aspiração de nossa técnica agrícola.

Atualmente, há uma série de escolas, de institutos tecnológicos de estudantes e de operários. Aqui estão reapresentados alguns desses institutos tecnológicos. Para o próximo trimestre teremos uns 7 mil estudantes, entre operários e estudantes, operários que estarão estudando, quer dizer, uns 2 mil procedentes das escolas do ensino secundário e uns 5 mil operários; já estarão estudando estas questões. Além do mais, estão se preparando novos professores, estão adquirindo os equipamentos de laboratório.  Esses institutos vão estar dotados de todos os meios necessários.  Vamos ter também no próximo ano — já começa — um centro de pesquisas científicas; vamos organizar também no próximo ano um instituto de nutrição animal, e vamos fazer uma divulgação muito ampla de todas estas questões.

Já na atualidade nós temos adquirido cerca de 20 mil livros destes três tomos:  “Produtividade da erva”, “Solo, erva e câncer”, “Dinâmica das pastagens”; o professor Voisin teve a gentileza de oferecer-nos, oferecer ao nosso país o direito de editar um de seus livros, e é aquele ao qual me referia de “As novas leis científicas da aplicação dos fertilizantes”, e ele deseja que esses direitos que ele nos cede a nós sejam utilizados como ajuda para compensar os danos que o furacão “Flora” ocasionou em nosso país (APLAUSOS PROLONGADOS).

Ainda mais, nos cede seus direitos, com o mesmo sentido, das dez palestras que ele vai pronunciar, nas quais — como explicou aqui — trabalhou durante meses duramente, e que foram já traduzidas e impressas em nosso país. Acabei sabendo que amanhã essas palestras vão ser distribuídas, não sei se no fim ou no começo... (DIZEM QUE NO COMEÇO). Ao começarem as palestras!  Quer dizer, que todos os convidados receberão um desses livros.

E relativamente às demais obras — que atualmente já foram distribuídos alguns milhares — é propósito do governo revolucionário adquirir quantidades consideráveis dessas obras, para ir distribuindo-as nas escolas, nas fazendas e, sobretudo, nos distintos níveis de técnicos que estão relacionados com as questões da agricultura.

Mas, na realidade, possivelmente o professor Voisin ainda não conseguiu, ele próprio ainda não tenha podido compreender o outro beneficio que suas obras têm para nós, que é o benefício para nossa economia e o benefício para nosso povo.

É indiscutível que a aplicação já do pastoreio racional na produção agropecuária significa um salto técnico extraordinário e umas possibilidades ilimitadas de aumentar a produção de leite e de carne.  Além do mais, com um custo que não se pode comparar com o que custava produzir aqui um litro de leite à base de ração importada; basta dizer que com o pastoreio racional, o custo do alimento por litro de leite é de menos de um centavo, o custo do alimento — naturalmente, é preciso ordenhar a vaca, as instalações e todas essas coisas — enquanto o custo do alimento de um litro de leite à base da ração flutua entre quatro e cinco centavos, que temos que gastá-los em divisa por cada litro de leite, para produzir um litro de leite.

E atualmente já estamos partindo das primeiras experiências, porque ele aconselha nestas questões não apressar-se, sempre está assinalando o aspecto econômico. E é coisa curiosa — e vou aproveitar a oportunidade para dizê-lo — nós ultimamente temos recebido, temos conhecido dois técnicos de grande prestígio; um deles, que esteve há alguns meses em nosso país, é um bromatólogo escocês, e agora o professor Voisin. E é preciso dizer que os dois têm mostrado muita mais preocupação pela questão dos custos, e têm insistido muito mais na questão das despesas, e aconselharam-nos termos cuidado nas despesas e aconselharam-nos economizar, questão que não escutei ainda a nenhum dos nossos companheiros que trabalham em qualquer setor da economia. Chamou-me a atenção, porque se percebe tamanha preocupação, tanto de Preston quanto de Voisin, e eu pude apreciar isso quando estivemos em Artemisa, que ele sempre ia aconselhando todas aquelas coisas insistentemente, que não ocasionaram despesas, que reduzissem os custos de produção, quer dizer, que eles sempre têm presente o problema dos custos, o problema econômico e o têm presente mais do que o têm nossos próprios técnicos, vamos dizer a verdade.
E, naturalmente, isso poderia dizer-se que faz parte da ciência econômica. Eu lhes dizia que o professor Voisin aconselha muito em todas estas questões que sejamos muito observadores, que analisemos bem e que temos de ir devagar; é um dos conselhos, nos aconselha para termos cautela.

