Uma nova condenação mundial ao bloqueio dos Estados Unidos contra Cuba toma forma hoje em Nações Unidas depois do começo de um novo período ordinário de sessões da Assembleia Geral.
Pelo décimo nono ano consecutivo, o máximo órgão da ONU voltará a analisar um relatório apresentado pela ilha caribenha sob o título Necessidade de pôr fim ao bloqueio econômico, comercial e financeiro imposto pelos Estados Unidos da América contra Cuba.
O documento foi dado a conhecer ontem em Havana pelo chanceler cubano, Bruno Rodríguez, e denuncia que esse cerco constitui o principal obstáculo ao desenvolvimento do país antilhano.
O bloqueio tem custado a Cuba 751 bilhão 363 milhões de dólares nestes 50 anos, cifra ainda conservadora baseada na depreciação do dólar frente ao ouro, indicou o ministro, que assistirá aqui ao debate geral da mais alta instância da ONU (do 23 a 30 próximos).
No ano passado, 187 países pronunciaram-se na Assembleia Geral na contramão da medida norte-americana, na votação anual mais alta registrada sobre esse assunto desde 1991, com somente três votos contra (Estados Unidos, Israel e Palau) e duas abstenções (ilhas Marshall e Micronésia).
Em declarações ontem na capital cubana, Rodríguez sustentou que o bloqueio deve ser levantado de maneira unilateral e sem condições.
Disse que o caráter extraterritorial do bloqueio se fortaleceu nos últimos dois anos, com um incremento das multas e sanções e a perseguição às transações financeiras cubanas com terceiros países.
Esse assédio provoca um efeito dissuasório em outras empresas que pudessem realizar operações comerciais com a Ilha, apontou.
O ministro destacou que o presidente estadunidense, Barack Obama, tem ficado abaixo das expectativas geradas por seu discurso com respeito a Cuba e a política de bloqueio contra a nação caribenha.
Explicou que o chefe da Casa Branca "não tem utilizado as amplas prerrogativas constitucionais que lhe permitiriam, não já eliminar o bloqueio, mas sim introduzir modificações substanciais em dezenas de áreas de sua aplicação".
É uma miragem a afirmação de que o mandatário norte-americano não pode modificar o cerco econômico, comercial e financeiro de quase meio século, advertiu.
A votação do relatório apresentado por Cuba na Assembleia Geral será submetido a votação no próximo 26 de outubro.
