Discurso proferido pelo comandante-em-chefe fidel castro ruz no ato popular em comemoração do Quinto aniversário da revolução, efetuado na praça da revolução

Já decorreram cinco anos do triunfo da Revolução (APLAUSOS).

Temos direito a sentir-nos orgulhosos destes cinco anos? Temos direito?  (EXCLAMAÇÕES DE: “Sim!“) Com certeza que temos um legítimo direito a sentir-nos orgulhosos destes cinco anos de Revolução. E temos, por isso, o legítimo direito a comemorá-los dignamente. E temos, por isso, o direito de continuar comemorando-os para sempre (APLAUSOS). Porque sempre, sempre, sempre nossa pátria será preciso comemorar esta data (APLAUSOS).  Cada dia nós temos mais certeza disso.

Quando começou o poder revolucionário, há cinco anos, nós estávamos conscientes de que por diante tínhamos um imenso e difícil trabalho. E qual era a situação de todos nós, qual era a situação do povo? E qual era a situação de todos os dirigentes revolucionários perante essa tarefa? Era uma situação de otimismo, sim, de confiança em nós mesmos, naturalmente. Tínhamos a íntima certeza que ainda que esta tarefa fosse grande e difícil, marcharíamos adiante.

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Versões Estenográficas – Conselho de Estado
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Queridos convidados que nos honram com sua companhia neste quinto aniversário de nossa Revolução (APLAUSOS);

Povo de Cuba:

Já decorreram cinco anos do triunfo da Revolução (APLAUSOS).

Temos direito a sentir-nos orgulhosos destes cinco anos? Temos direito?  (EXCLAMAÇÕES DE: “Sim!“) Com certeza que temos um legítimo direito a sentir-nos orgulhosos destes cinco anos de Revolução. E temos, por isso, o legítimo direito a comemorá-los dignamente. E temos, por isso, o direito de continuar comemorando-os para sempre (APLAUSOS). Porque sempre, sempre, sempre nossa pátria será preciso comemorar esta data (APLAUSOS).  Cada dia nós temos mais certeza disso.

Quando começou o poder revolucionário, há cinco anos, nós estávamos conscientes de que por diante tínhamos um imenso e difícil trabalho. E qual era a situação de todos nós, qual era a situação do povo? E qual era a situação de todos os dirigentes revolucionários perante essa tarefa? Era uma situação de otimismo, sim, de confiança em nós mesmos, naturalmente. Tínhamos a íntima certeza que ainda que esta tarefa fosse grande e difícil, marcharíamos adiante.

Mas também é certo que nós, os homens da Revolução e o povo, não tínhamos nenhuma experiência perante essa nova tarefa, perante essa difícil e grande tarefa que tínhamos por diante. E por isso nós, com toda a honradez, naquele dia que chegamos à capital da república, dissemos que nos sentíamos tal como quando tínhamos desembarcado do “Granma”. E é que ao chegar à capital, nós lembrávamos aqueles dias, precisamente pela nossa inexperiência, e porque quando a guerra revolucionária tinha concluído, nós compreendíamos a abissal diferença que existia entre a experiência de nossos combatentes, a experiência de todos nós quando desembarcamos e a experiência de todos nós quando a guerra tinha concluído.

Mas a tarefa que tínhamos por diante não era uma tarefa militar, era uma tarefa diferente, era uma tarefa muito mais complexa; tratava-se de deitar por terra toda uma ordem social injusta, toda uma ordem social antiga, toda uma ordem social anacrônica e construir uma vida social nova para nosso povo.

Tinha que mudar totalmente o modo de produção de nossa sociedade por um modo de produção novo; tinha que mudar um modo de produção que tinha estado enraizado durante séculos, com todas suas tradições, seus costumes, suas instituições, suas leis, suas ideias, seus hábitos, sua educação, sua organização, e mudá-lo por um modo de produção inteiramente novo, relativamente ao qual nós não tínhamos nem organização, nem tradição, nem hábitos, nem costumes, nem as ideias que correspondiam, nem a atitude mental que correspondia a esse novo modo de vida.

Contudo, era preciso realizar essa tarefa; da forma em que vivíamos no passado não podíamos continuar vivendo. Era preciso erradicar aquele passado, era preciso criar algo inteiramente novo. Essa era a aspiração de nosso povo há muito tempo. Nosso povo nunca teve a oportunidade de criar algo inteiramente novo. Forças poderosas de caráter internacional e forças poderosas de caráter social tinham impedido, ao longo de nossa história, a oportunidade de que o povo se pusesse a trabalhar a sério para seu próprio destino. E a Revolução veio significar precisamente, e pela primera vez na história, essa oportunidade (APLAUSOS).

Não queria dizer isso que, quando nós tivéssemos em nossas mãos essa oportunidade, o caminho teria de ser fácil; também não queria dizer que, quando nosso povo tivesse essa oportunidade, desde o primeiro dia teria de começar fazendo as coisas maravilhosamente bem; não queria dizer isso que, desde o primeiro dia, sequer, sabíamos com precisão, com exatidão, com detalhes, como teríamos de fazer as coisas perante essa nova oportunidade.

Mas sabíamos de uma coisa, sabíamos todos: que o triunfo da Revolução ia significar o fim das injustiças (APLAUSOS). Sabíamos que o triunfo da Revolução ia significar o fim dos abusos, sabíamos que o triunfo da Revolução ia significar o fim dos privilégios.

Sabíamos que o triunfo da Revolução teria de significar, com o decurso do tempo, o fim da pobreza, o fim do desemprego, o fim — em duas palavras — da exploração de nosso povo. Sabíamos que um minuto inteiramente novo começava!

E assim, como antes nossas mentes estavam acostumadas, praticamente, a ver por todos os lados a injustiça e o abuso, hoje, pelo contrário, praticamente não há um só cubano que se resigne tranquilamente a contemplar uma injustiça ou um abuso (APLAUSOS).

Não quer dizer com isto que o desaparecimento de uma série de defeitos e de vícios, o desaparecimento de uma série de injustiças e de privilégios menores, podia acontecer da noite para a manhã na vida de um país. Mas devia desaparecer — ia desaparecer muito em breve — o espírito de conformidade dantes, o espírito de resignação dantes, a falta de otimismo e de esperanças dantes.

Mas a mentalidade de nosso povo nestes cinco anos tem mudado radicalmente. Nestes cinco anos, do ponto de vista da construção de uma vida nova, de uma sociedade nova — que demorará muitos anos — não temos feito senão começar. Mas do ponto de vista da consciência, do ponto de vista da mentalidade do povo, realmente teve lugar uma mudança transcendental e uma mudança irreversível nestes anos.