E, naturalmente, que os primeiros resultados da aplicação prática desse sistema têm sido incríveis, e há um grande entusiasmo, praticamente em todas as províncias estão trabalhando os companheiros nesse sentido.

Mas nos resta um mundo de coisas por fazer e, sobretudo, um mundo de coisas por pesquisar. Eu penso que uma das maiores atrações que têm as obras do professor Voisin é que são muito analíticas e que é possível que desenvolvam, contribuam a desenvolver algo que é muito necessário em todos nós, porque todos nós estamos, em certa maneira, influídos de uma maneira negativa pela pedagogia empregada ao educar-nos a todos nós.  E todos nós fomos educados, ensinados com métodos pedagógicos antediluvianos.

Em que consiste a falha principal desses métodos? Que não se desenvolvia no estudante, no jovem, a iniciativa, que não se desenvolvia a análise, que não desenvolvia o instinto de observar tudo, de indagar tudo, de perguntar acerca de tudo, de analisar, de pesquisar. E toda a formação que nós temos recebido desde a primeira série, não tinha nada a ver com o desenvolvimento dessa característica, desse pensamento, pensamento inquisitivo, pensamento analítico, espírito de observação, faziam-nos aprender tudo de cor, desde a regra da aritmética até a geografia, a história, a gramática, a aritmética. Tudo! E o resultado se vê hoje em muitos de nossos técnicos: tamanha falta de iniciativa, falta de espírito de observação, falta de capacidade de análise. E esse não é o tipo de ensino, nem muito menos, adequado; essa pedagogia se reflete praticamente em toda a população adulta de nosso país.

E é necessário desenvolver em todos os estudantes o espírito de observação, a capacidade de analisar, de indagar, quer dizer, não aceitar as coisas simplesmente sem fazer um só raciocínio porque apareça em um livro, porque lhe dizem. E uma das coisas com que nos depararemos nestas obras, é que estas obras não pretendem ter solucionado infinidade de problemas, não pretendem resolver muitos dos problemas; pode dizer-se que nestas obras incessantemente se estão expondo problemas e se está colocando a necessidade de resolver esses problemas, se está colocando a necessidade de pesquisar, estão sendo assinaladas as limitações de nossos conhecimentos atuais, se estão assinalando as grandes falhas de nossas técnicas de produção e se pode dizer que constantemente se está exortando, pondo em causa muitas coisas com um grande espírito crítico, coisas que têm sido aceitadas quase secularmente pelos demais.

E quando estas obras chegaram às nossas mãos, já nós tínhamos lido uns quantos livros mais sobre questões da pecuária e dos solos e de infinidade de coisas e, sobretudo, inclusive muitos livros americanos, e é preciso dizer que os americanos têm livros bons e muito bons, sem dúvida. E muitos desses livros que estão traduzidos ao espanhol, pois, tinham sido adquiridos por nós; mas, contudo, há uma característica, há uma grande diferença entre as obras de Voisin e esses livros. Pode dizer-se que os outros textos têm uma concepção estática da natureza, baseiam-se em fórmulas, em tabelas de alimentação; naturalmente, nenhum destes fatores de caráter humano é examinado, nenhuma destas questões que se referem à qualidade dos produtos é examinada; são livros que aparentemente nos apresentam a natureza de maneira estática, indicam-nos as quantidades de proteínas que tem cada uma das pastagens, cada uma das gramíneas, cada uma das leguminosas; indicam-nos as fórmulas de alimentação adequadas para cada um dos tipos de vacas, segundo a quantidade de leite, segundo o tamanho. Quer dizer, que nos apresentam uma natureza completamente estática, uma natureza morta.  Contudo, uma das características das obras do professor Voisin é seu sentido dialético da natureza. Não vou dizer que o professor Voisin seja político, nem vou, de maneira nenhuma, classificá-lo em nenhuma teoria filosófica nem afiliá-lo a nenhum partido, de maneira nenhuma (RISOS). Livre-me disso! Isso seria contrário, por completo, em primeiro lugar, à nossa hospitalidade.

