Uma decisão judicial que aprova o megaprojeto energético de Hidroaysén reativou aqui o movimento nacional de protesto em defesa da Patagônia chilena.
O ponto de inflexão foi marcado pela decisão do Tribunal de Apelações da sulista cidade de Puerto Montt que recusar os recursos de proteção interpostos por organizações defensoras do meio ambiente contra a construção das cinco represas contempladas no coração da Patagônia do país.
Na opinião do coordenador da Ação Ecológica, Luis Mariano Rendón, as decisões tomadas pelos denominados Sistemas de Avaliação de Impacto Ambiental respondem sobretudo a interesses políticos governamentais.
Não há no Chile uma institucionalidade ambiental que funcione de maneira autônoma, com plenas garantias e onde simplesmente se apliquem normas, apontou Rendón. O que há são decisões discricionais, porque assim está desenhado o sistema, afirmou.
Diante do perigo de depredação da Patagônia, depois da aprovação pela citada instância judicial, Rendón convocou uma marcha pela Alameda para o próximo sábado 15 de outubro.
A respeito, o também dirigente ecologista Juan Pablo Orrego, integrante do Conselho de Defesa da Patagônia, advertiu que nas ruas do Chile voltará a transcender o desacordo com a construção da Hidroaysén, tema que ocupou os primeiros planos do cenário político e midiático em abril e maio deste ano.
De igual modo, Matias Asun, diretor do Greenpeace Chile, afirmou para os próximos dias grandes manifestações em todo o país em desaprovação à pretendida construção dos cinco embalses no leito dos rios Pascua e Baker na região de Aysén, a cerca de 1.800 quilômetros ao sul desta capital.
Nesta terça-feira, os líderes das organizações ambientalistas solicitarão a autorização da Intendência Metropolitana para marchar pela Alameda no próximo sábado.
De acordo com pesquisas públicas, mais de 70 por cento da população mostra uma resistência ampla ao citado megaprojeto hidroelétrico, impulsionado pela multinacional Endesa e pela empresa local Colbún.
São atribuídas à proposta numerosas irregularidades ao longo de sua aprovação e menosprezo ao nocivo impacto ambiental que terá em lugares que são considerados patrimônio da humanidade por sua riqueza natural.
Diante do argumento do Executivo de que o país precisa de energia urgentemente para evitar futuros apagões, os agrupamentos ecologistas sustentam que o Chile deve orientar seu foco para as energias não convencionais, que além de serem limpas, permitiriam baixar os astronômicos preços das tarifas.