Porque há algo, algo muito claro, e é que já hoje cada cubano dos que estão aqui presentes e milhões de cubanos ao longo da nossa pátria, há uma coisa que sabem e há uma coisa sobre a qual há uma decisão irrecusável, e é a certeza de que o passado, aquele passado que vai ficando cada vez mais atrás, o passado não poderá voltar mais ao nosso país! (APLAUSOS).

Como é nosso presente? Nosso presente é um presente de trabalho, de esforços, de dificuldades, sabemos disso. Mas, contudo, não há nada que possa fazer mudar essa infinita esperança que temos nesse esforço de hoje; essa infinita esperança que temos no amanhã não haverá nada que possa fazê-la mudar por aquele passado sem esperanças (APLAUSOS), por aquele passado vergonhoso, por aquele passado triste para o povo, doloroso para o povo. Porque os únicos que sentem saudades daquele passado, os únicos que sentem saudades daquele passado são os que naquele passado tinham tudo, e nunca sentiram condescendência pelo povo, nunca se lembraram dos sofrimentos e das lágrimas do povo, porque o povo chorou sempre, sofreu sempre, se esforçou sempre, sangrou sempre, e ninguém se lembrou dele, ninguém se lembrou dele! (APLAUSOS).

Chorem hoje, chorem hoje os exploradores, derramem suas lágrimas os exploradores, sudem os exploradores lavando pratos em Miami; sudem as burguesas trabalhando como empregadas dos imperialistas (EXCLAMAÇÕES), ou sofram a vergonha de alargar a mão para que seus donos imperialistas lhes deem uma esmola e que haja esmolas lá nas entranhas do imperialismo, e que peçam esmola os exploradores de ontem, porque hoje já aqui nesta terra não há pedintes (APLAUSOS).

Que chorem a perda de seus privilégios, que ruminem seu ódio contra o povo, que ninguém terá compaixão deles, que o povo não terá compaixão deles! Que façam quanto queiram eles e seus donos por travar o caminho do povo, que façam quanto puderem, que nada conseguirão, que nada impedirá a marcha vitóriosa de nosso povo!  (APLAUSOS).

E, por isso, a sensação mais essencial, o sentimento preponderante no dia de hoje em todos nós é a certeza de que estamos triunfando, é uma sensação de vitória, é uma sensação de triunfo.

Cinco anos! É que tão só cinco anos proferidos aqui perante o povo, diante desta imensa multidão, na Praça da Revolução, são eles próprios uma vitória que jamais poderiam imaginar nossos inimigos (APLAUSOS). Porque não é uma vitória qualquer, não é a vitória contra Batista e sua camarilha (EXCLAMAÇÕES), não é a vitória contra as gangues contrarrevolucionárias, contra os exploradores reacionários; o povo varreu facilmente esses inimigos de seu caminho. É a vitória contra os imperialistas ianques (APLAUSOS), são cinco anos de resistência frente ao imperialismo ianque, é o poder revolucionário que se manteve frente ao esforço, a hostilidade e a agressão sistemática do imperialismo ianque.

Porque se esta vitória significa muito para nós, significa muito também para os imperialistas, porque em suas mentes prepotentes, em sua mentalidade acostumada a espezinhar os direitos de nossos povos da América, não cabe —nem podia caber — que este povo nosso, pequeno, vivendo nesta Ilha, teria podido resistir e ainda sair vitorioso nestes cinco anos de luta dura e de luta frontal contra o imperialismo (APLAUSOS).

E isso lhes deve ter ensinado que as coisas mudaram muito no mundo, o exemplo da Revolução Cubana lhes deve ter ensinado muito, porque esta Revolução ensina por igual a reacionários e a revolucionários. Os revolucionários recebem uma lição alentadora de nossa Revolução e os reacionários recebem uma lição desalentadora dessa mesma Revolução. E os imperialistas devem ter compreendido — e se não compreendem é porque são burros, se não compreendem é porque têm esses antolhos que se colocam aos mulos, se não compreendem é porque lhes custa muito trabalho compreender — têm que compreender e terão que compreender — e ainda que não queiram compreender, não têm outro que remédio! — de que há uma situação inteiramente nova e distinta no mundo e que no mundo têm ocorrido grandes mudanças.

Devemos ter muito presente, em meio de nosso legítimo orgulho de revolucionários e de nossa legítima satisfação pelo que o povo de Cuba tem feito, devemos ter presente que a Revolução Cubana sozinha não era possível nas novas condições existentes no mundo, de que a Revolução Cubana faz parte desse poderosíssimo movimento que é o movimento de libertação dos povos oprimidos, dos povos explorados, dos povos colonizados (APLAUSOS).

É que nossa Revolução faz parte desse poderoso movimento revolucionário mundial que começou com a histórica revolução dos trabalhadores e camponeses da União Soviética (APLAUSOS E EXCLAMAÇÕES DE: “Fidel, Jruschev, estamos com os dois!”), a revolução de Lenin, a revolução de Marx e de Engels (APLAUSOS). E esse poderoso movimento revolucionário foi ganhando força e mais força até constituir hoje a força de todos os países do bloco socialista e de todos os países que lutam em todos os continentes contra o colonialismo e contra o imperialismo (APLAUSOS).

É claro que nós sozinhos não teríamos podido resistir ao imperialismo. Nós, sem essa poderosa força, sem esse poderoso movimento, não teríamos podido resistir o bloqueio, as agressões, o estrangulamento econômico que o imperialismo aplicou contra a nossa pátria. É verdade que temos sentido os efeitos dessas campanhas, desse bloqueio, desse esforço estrangulador, mas não conseguiram esmagar a Revolução e, ainda mais, a economia do país se vai desenvolvendo em meio dessas condições.

Hoje, isso de que eu lhes estou falando, a circunstância de poder contar nossa Revolução e de fazer parte nossa Revolução dessa revolução universal, se tornava muito patente quando desfilavam nossas Forças Armadas (APLAUSOS).

Podíamos ver com orgulho as unidades combatentes de nosso povo, víamos com orgulho sua disciplina, sua organização, e todo o povo via desfilar essas que são suas armas.

Não eram os desfiles de antes, porque os desfiles de antes eram os desfiles dos ferros velhos que o imperialismo dava a seus lacaios para oprimir os trabalhadores, enquanto as armas que desfilam por aqui não são os ferros velhos, não são armas velhas, são moderníssimos equipamentos de combate que nossa Revolução recebeu para resistir aos imperialistas (APLAUSOS).