Mas quero dizer que a concepção da natureza, em minha opinião, é uma concepção absolutamente dialética da natureza, em nenhum instante apresenta uma natureza estática; apresenta uma natureza mutante, apresenta uma natureza dinâmica, incessantemente está analisando a interrelação que existe entre um fator e outro fator e constantemente assinala “é muito difícil analisar o efeito de um só fator isoladamente, porque cada fator atua juntamente com toda outra série de fatores”. Quer dizer, basta que mude um fator e pode ocorrer que a mudança de um fator produza uma mudança no conjunto de todos os demais fatores, no resultado da ação de todos os demais fatores.

Em todos seus estudos sobre as pastagens, sobre a flora das pastagens, sobre o desenvolvimento da flora das pastagens, constantemente nos está explicando uma natureza dinâmica, uma natureza mutante, constantemente nos está explicando como cada um dos fatores intervém para produzir determinadas consequências. Ao mesmo tempo, que leva muito em conta todas as leis da natureza, as consequências que se produzem quando se viola uma das leis da natureza. E seus livros nos estão mostrando um mundo em movimento, uma natureza em movimento. Temos escutado falar do materialismo dialético, etecétera, etecétera, mas sinceramente quando a gente lê esses livros percebe a natureza em ação, percebe as leis da dialética em ação, percebe as leis da matéria em ação.

E entre as muitas, muitas coisas úteis que nós podemos receber do estudo dessas obras está essa concepção da natureza, esse espírito de análise, de investigação. Por exemplo, nas tabelas de Morrison, de alimentação de Morrison, em quase todos os livros de solos e fertilizantes nos falam da quantidade de proteínas que tem a bermuda, a quantidade de proteínas que tem o milho, que tem a soja e; contudo, pela primeira vez o professor Voisin diz, expõe “todas essas fórmulas em que se indicam as quantidades de proteínas de um alimento determinado, são de caráter convencional, porque todas são o resultado de multiplicar a quantidade de nitrogênio na análise, por uma quantia aproximada de 6,25”. Então ele indica que pode haver em uma pastagem quantidades de nitrogênio que não tenham sido suficientemente assimiladas pela planta, quantidades de nitrogênio que não estão sintetizadas em proteínas e que, contudo, qualquer pessoa, lançando mão de uma simples análises de laboratório diz: estou dando tal pastagem com tais quantidades de proteínas aos animais.
Contudo, antes que nós fiquemos com uma dúvida desse tipo, nós estamos pensando cegamente em uma análise de laboratório, e estamos mandando analisar as coisas ao laboratório e estamos recebendo as provas pensando que essas análises têm uma dada importância e então nos assinala: não acreditem nessas análises que têm um valor muito relativo e não têm nenhuma importância se não forem acompanhadas da análise biológica, quer dizer, qual é o resultado que produz nos animais tal alimentação.

E nos ensina que o exame biológico, a análise biológica, ou o resultado biológico sempre tem que estar complementando a análise química. Contudo, nós em outro tipo de livro aceitávamos como uma verdade indiscutível o fato de que tal análise podia dizer-nos as quantidades de proteínas que existiam em um dado alimento.

O que nos ensina isso? Ensina-nos a abrir mão das posições dogmáticas na ciência, ensina-nos a submeter todas as afirmações e todas as coisas que sejam lidas, a análise, a pôr muitas coisas em causa; porque não esqueçam que a ciência tem avançado precisamente naqueles instantes nos quais pôs em causa toda uma série de verdades consideradas incontestáveis.

E é necessário que em nossos estudantes se desenvolva esse espírito crítico de pesquisa, de observação, de análise, essa concepção dialética da natureza.
E por isso eu dizia que nós temos muitas coisas que aprender dessas obras; vamos receber grandes benefícios.

