O documental Che, um homem novo, do cineasta argentino Tristan Bauer, se estreará hoje em 330 salas de cinema e vídeo da ilha para entregar aos espectadores um retrato humano, vivo e atuante, com perfis inéditos.
Com uma hora e 30 minutos de duração, o filme está sustentado por uma sólida e exaustiva investigação histórica, à que o diretor se entregou em corpo e alma durante 12 anos seguidos. Uma viagem empreendida através da trajetória vital do guerrilheiro, seu pensamento político, suas relações familiares, seu amor para a literatura e as artes.
Bauer lançou-se a fundo em uma busca cheia de achados. Seu rastreamento levou-o a consultar documentos desclassificados, arquivos secretos do Exército boliviano, gravações de voz desconhecidas até agora, cartas, apontes, discursos, momentos privados, sociais e políticos de Guevara; a escrutar ao homem por trás do mito e a lenda.
Sabia que era um desafio, disse o realizador à imprensa, mas "tinha que tentar transmitir o conceito de um homem que estuda, imerso em uma reflexão teórica profunda, virado na ação simultaneamente, que prega com o exemplo".
Co-produzido pelo Instituto Cubano da Arte e Indústria Cinematográficos (ICAIC), o Centro de Estudos Che Guevara, o Instituto Nacional de Cinema e Audiovisuais da Argentina e a Universidade Nacional de San Martín, Televisão Espanhola e o selo Golem Distribuição desse país europeu, o documentário sai às telas ao cumprir-se o 43 aniversário do assassinato de Ernesto Guevara na Bolívia.
Os espectadores terão ante sim, simultaneamente em Cuba e Argentina, a um Che de carne e osso, íntimo e quotidiano, profundamente analítico, com suas contradições, sua luta e seus sonhos, a quem o cineasta dá a palavra para que emerja desde os textos escritos ao longo de sua vida, seus discursos, correspondência familiar, diários pessoais.
O resultado é um material de valor inestimável, sem edulcorações, um retrato enriquecido com a contribuição substancial do Centro de Estudos que leva seu nome e o volume de imagens virgens contribuídas pelo ICAIC.
Interessa-me um cinema vinculado com a memória, sustenta Bauer. Isto tem que ver com a busca da identidade que, em definitiva, é uma construção, destaca.