Os lacaios do imperialismo, com seus corpos policiais, seus exércitos mercenários, não necessitam dessas armas tão modernas. Para atacar manifestações de estudantes, para atacar manifestações de operários, para assassinar camponeses, para perseguir os revolucionários não necessitam armas tão modernas. Contudo, para resistir aos imperialistas e suas agressões, nós necessitamos armas muito poderosas e armas muito modernas.

Vejam como tudo foi mudando ao longo destes cinco anos. Já não podem pensar em vir perturbar o trabalho pacífico de nosso país com invasões do tipo pela Baía dos Porcos, já não podem lançar mão da ideia de ocupar um pedaço do território nacional para iniciar uma guerra de desgaste.

Hoje não podem pensar nisso. Por quê? Porque sabem o que temos, porque conhecem o poderio militar da Revolução (APLAUSOS). Já lhes resulta mais difícil lançar seus fantoches a uma guerrinha contra nós, lançar seus fantoches a uma invasão de Cuba, porque sabem que vão durar em nossas praias o mesmo que um suspiro na porta de uma escola (APLAUSOS).

Nós preferimos que, ano após ano, nossas armas continuem desfilando perante o povo, como garantia de sua segurança e de seu porvir. Tomara que nossas armas não tenham que ser usadas, tomara que não haja que disparar nem um só desses canhões (APLAUSOS), tomara que não tenham que combater nem um só, nem um só desses tanques, nem um só desses mísseis, nem um só desses aviões, tomara que não tenha que cair, que não tenha que morrer um só dos nossos combatentes (APLAUSOS). Esse é nosso desejo mais profundo.

Nós não temos essas armas como adorno, não as temos por capricho. Nosso povo é pacífico, se nosso povo não fosse forçado a viver em situação de perigo não teria dezenas e dezenas de milhares de homens, de magníficos homens manejando armas complexas, os teríamos na produção, os teríamos em nossas usinas e em nossos campos, elevando a produção, elevando o nível de vida de nosso povo. E em vez dessas armas, o combustível que gastamos nelas, os recursos que gastamos nelas, os teríamos investido em meios de produção.

Por isso, nosso desejo é que essas armas não tenham que ser empregadas. E na medida em que a Revolução é forte militarmente é maior o respeito de nossos inimigos, porque com essas armas não só nos podemos defender de ataques mercenários, de ataques de fantoches do imperialismo, com essas armas podemos combater contra as melhores e mais equipadas unidades do exército imperialista dos Estados Unidos (APLAUSOS).

Eles sabem, ademais, que não seria um passeio militar, eles sabem que aqui os cubanos combatem, eles sabem que os cubanos lutam, e eles sabem que os cubanos combateriam até o último homem e a última mulher com vergonha neste país (APLAUSOS), eles sabem que o povo de Cuba não se renderá nunca. Mas não se trata somente disso, sabem que o povo de Cuba não está sozinho (APLAUSOS), sabem que o povo de Cuba não combaterá sozinho nessa luta.

Entao, para os imperialistas as coisas se tornam cada vez mais e mais e mais difíceis. E ao completarmos estes cinco anos valeria a pena que se sentassem uns minutos a meditar, se sentassem uns minutos a pensar. E há já alguns jornais norte-americanos — desses que com alguma frequência escrevem objetivamente — que começam a perceber estas coisas.

Eu trouxe a cópia de uma notícia que fala de um editorial do The New York Times, que é um dos jornais de maior circulação e de mais ascendência nos Estados Unidos. E vejam as coisas que diz, com motivo do quinto aniversário.  Diz: “A Revolução Cubana completará cinco anos esta noite. O regime de Castro certamente é forte, e possivelmente mais forte do que nunca” (APLAUSOS). Diz: “Sua lista de pecados” — já vocês sabem quais são os pecados nossos — “sua lista de pecados e erros tem sido detalhada diariamente por anos, mas a existência e força da Revolução Cubana, depois de cinco anos, exige uma explicação, bem como o fato de que não há enfraquecimento aparente na atração do primeiro-ministro Castro dentro de Cuba, ou sua estatura como figura mundial” (APLAUSOS).

Vocês me vão perdoar que eu tenha lido este parágrafo em que se trata de minha pessoa, e não é isso o que me interessa, o que me interessa é destacar o que eles estão pensando (APLAUSOS). Como vocês sabem, os imperialistas tentam personificar. Eles não dizem, essa é a Revolução do povo de Cuba; eles dizem; essa é a Revolução de Castro, como se Castro e o povo fossem duas coisas diferentes (APLAUSOS), como se fosse possível que os indivíduos pudessem fazer as revoluções. Será que alguém poderia fazer algo sem o povo.

E continuam dizendo — vejam, vejam que os fatos os vão ensinando — dizem:  “A Revolução é, e sempre tem sido, um fenômeno histórico” — certo! — “social, político e econômico muito complexo, com bons e maus aspectos. Tais levantamentos começam destruindo a estrutura social, política e econômica existente no país” — certo!

Dizem: “Essa é uma trágica experiência para qualquer nação e o tem sido para Cuba”. Incerto! Trágica para os exploradores e para os burgueses, mas nunca para o povo; trágica para os imperialistas, mas nunca para nosso povo.

Diz aqui que “foi piorada pela torpeza dos jovens caudilhos revolucionários”.  Certo em parte, se querem; não vamos dizer agora que somos uns sabidos.  Mas o que eles chamam de “torpeza”, não foram precisamente as torpezas; foram as leis que nacionalizaram as empresas imperialistas (APLAUSOS).

Agora dizem: “Mas não é isso tudo o que tem estado acontecendo em Cuba” — vejam o que dizem — “todas as crianças estão tendo alguma educação; a maioria está sendo bem alimentada e cuidada, ainda que os pais sejam pobres.”

Dizem: “A população negra e mulata, de uma terça a uma quarta parte, está obtendo genuína igualdade” — genuína igualdade! “Os chefes do governo estão incorruptos por escândalos fiscais. Esses aspectos são novos na história de Cuba” — dizem eles.

”Seria estúpido fazer previsões, mas ter sobrevivido cinco anos é um fato notável, cujá explicação não pode ser atribuída a causas simples.”