Por outro lado, para nosso país, para nosso povo, cujo interesse pelas coisas da ciência e da técnica se desperta cada vez mais, se pode dizer que estas palestras que começam nesta noite são o símbolo do rumo em que avança o país, e são um sintoma do interesse que desperta a ciência e a técnica.

O fato de que o número de mais de 400 convites que se fizeram não tenham sido suficientes para todas as pessoas que desejavam assistir a estas palestras, demonstra quanto interesse têm criado. E nós teremos que agradecer ao professor Voisin a atenção, o interesse que foi suscitado em torno de sua pessoa, em torno de sua visita. Sua presença entre nós ajuda-nos a impulsionar esse interesse pela técnica e pela ciência, ajuda-nos a impulsionar esse interesse por todas estas questões; e a partir de sua visita já nós começamos a divulgar determinadas obras, a começar pelas palestras dele, nos jornais. Porque nós temos adquirido aproximadamente uns 5,3 mil exemplares de cada um desses livros, é possível que adquiramos uns 15 mil ou 20 mil exemplares mais; contudo não seriam suficientes. Se nós temos edições de jornais que chegam até 200 mil, 250 mil exemplares, se cada uma destas conferências nós as vamos editando nos jornais e no campo se vão recolhendo cada uma destas edições, muitas pessoas poderão fazer seu livro, muitas pessoas poderão ir organizando seu livro. E assim se desenvolverá uma nova função de nossos jornais, que não é a de simplesmente apresentar notícias, dar notícias, dar informação, mas também a divulgação de questões técnicas e de questões científicas.

Isto tem um campo ilimitado, porque há algo muito interessante. Quando um cidadão qualquer se introduz em quaisquer destas matérias, imediatamente começa a compreender a necessidade que tem de estudar outras coisas.

Por exemplo: nós temos distribuído um grupo de livros. Entre os livros que temos distribuído aos companheiros do Partido nas províncias estão os de “Solo e fertilizantes”, “Produtividade da erva”, “Solo, erva e câncer”, também outro livro de solos, creio que é “Solos, seu uso e melhoramento”, e não lhes temos dado outros livros; porque nós sabemos que na medida em que adentrem nos livros de solos e em todos estes livros técnicos, vão sentir cada vez mais a necessidade de estudar botânica, química, matemática, biologia. Mas nós preferimos que essa necessidade surja, porque na escola nos diziam, a priori: estude esse livro. Nós não gostávamos do livro, não sabíamos para que servia; talvez nos traziam um de bioquímica, e dizíamos: Que coisa mais chata esta que nos trazem aqui!; para que serve tudo isto?

Muitas vezes na vida é quando depois se começa a conhecer para que é que serve cada coisa, sobretudo quando qualquer pessoa começa a ler um livro de técnica e constantemente se está deparando com uma formulinha matemática, com uma formulinha química, com uma fórmula botânica, e, enfim, começa a dar-se conta das limitações de seu conhecimento, e começa a sentir a necessidade real de estudar essas que se chamam ciências básicas.

Eu sei que, por exemplo, as ciências básicas para os estudantes, a bioquímica, é o terror dos estudantes de primeiro ano de medicina; e, contudo, já eu sei que alguns companheiros começaram a procurar um engenheiro agrônomo, um professor de química, antes de receber esses livros. Quer dizer, que começaram a sentir essa necessidade muito rapidamente, e têm estado organizando círculos de estudo sobre química; também acho que nós temos enviado uma botânica a esses companheiros. Quer dizer, que sentirão a necessidade de estudar essas matérias básicas, e se desenvolverá o estudo.

Nós podemos empregar estes procedimentos de divulgação para distribuir material de estudo que chegue a todos os recantos do país, através das revistas e através dos jornais. E vamos começar esse programa graças à amabilidade do professor Voisin com suas palestras.

Quer dizer, que das palestras do professor Voisin serão impressas aproximadamente nos jornais — vamos dividir mais ou menos os jornais para diferentes matérias — mais de 200 mil diariamente; e em todos os recantos do país os trabalhadores agrícolas terão oportunidade de ler as palestras, e todas as pessoas que se interessem; e por estas questões se vão interessar muitas mais pessoas que os trabalhadores agrícolas, porque é muito possível que muitas pessoas quando comecem a ler, sobretudo acerca destes problemas, comecem a ver ângulos e aspectos da produção, e aspectos da técnica nos quais não tinham pensado nunca. E estou certo que muitas pessoas nas cidades vão mostrar maior interesse por estas questões. É possível, inclusive, que isto nos ajude um pouco a voltar os olhos para o campo, porque no passado todo mundo olhava para a cidade, do campo para a cidade, e é necessário que nós voltemos um pouco os olhos para o campo.