Quer dizer, o fato é que estas palavras, objetivas, em que se reconhecem estes fatos, constituem realmente algo muito significativo, porque são coisas que não dizemos nós. E o fato de que se diga, por exemplo, da genuína igualdade que há em nosso país, isso diz muito para muitos povos do mundo; aos povos da África, da Ásia, da América Latina, onde quer que essa igualdade não exista. O fato de que se reconheça que todas as crianças estão recebendo alguma educação, é reconhecer que há algo em Cuba que não existe, na mesma medida, em nenhum outro país da América Latina, nem sequer nos próprios Estados Unidos (APLAUSOS). O fato de que se diga que as crianças todas estão geralmente bem alimentadas, independentemente da pobreza de seus pais... Quantas são as nações do mundo a respeito das quais é possível dizer isso? Que os homens da Revolução não roubaram um centavo... Acerca dos políticos de quantos países é possível dizer isso? E, pois, dizem que isso é inteiramente novo. Como não há de ser novo, se este era o país da corrupção, dos vícios, dos saqueios, do analfabetismo, do desemprego, de centenas de milhares de crianças sem escolas, sem alimentação, de famílias sem receitas?

Agora, faltava acrescentar uma coisa: Como temos podido fazer isto e como tivemos que fazer isto, em que condições? Porque os imperialistas falam da sua Aliança para o Progresso, e se queixam todos os dias de que não progride. Falam de sua Aliança para o Progresso, e não têm podido fazer nada disto.  Contudo, não há nenhum outro país da América sobre o qual esteja sendo aplicado o bloqueio econômico que estabeleceram contra nós; nenhum país da América ao qual os Estados Unidos obstruam seu comércio, o transporte de suas mercadorias de exportação e de importação; não há nenhum outro país da América ao qual os Estados Unidos sabotam sua economia, como a saboteiam a nós; não há nenhum outro país de América, nenhum país, onde os imperialistas se tenham gastado centenas de milhões para fazer sabotagens, queimar cana, destruir usinas, cometer crimes, realizar ataques piratas, invasões, atividades subversivas, espionagens. Não há, e contudo em nenhum outro país se tem produzido a mudança, o rápido, o extraordinário avanço que se tem produzido em Cuba.

Não é que todos os países da América Latina estejam em iguais condições, e nós não temos, nem muito menos, a todos os governos no mesmo conceito na América Latina. Mas é verdade que os imperialistas se queixam de que a Aliança para o Progresso não progride. E por que não progride a Aliança e, contudo, a Revolução Cubana progride? Por quê? Naturalmente que antes da Revolução os imperialistas não falavam essa linguagem, falavam outra linguagem; não utilizavam a palavra progresso, Aliança para o Progresso, não! E estavam despreocupados totalmente da situação. Hoje não se preocupam porque sejam revolucionários; eles falam de uma revolução pacífica. E que com a Aliança querem fazer uma revolução pacífica, mas não a fazem porque sejam revolucionários, porque amem a Revolução; a fazem porque têm medo das revoluções como a nossa, têm medo das revoluções verdadeiras como a nossa (APLAUSOS).

Ninguém pensa no mundo que os imperialistas sejam filántropos, porque os imperialistas falam em atribuir recursos para fazer algumas escolinhas, alguns hospitais, algumas vias de comunicação; mandam seu Corpo de Paz, que são corpos de espionagem. Mas antigamente, nem sequer faziam isso; todas essas coisas as começaram a fazer depois do triunfo da Revolução. Por isso, essas medidas oportunistas e hipócritas estão chamadas ao mais rotundo fracasso. Isso é um fato claríssimo. Porque, aliás, a Aliança para o Progresso pressupõe a manutenção das condições de exploração imperialista; afirmam que se façam algumas reformas fiscais, algumas reformas agrárias benignas e algumas outras medidas; afirmam que os políticos não roubem o dinheiro e afirmam que os burgueses não levem o dinheiro para bancos estrangeiros. Mas pressupõe a manutenção das condições de exploração imperialista.

E como lhes vou explicar depois, nossa situação hoje, economicamente, hoje, é insuperável; nossa situação hoje se pode gritar ao mundo e se pode dizer que é uma das melhores neste continente, apesar dos imperialistas, apesar de seu bloqueio. Porque o mérito que têm nossos sucessos, é que são sucessos conseguidos em meio da luta que trava contra nós o imperialismo e em meio do bloqueio imperialista. Os imperialistas, por isso, tentam impedir que venham visitantes a Cuba; não só que nos visitem os latino-americanos, inclusive tentam impedir que os cidadãos norte-americanos visitem Cuba.

Eles fazem muita campanha; nós lemos muitas das coisas que publicam e em verdade que são cada vez mais ridículas, têm cada vez menos eficácia.

Eu vou pôr um exemplo: recentemente se fez a última Lei agrária, depois se anunciou que não haveria mais leis agrárias. Realmente a revolução agrária estava feita, porque não foi uma reforma, foi uma revolução agrária. Que é que declararam as agências de notícias imperialistas? “Castro abre mão da Reforma Agrária.” Abrir mão da Reforma Agrária quando precisamente se conclui a Reforma Agrária? Dão-se garantias definitivas ao pequeno agricultor, porque o pequeno agricultor é um aliado da Revolução, pode produzir junto com as fazendas do povo; mas 70% das terras cubanas estão em produção por meio de empresas socialistas, por meio de empresas estatais (APLAUSOS); 70% das terras que pertenciam aos imperialistas e aos latifundiários crioulos, hoje são do povo, hoje são da nação e graças a isso, podemos dar extraordinário impulso à agricultura. Mas junto com essas fazendas estão os pequenos produtores os quais têm outro 30% das terras, que foram liberados pela Revolução do pagamento da renda e que constituem a grande massa camponesa aliada da Revolução. Quando concluiu a Reforma Agrária, os imperialistas publicam para o mundo: “Cuba abre mão da Reforma Agrária”. Quando a Revolução fala de desenvolver a agricultura, o açúcar, a pecuária, aproveitando o fato de que temos 160 usinas que trabalham 100 dias, e que pudessem trabalhar 170, 180 dias, tendo cana de maturidade precoce e de maturidade demorada, entre outras; podendo nós com a capacidade da indústria instalada, quase duplicar nossa posição açucareira, e falamos do desenvolvimento da nossa agricultura, dizem que Cuba abriu mão do programa de industrialização.

Abrir mão da industrialização? E temos dezenas e dezenas de milhares de jovens nas escolas tecnológicas; abrir mão da industrialização? E centenas de milhares de trabalhadores estão estudando, superando-se, e adquirindo conhecimentos técnicos; quando estamos criando, precisamente, as bases econômicas e as bases humanas para nossa industrialização. O que não é o mesmo o desenvolvimento da indústria, nas condições nossas, nesta primeira etapa vai mais devagar e, em troca, a agricultura pode desenvolver-se mais rapidamente. Abrir mão da indústria?