O professor Voisin assinala que uma das causas da decadência das civilizações é, precisamente, essas grandes concentrações urbanas. E ele explica que nas grandes concentrações urbanas tem lugar, precisamente, o esgotamento dos solos à produção de alimentos carentes, porque ele dizia que pelos esgotos das grandes cidades se escapava toda a fertilidade dos solos da Babilônia, de Roma, de Cartago; enfim, das grandes cidades da antiguidade. Iam se esgotando os solos, ia se produzindo uma degeneração física e moral das populações; naquela espoca não se conheciam os fertilizantes. Em troca, não tinham o problema que tem hoje a civilização moderna dos excessos, do emprego inadequado dos fertilizantes.

E isso nos aconteceu a nós, em certo sentido: essa grande concentração para as cidades. E temos que voltar os olhos para o campo. Não quer dizer que nos vamos deslocar agora para o campo, mas pelo menos tentar parar essa corrente, enviar para o campo em forma de técnicos muitos jovens da cidade.
Por isso, quando vemos que muitas pessoas das cidades ingressam na escola de solos e fertilizantes, na escola de técnica veterinária, é uma boa notícia, porque a cidade poderá devolver ao campo em forma de técnicos, ou fornecer ao campo milhares de técnicos que vão ali precisamente para fazer produzir nossos campos, em condições muito diferentes do que tem sido até hoje.

Nós pensamos, sinceramente, que nosso país tem um porvir extraordinário. Esse porvir deriva da possibilidade de desenvolver uma economia planificada, da ausência de contradição entre interesses determinados que nos impeçam aplicar as leis da ciência em nosso trabalho; a ausência de fatores comerciais que nos impeçam aplicar uma política determinada, a que se aplica hoje na medicina, onde — por exemplo — hoje não existe o interesse de cada farmácia de estar vendendo um antibiótico ou um hormônio ou determinado medicamento; e que todos esses medicamentos se vendem mediante controle, mediante receita médica. Quer dizer, que não existe nenhuma contradição de caráter social que nos impeça aplicar um programa desta natureza. E esse programa está sendo aplicado, e esse programa tem possibilidades ilimitadas em nosso país.

Como nós sabemos disso, como estamos cientes disso, é por isso que estamos em situação de poder apreciar o que significa para nós uma ajuda técnica, o que significa para nós a visita de um cientista tão distinto como o professor Voisin.

Ele diz que lhe chamou a atenção nossa presença no aeroporto. E realmente isso não tem nada de extraordinário, porque precisamente a nós nos chamava muito a atenção e agradecíamos imenso que o professor Voisin se incomodasse em fazer uma viagem da França para visitar nosso país e aceitar nosso convite. Eu entendo que ele tem um mérito muito maior e fez um esforço de maior, e que nós sinceramente apreciamos extraordinariamente sua visita, valorizamos essa visita, realmente por razões estritamente técnicas, por razões estritamente científicas. E é em função disso que nós apreciamos sua visita. Não desejamos tirar absolutamente nenhum partido de ordem política; afortunadamente ele compreende bem como é o proceder de nosso povo, a hospitalidade de nosso povo, a ausência de intenção política, a ausência do menor propósito de tirar vantagens políticas. Interessa-nos sua visita como cientista, nós agradecemos e apreciamos extraordinariamente sua visita pelo valor técnico, pelo valor científico que tem para nós, pela ajuda que significa para nós; estamos extraordinariamente gratos dessa visita, como estamos extraordinariamente gratos dos anos que tem dedicado durante toda sua vida à pesquisa e ao trabalho científico, cuja utilidade se percebe.