Não, nós vamos continuar e vamos levar adiante a industrialização do país com os recursos que nos dá o açúcar, precisamente, com as divisas que nos dá o açúcar e com os recursos que nos pode dar a pecuária (APLAUSOS).

E vamos desenvolver aquelas indústrias para as quais temos nossas condições mais favoráveis, e vamos nos especializar em determinados ramos da indústria. Os imperialistas publicam isso, como tentando dar a entender que a Revolução abriu mão dos seus planos de industrialização. Não, o que vamos fazer é aproveitar até o máximo nossas condições agrícolas. E porque, ademais — vou-lhes dizer uma coisa — somos um país produtor de alimentos e de alimentos muito prezados.

Certas indústrias de consumo têm-se desenvolvido tanto no mundo que atrás de cada cliente há 20 carros perseguindo-os; em troca, não há 20 quintais de carne perseguindo cada consumidor, não há 20 quintais de açúcar perseguindo cada consumidor.

E nossos produtos têm — nossos produtos agrícolas — um magnífico preço.  Se quando o açúcar atinge preços acima de 10 centavos não cultivássemos cana, isso é o que querem os imperialistas; porque os imperialistas andam doidos com esses problemas que eles próprios têm criado; eles próprios.

Nós temos recebido uma ajuda extraordinária — com efeito — de nossos irmãos do bloco socialista e, sobretudo, uma ajuda sincera, uma ajuda honrada, uma ajuda internacionalista (APLAUSOS). Mas nós temos recebido outra ajuda inesperada e insuspeita: A ajuda dos imperialistas! Mas não uma ajuda consciente, não devem imaginar isso; a ajuda involuntária dos imperialistas.

Com suas medidas de agressão os imperialistas nos ajudaram em certas coisas, como foi o fato de tirar-nos a cuota açucareira com o fim de levar-nos à ruína, essa medida se converteu em um bumerangue contra eles.

Que ocorreu quando eles nos tiraram a cuota? Cuba necessitou novos mercados. A União Soviética e todo o bloco socialista (APLAUSOS) resolveram comprar nosso açúcar; quer dizer, um novo mercado se abriu, um novo mercado se abriu.

É claro que antes que os imperialistas nos tirassem a cuota, já Cuba tinha vendido um milhão de toneladas à URSS, em virtude de um convênio. Mas quando eles nos tiraram a cuota, então a União Soviética propôs comprar as quantidades de açúcar que os norte-americanos não nos compravam.  Resultado: esse açúcar foi para um novo mercado e os imperialistas saíram a comprar açúcar ao Mercado Mundial; mas como naquele tempo o Mercado Mundial tinha um preço mais baixo, eles tentaram obter esses benefícios. Mas, que ocorreu? O que não tinham calculado: dois anos depois o açúcar começou a subir e a subir e a subir e o açúcar, neste momento, está acima de dez centavos (APLAUSOS).

E no ano passado os imperialistas tiveram que gastar 400 milhões de dólares mais que se nos tivessem comprado nosso açúcar; e neste ano de 400 a 500.  Mas há algo mais: estão fazendo truques, estão fazendo “tramoias”. Recentemente, eles tinham que anunciar as quantidades de açúcar que iam comprar, mas como o preço estava muito alto, disseram uma mentira:  publicaram um programa com 600 mil toneladas menos das que realmente necessitam. Para que? Para tentar fazer cair os preços.

Há algo mais: anunciaram uma produção de açúcar interna acima da que têm para tentar fazer cair os preços. Nós ficamos de boca calada, porque realmente nós não andamos com política especulativa; nós teríamos estado e estamos dispostos a comerciar com qualquer país, em longo prazo, e sobre preços muito abaixo de dez; estamos dispostos. Nós não queremos basear nossa economia nos princípios especulativos dos capitalistas. Se o açúcar está pelas nuvens, o preço, e também o açúcar naturalmente, nós não somos os culpados, a culpa é dos imperialistas. Se muitos países tiveram que pagar o açúcar mais caro, nós não temos a culpa, a culpa é dos imperialistas; porque eles são os que têm criado essa situação.

Mas, de todas as formas, os países produtores de açúcar, muitos dos quais são países de economia não desenvolvida, têm recebido melhores preços; ficamos contentes com isso, estamos contentes de que tenham recebido melhores preços. Sentir alegria com isso é uma coisa, e dizer que nós vamos abrir mão do nosso mercado, para o benefício daqueles que quiseram se apoderar de nosso mercado nas condições do bloqueio imperialista; ah, isso não! Porque já nós dissemos o açúcar que íamos produzir para o ano 1970 e já dissemos que estávamos determinados em vendê-lo ao preço que fosse necessário, para essa data e recuperar nosso mercado. E já dissemos bem claramente: a natureza dotou ao nosso país de condições excepcionais para produzir açúcar, mais barato que nenhum outro país do mundo. E essas condições são da natureza, essa é nossa terra; não temos outras coisas, mas temos essa vantagem. E com essa vantagem estamos dispostos a lutar, e com essa vantagem estamos dispostos a concorrer; sim, a concorrer com os concorrentes burgueses. Vamos ver quem pode mais: se a economia burguesa para produzir açúcar, ou a economia socialista para produzir açúcar (APLAUSOS).

E já nós temos proclamado que produziremos para 1970, dez milhões de toneladas de açúcar. Naturalmente que para essa data não haverá os preços que há agora, mas teremos muitas receitas porque haverá muito mais volume.

Mas os imperialistas têm prejudicado muitas nações com sua política respeito a Cuba, não pensem que só nos fizeram dano a nós, não, fizeram dano a muitos países. E o que é mais absurdo: fizeram dano a muitos países que são aliados seus. À parte de que a política imperialista de bloqueio comercial entranha uma posição odiosa, uma posição repudiada no mundo todo, uma posição que é contra a liberdade de comércio, que é um princípio defendido por todos os Estados: tanto socialistas quanto capitalistas; se pode dizer que a liberdade de comércio, por ser de conveniência universal, também é um princípio universalmente defendido por todas as nações, menos pelos imperialistas ianques.

Mas é que atrás dessas posições se esconden também outras coisas: o desejo imperialista de defender seus interesses, de defender suas linhas navieiras, de defender suas linhas de navios, de deslocar da navegação os navios da Noruega, da Inglaterra, da França, da Espanha, do Japão, da Suécia, da Grécia e de outros países. Porque há mais de meia dúzia de países que recebem grandes receitas pelo transporte naval e os imperialistas têm estado conspirando contra os interesses desses países, e ao mesmo tempo estiveram defendendo os interesses de sua própria frota.

E assim, tenho outra notícia, vejam, por exemplo:

“Onze países têm protestado em grupo contra as tentativas do governo norte-americano de controlar em seu benefício, e sob ameaça de retaliação, as tarifas dos fretes marítimos. Em nome dos governos da Inglaterra, França, República Federal da Alemanha, Itália, Japão, Bélgica, Holanda, Grécia, Noruega, Dinamarca e Suécia, o embaixador holandês neste país foi pessoalmente ao Departamento de Estado, e fez entrega formal do protesto. A imprensa norte-americana assinala que o protesto dos 11 países é devido às tentativas da Comissão Federal da Frota Mercante Norte-americana de exigir a companhias navieiras desses países, documentos relativos às suas operações.

“Por seu lado, um porta-voz do Departamento de Estado confirmou que o governo tinha recebido a nota em questão, mas se recusou a explicar à imprensa o texto da mesma”.

Quer dizer que isso faz parte de uma política. Assumem a questão de Cuba como pretexto para substituir as linhas navieiras desses países, por seus próprios navios no comércio entre esses países e os Estados Unidos. Porém, ademais, agora mesmo com motivo da venda de trigo à União Soviética, a dificuldade principal tem sido que o Governo dos Estados Unidos tentou proteger suas próprias linhas de navios. E naturalmente os países navieiros protestaram por esses privilégios que tentam obter para eles os Estados Unidos, tendo em conta, aliás, que os fretes que cobram os navios norte-americanos são mais altos e que essas linhas estão subsidiadas pelo Governo dos Estados Unidos. Qual é o único país no mundo que aplica essa política?  Estados Unidos, o único país. Que país aplica uma política internacional realmente idiota? Os Estados Unidos.

Há coisas que são muito claras, por exemplo: os Estados Unidos pretendem isolar economicamente o bloco socialista, pretendem isolar economicamente a República Popular da China, pretendem isolar economicamente Cuba; quer dizer, pretendem isolar a mais de um bilhão de pessoas. Que ocorreu? Porque essa é uma política estúpida que vai contra os interesses dos próprios Estados Unidos. Que ocorreu? Que outros países capitalistas compram e vendem ao bloco socialista, compram e vendem à China e compram e vendem a Cuba. Resultado: enquanto as reservas de ouro de diferentes países capitalistas crescem e sua indústria se desenvolve, as reservas de ouro dos Estados Unidos decrescem e a maior dor de cabeça que têm os imperialistas agora é a diminuição paulatina de suas reservas de ouro. Eles dizem que adotam essas medidas para defender sua segurança e isso é o que dizem ao povo norte-americano e realmente o que fazem é enfraquecer sua própria segurança, até inclusive isso, não só sua economia, porque na mesma medida em que suas reservas de ouro diminuírem, eles serão mais fracos no mundo.

Mas não só isso, da mesma forma em que diminuem suas reservas de ouro, consequência de sua política de estúpidos, consequência de sua política bélica, consequência de sua política de bases militares, têm que estar estrangulando a economia de muitos países e tirando-lhes o ouro. Por exemplo, temos o caso do Japão. Japão gasta dois bilhões de dólares nos Estados Unidos e Estados Unidos somente compra um bilhão de dólares aproximadamente ao Japão. Quer dizer, que muitos países na América Latina, na Ásia, têm que estar recolhendo dólares para enviá-los para os Estados Unidos e isso prejudica estes países. E quando países como o Japão e outros têm que enviar tantas divisas para os Estados Unidos, prejudicam seu comércio com outros países do mundo, porque naturalmente se um país recolhe aqui para pagar lá se torna muito mais difícil o comércio do que se compra ali e vende ali. Quer dizer, vende, recolhe divisas, compra e entrega divisas. Porque por nossa própria experiência nós vemos como se facilita o comércio quando trata de ser um comércio balanceado. Por exemplo, o Japão precisa do açúcar, nos compra, mas nós não recolhemos as divisas do Japão para mandá-las a outros países, não. Nós tentamos gastar no Japão o que o Japão nos compra, tentamos gastar na Inglaterra o que a Inglaterra nos compra, tentamos gastar na Espanha o que a Espanha nos compra (APLAUSOS).

E assim Cuba, a partir do momento em que pratica o comércio livre, a partir do momento em que Cuba se livrou do Fundo Monetário Internacional, é um país que tem facilidades para comerciar com todos os países do mundo. Os imperialistas não querem que esses países comerciem conosco e tentam pressioná-los, mas esses países, esses povos têm interesses que não são os interesses dos monopólios norte-americanos. Esses países precisam de nossos produtos e, ao mesmo tempo, necessitam mercados para seus produtos, não estão dispostos a deixar-se arrastrar pelas pressões imperialistas.

E por isso, cada dia, a política dos Estados Unidos respeito a Cuba está mais fracassada. Cada dia suas pressões têm menos eficácia e cada vez se desenvolve mais nosso comércio.

Mas, o que fazem os imperialistas quando um país comercia conosco? Aqui tenho outra informação, diz: “Os Estados Unidos têm dito à Espanha que seu crescente comércio e transporte com Cuba pode pôr em perigo a ajuda que recebe dos Estados Unidos. Em uma declaração cuidadamente redigida...” Já vocês sabem como redige este pessoal: não, que a vírgula vai aqui, o ponto cá e o ponto e vírgula mais para lá, mas no fundo diz o mesmo, é uma chantagem, é uma ameaça, é uma pressão e isso, por muito cuidadamente que o redijam não o podem ocultar. Então diz: “Em uma declaração cuidadamente redigida, o Departamento do Estado informou nesta noite que o problema esta sendo discutido com o Governo da Espanha em Madri. O Departamento de Estado disse que duas cláusulas da lei estão envolvidas no problema. Uma está incluída na Lei de Ajuda ao Exterior, aprovada no ano passado e a outra na Lei de Ajuda ao Exterior que o Congresso aprovou nesta semana”.