E, possivelmente, a única forma em que nós possamos compensar de alguma forma ou recompensar o professor Voisin é a satisfação que necessariamente tem que sentir um cientista como ele, ao ver como essas ideias às quais tem dedicado sua vida, essas pesquisas, começam a ser úteis ou podem ser muito úteis; que são aproveitadas por um país como o nosso. A satisfação que ele tem que sentir ao ver como esse esforço não cai no vazio, e como qualquer esforço da ciência está chamado a produzir benefícios para milhões de seres humanos sem limitação de fronteiras, sem limitação de continentes.

E assim o esforço de um cientista começa a ser útil para todos nós, muito distante de seu país, muito distante de seu continente.  

Isso nos deve ensinar também a nós que o estudo e que a pesquisa científica jamais podem ter fins egoístas, não podem ter como fim o interesse pessoal ou o interesse nacional; mas a pesquisa científica tem uma fronteira muito mais ampla, tem um campo muito mais generoso e mais nobre; que a pesquisa científica pode ser útil a todos os homens em qualquer continente, em qualquer país, em qualquer recanto da terra; que as pesquisas científicas estão chamadas a ajudar a humanidade toda.

Tal como hoje a pesquisa que se faça, os avanços científicos que se consigam em qualquer recanto do mundo podem ser úteis a nós; tal como é útil hoje para nós a rádio e a televisão que nós não inventamos, a luz elétrica que nós não inventamos, assim também — quando nos dediquemos ao estudo e nos dediquemos à pesquisa — devemos pensar que o que façamos nesse sentido há de ajudar, não só aos nossos compatriotas, mas também poderá ajudar aos seres humanos em outros países, em outros continentes.

E, sobretudo, as pesquisas e os sucessos que sejam conseguidos em um país de nosso clima. Porque não se pode esquecer que a imensa maioria dos países subdesenvolvidos do mundo, que os países mais pobres do mundo, os países onde mais abunda a fome e a miséria, são países situados em latitudes geográficas similares à nossa; que se bem a técnica — sobretudo a técnica agrícola — avançou na Europa, nos Estados Unidos e em outros países situados em outros climas, não teve um desenvolvimento similar nem muito menos em países de nosso clima. E que nós podemos atingir sucessos de caráter técnico que podem ser de inestimável utilidade para outros povos subdesenvolvidos e pobres situados na mesma latitude do que nós.

E é preciso ver as condições de vida em muitos desses povos, as dificuldades que têm, a necessidade de desenvolver em um clima como o nosso esta técnica, a utilidade que pode ter para eles todos.  

E não só nós podemos aspirar a desenvolver uma técnica avançada, mas podemos aspirar a desenvolvê-la com uma dimensão nova, podemos aspirar a desenvolvê-la com uma dimensão que não tenha em conta só à quantidade, mas também a qualidade, com uma dimensão humana muito mais ampla e muito mais profunda. E poderia dizer-se que nós estamos em condições de converter-nos no primeiro país do mundo em desenvolver a agricultura com esta nova concepção.

E o professor Voisin nos aconselhou que estudássemos a possibilidade de estabelecer essa faculdade de ecologia humana; que se nós fazíamos isso, seria o primeiro país do mundo em que surgisse essa faculdade. Isso entranhava, claramente, conseguir um acordo entre os agrônomos, os médicos e os veterinários. O professor Voisin diz que isso é muito difícil (RISOS). Mas nós pensamos — e é uma grande satisfação que aqui entre nós estejam precisamente os decanos dessas três faculdades, estão os companheiros dessas três faculdades universitárias — que pode ser que seja difícil, inclusive em nossas condições, pois eu já vi tamanhas discussões entre os de veterinária e os de agronomia, discutindo quais eram as fronteiras de uma e outra faculdade (RISOS). E quando eu assistia àquela disputa tão animada entre os companheiros de agronomia e de veterinária, a única ideia que tive foi dizer-lhes: “Procurem que essa discussão fronteiriça se resolva pelas vias pacíficas e sem lançar mão da violência” (RISOS.)

Ora: devemos tentar conciliar, delimitar e, ao mesmo tempo, ver que coisas unem a faculdade de medicina, a de agronomia e a de veterinária. E nós devemos tomar em conta esse conselho, essa ideia do professor Voisin, e estudar de verdade a possibilidade de desenvolver, futuramente, essa faculdade que abranja propriamente esses setores da ciência e da universidade que ele assinalava. E essa ideia não cairá aqui em saco roto; vamos procurar estudar essa possibilidade.