Em duas palavras: quando um país comercia com Cuba o ameaçam, o querem chantagear, ameaçam-no com retirar essa ajuda. Que tipo de ajuda é essa e que tipo de amigos são esses, os imperialistas, que tipo de chantajistas? Porque nenhum país tolera que lhe imponham proibições desse tipo e nenhum país que respeite a soberania dos demais países faz proibições desse tipo. Seria o cúmulo que nós fóssemos dizer a qualquer país: “Não lhe compro, não lhe vendo se compra ou se vende ali”; diriam: estão doidos. Mas, por que não têm dito ainda que os imperialistas estão doidos? Porque os imperialistas tinham muitos recursos, porque os imperialistas tinham muita força, mas como essas forças e esses recursos correlativamente são cada vez menores, em breve, muitas pessoas começarão a dar por elas que os imperialistas ianques são doidos e são loucos e vão perguntar por quê fazem estas coisas (APLAUSOS).

Tentam aplicar uma política de isolamento. Claro que podiam fazer isso quando era um só país. Quando são muitos países, quando cada vez são mais países, essa política é mais difícil, porque o resultado é que no fim, eles são os que ficarão isolados.

E vão ficar isolados, porque nosso país estabelece seu comércio com outros países capitalistas, que depois não precisam do comércio com os Estados Unidos. A nós cada vez nos interessa menos o comércio dos Estados Unidos. Por quê? Porque buscamos outros mercados, porque buscamos outros compradores e, ainda, compramos produtos em outros países. Em longo prazo, o que os imperialistas conseguem com isso é perder grandes mercados; estão cavando sua própria sepultura com essa política.

E com certeza. Qual é o resultado? Aqui temos. Estamos mortos de fome?  (EXCLAMAÇÕES DE: “Não!”) Está mais fraca a Revolução? (EXCLAMAÇÕES DE: “Não!”, Não!) E como anda nossa economia? (EXCLAMAÇÕES DE: Bem!”) Nossa economia vai melhorando. É preciso deixar que eles continuem tendo ilusões. A gente lê uma informação de uma agência de notícias ianque e diz horrores, que aqui todo mundo está morrendo de fome. É preciso deixar que eles continuem curtindo esse sonho. Se pensam que assim nos vão derrotar, muito bem!  Afinal, eu não sei o que está acontecendo com esse pessoal, está idiotizado.

Que acontece?  Eu lhes vou dizer qual é nossa situação. Nossa situação econômica está melhorando extraordinariamente. Mas vou dar a vocês alguns dados nada mais, alguma ideia, a siguiente: quando a Revolução galgou o poder tinha menos de 70 milhões nas reservas, uns 70 milhões; neste momento nossa reserva de divisas está acima de 100 milhões (APLAUSOS). Há algo mais. O ano 1963 foi melhor que 1962, certo? (EXCLAMAÇÕES DE: “Sim!”) Contudo, no ano 1964 o valor das nossas exportações será de pelo menos 200 milhões de pesos superior ao de 1963 (APLAUSOS). O valor de nossas exportações em 1964 será de mais de 750 milhões de pesos (APLAUSOS). Pelo menos 200 mais do que em 1963. Para ter uma ideia do que é que significa isso, basta dizer que, por exemplo, alguns países grandes da América Latina, como o Brasil, terão uma exportação somente algo superior a essa. É claro que eles têm uma economia mais desenvolvida, é claro que têm mais indústrias, mas de qualquer maneira nosso país, com uma população de algo mais de sete milhões de habitantes, exportará acima de 750 milhões de pesos.

Eis o bloqueio imperialista, que fracasso, que ridículo, que inútil! Quantos inimigos arranjaram os Estados Unidos e em longo prazo, nós temos conseguido resolver e vencer essas dificuldades, quanto nós temos ganhado em organização, em interesse, em empenho, quanto se tem fortalecido o espírito deste país como consequência desse bloqueio. E vejam vocês como já a distribuição, os fornecimentos, tudo esteve muito melhor em 1963 do que em 1962. Vejam vocês, apesar do furacão, apesar dos danos do furacão, as perspectivas que nosso país tem para o próximo ano. Qual não será a situação futura quando toda esta organização que se vai adquirindo, quando toda a experiência que se vai adquirindo seja posta em ação, quando melhoremos a qualidade de nosso trabalho, quando formos aprendendo a aplicar a técnica, a aplicar a técnica na produção.

Fizeram muito bem os companheiros de nossas organizações juvenis, da União dos Jovens Comunistas, e dos estudantes ao trazerem essa tocha, essa tocha que simboliza a revolução técnica. Porque nós temos que fazer a revolução técnica; nós temos que dar cabo das enxadas no trabalho da cana. Já acabou a “bajulação” na política, então vamos dar cabo das enxadas na agricultura agora.

Um homem com uma enxada é um homem pré-histórico no tocante à produção. Um homem com um facãozinho cortando ervas é um homem pré-histórico. É lógico que sob o capitalismo ocorresse isso porque os capitalistas não tinham mercados, os imperialistas não os deixavam ter mercado, nem para o açúcar, nem para a carne. Não! Por isso, caso implantarem a mecanização, a população morria de fome e tinham que estar com uma enxada e tinham que estar com um facão, sua produção era mínima. Um homem com uma gadanha produz para ele e sua família e se acaso para uns quantos mais; um homem com uma ceifeira moderna pode produzir carne para 300, para 500 pessoas, pode produzir leite para centenas de pessoas, pode produzir muita mais cana, pode produzir muito mais açúcar. Nós temos que erradicar nossos métodos pré-históricos e primitivos de produção e substituí-los por métodos modernos, científicos e técnicos; vamos a isso.

Temos que mecanizar toda nossa agricultura; temos que tecnificar toda nossa agricultura (APLAUSOS). E temos que tecnificar também nossa indústria no grau em que seja possível, porque isso é o que fará aumentar a produção por homem e por hora, e isso é o que elevará o padrão de vida de nosso povo.

Mas, afortunadamente, a Revolução já hoje não tem que lançar mão da palavra nem fazer promessas; a Revolução vem com fatos: nós dissemos, na altura do furacão que tamanho prejuízo causou ao país, que no dia 15 de dezembro estariam estabelecidos de novo os níveis de abastecimentos, e se tem feito; e neste fin de ano houve incomparavelmente mais produtos para o consumo do povo do que em anos anteriores (APLAUSOS).

Vou dizer-lhes algo mais: até agora se produziu um processo inflacionário, já no próximo ano será ao avesso: já não aumentará o dinheiro em circulação, já começará a recolher-se dinheiro da circulação e não haverá novas emissões em 1964, pelo contrário, o Banco Nacional pensa que serão retirados da circulação uns 70 milhões de pesos. Quer dizer, que nossa economia vai melhorando extraordinariamente. E esse é o caminho pelo qual se irão acabando as filas, esse é o caminho pelo qual irá melhorando nosso padrão de vida.