Já eu, da minha parte, estou tentando contribuir a essa ideia, e aos companheiros de quarto ano de medicina — comecei pelo quarto ano — entreguei, a cada um deles, um livro de “Solo, erva e câncer”; e pus como preço o compromisso de que o lessem, e que, além do mais, os ia examinar sobre o livro, para ver se o haviam lido (RISOS). E, realmente, eles assumiram isso com muito entusiasmo.

E é nosso propósito que, um de cada dez estudantes de medicina  — a partir do quarto ano — se dedique às pesquisas; em cada dez, um se dedique às pesquisas. Inclusive, quando tenham que exercer a medicina rural no campo, podem fazer muitas pesquisas de muito interesse. E ao mesmo tempo, dos médicos que se graduem, iremos selecionando alguns para o centro de pesquisas científicas, professores das ciências básicas.

Aqui devemos tratar também conseguir a coordenação entre a Universidade, o Centro de Pesquisas Científicas, o Instituto de Nutrição Animal e o Ministério da Saúde Pública. De maneira que todos compreendam a importância que tem cada coisa: a importância que tem a medicina assistencial, ou a importância que tem a necessidade de formação de novos especialistas, ou a importância que tem a pesquisa; e que não haja um desenvolvimento hipertrofiado, porque tudo tem que se desenvolver paralelamente. E os recursos que temos, temos que ir distribuindo-os entre esses diferentes fronts, e estabelecer a mais estreita cooperação entre esses institutos e entre esses organismos.

Já para o ano que vem, em meados do ano, estará funcionando o Centro de Pesquisas Científicas. No Centro de Pesquisas Científicas se vai organizar um centro de informação, a fim de que mandem a cada um dos médicos de cada especialidade uma lista de todos os artigos das revistas que vão sendo publicados e quais deles lhe interessam. Ir estabelecendo uma aproximação, não criando os setores, não criando grupos, mas sim criando equipes e colaboração entre as equipes, de maneira que todos se ajudem.

Portanto, do ponto de vista da pesquisa, no ano que vem, com dois bons centros de pesquisa; não vou dizer do ponto de vista dos técnicos que temos para as pesquisas, que por aqui há alguns desses técnicos que são companheiros recém graduados da Universidade e que estão organizando suas equipes para as pesquisas, se está despertando muito interesse, e aproveito esta oportunidade em que vejo aqui muitas caras de companheiros, tanto dos companheiros da escola de medicina, como de agropecuária, como os de pesquisas, como de solos, como os companheiros do INRA, e dos diferentes organismos, porque, inclusive, temos uma representação do Instituto Hidráulico, também por aqui; praticamente todo mundo mostrou seu interesse ao expor a necessidade desta relação, desta coordenação, e para que nós saibamos aproveitar a oportunidade que temos e possamos realizar essa aspiração, que hoje podemos.
Poucos povos na terra hoje têm o privilegio que temos nós, de um país onde todo mundo aprendeu a ler e a escrever, de um país onde há cerca de um milhão de adultos estudando, um país que é dono de seus recursos, dono de suas terras, e enfim, poucos países têm esse privilégio que nós temos hoje, e devemos saber aproveitá-lo e estou certo de que nós o aproveitaremos.

O professor Voisin, que me perdoe o extenso que fui, e em nome de todo o povo, e em nome de todos os companheiros aqui presentes que vêm de todas as escolas, de solos, de diferentes escolas universitárias, de diferentes fronts da produção que com um extraordinário interesse desejam escutar suas palestras, em nome de todos eles lhe agradecemos. Igualmente, agradecemos ao senhor Embaixador da França pela gentileza de ter assistido esta noite, de ter pronunciado um discurso e de ter apresentado o professor Voisin. Estamos muito gratos, e esperamos que a hospitalidade de nosso povo se demonstre plenamente, e a hospitalidade de nosso povo demonstre esse agradecimento.

Muito obrigado.  
(OVAÇÃO)