Que país da América Latina tem essa situação econômica? A maior parte dos países da América Latina está em meio de tamanha inflação, insolúvel; e Cuba começa o caminho ao avesso: aumenta suas reservas, combate-se já a inflação, há um processo antiinflacionário. E assim, o que significa para nós ter mais reservas? Se este país fosse capitalista e burguês significaria que essas divisas seriam investidas em Cadillacs, em carros, em passeios por Miami, por Paris, e por todos os lados. O que significa o aumento das divisas sob o socialismo? Que isso não vai ser investido em luxo, isso vai ser investido em instrumentos de trabalho, em tratores, em maquinaria agrícola, em usinas, em matérias primas e nos artigos essenciais de consumo do povo, porque nunca esqueceremos o povo! (APLAUSOS), nunca esqueceremos o consumo do povo! (APLAUSOS.)

Essas divisas, uma parte para melhorar nossa economia, outra parte para investimentos para desenvolver nossa economia, parte para o consumo também do povo, porque o povo que trabalha, o povo que luta, o povo que constrói uma vida melhor para as gerações futuras, também tem direito — e as condições de Cuba permitem isso — a receber também parte do fruto de seu esforço, e a melhorar suas condições de vida.

E teremos muitas coisas das que necessitamos. Não seria lógico que nos puséssemos a comprar carros, preferimos que continuassem circulando calhambeques; será preciso trazer ônibus novos e vamos trazer ônibus novos para melhorar o transporte! (APLAUSOS); é preciso trazer trens novos, e vamos trazer trens novos para melhorar o transporte interprovincial!  (APLAUSOS); nossas linhas de aviação têm melhorado, vamos melhorar nossas linhas mercantes! Em vez de Cadillacs, em vez de passeios pelo estrangeiro, devemos investir esses recursos que obtivemos hoje, graças ao alto preço do açúcar, no melhoramento de nossa economia, em resolver problemas básicos, problemas fundamentais, não importa que não haja carros bonitos, nem flamantes! Não! Mas que haja locomotivas para nosso transporte ferroviário, que haja trens de passageiros, que haja ônibus para o transporte do povo, porque o povo nunca teve aqui carros, a grande massa do povo (APLAUSOS). Que haja transporte para nossas mercadorias, e assim poder romper o bloqueio ianque, que haja navios de pesca, para que aumente o consumo de proteínas e de nutrientes no povo, para que produzamos dezenas de milhares de toneladas de atum, de que o povo tanto gosta, e de outras muitas espécies de peixes (APLAUSOS) — não quero falar da merluza porque houve muita e foi distribuída muitas vezes, ao ponto de que as pessoas ficaram um pouco aborrecidas, apesar de a merluza ser um peixe fino e muito estimado em todos os lados do mundo.

Bem. Essas divisas, em que é preciso investi-las? Nisso; em carros não, está certo? (EXCLAMAÇÕES DE: “Não!”) Será preciso ir comprando alguns carrinhos para o transporte de aluguel também, com seu taxímetro e tudo; teremos que ir tendo em conta tudo isso. E para que milhares de pessoas que trabalham e que estão vendo que os carros vão envelhecendo, possam, futuramente, trabalhar nessa linha de carros de aluguel com menos preocupações que as que têm hoje, porque definitivamente em nosso país há oportunidades para todos, inclusive para esses próprios motoristas que muitas vezes foram alvo de nossas críticas, mas que eu penso que têm vindo a melhorar ultimamente, certo? (EXCLAMAÇÕES) Tudo bem. Mas que poderão trabalhar nisso, e o povo, assim que tivermos carros de aluguel com seus taxímetros... Em um dia em que um homem do povo esteja com pressa e pegue um carro desses, saberá o que lhe vai custar, porque terá um aparelho marcando ali e não haverá truques.

E faremos empresas estatais e trabalharão com uma boa remuneração ali, esses mesmos motoristas, cujos carros já tenham ficado velhos, velhos demais. Não vou dizer que vamos investir as divisas em comprar carros para entregá-los a ninguém, e que depois não haja quem controle o que se cobra aos trabalhadores; mas há oportunidades também para esse setor dos trabalhadores, esses são trabalhadores autônomos.

Pois em todas essas coisas temos que ir pensando; em todas estamos pensando. E, realmente, iniciamos uma etapa de progresso, de melhoramento, e já se começam a ver os resultados por todos os lados. E, ano após ano, se perceberão esses resultados, e se verá o que é a força organizada do povo produzindo e trabalhando, e se verá o que significará essa injeção de técnicos, de líderes que nós estamos formando em nossas universidades e em nossas escolas tecnológicas.

Este é o panorama de Cuba! Este é o panorama de Cuba, senhores visitantes! Esta não é a Cuba que descrevem as notícias das agências imperialistas, esta é a Cuba real, a Cuba otimista, a Cuba que apoia sua Revolução (APLAUSOS), a Cuba cujo entusiasmo não esmorece nunca, e a Cuba que confia em seu porvir, a Cuba que anseia por um porvir de paz, e a Cuba que tem direito a ser respeitada em paz!

Por isso, podemos dizer que as perspectivas são realmente boas, e que o Ano da Economia se augura com os maiores sucessos. Quais são as perspectivas de paz de nosso país? Bem: no mundo há, neste momento, uma corrente universal de paz, uma ânsia universal de paz, uma corrente universal de otimismo, porque a humanidade sabe que a paz significa bem-estar, que a paz significa desenvolvimento, melhoramento da economia e progresso para os povos.

Para os países socialistas mais do que para ninguém, porque nos países socialistas não existem contradições internas, não temos contradições em nossa economia, não temos crises de superprodução, porque a economia se desenvolve conforme planos; mas a paz para os capitalistas significa mais mercado, significa mais oportunidades de comerciar, menos possibilidades de crise e mais comércio. Quer dizer, a paz, a coexistência pacífica, é um benefício tanto para os países do bloco socialista como para os países do bloco capitalista.

Que é que disse nestes dias o novo presidente dos Estados Unidos? Trago outra notícia, diz: “O presidente Lyndon B. Johnson exortou hoje o mundo a falar menos e fazer mais a favor da paz. Anunciou que em 1964 desenvolverá uma ofensiva inflexível a favor da paz e melhorar as relações com a União Soviética. Pessoas achegadas ao chefe de Estado indicaram que Johnson estima que os Estados Unidos não possam esperar todo um ano, até as próximas eleições, antes de exercer máxima pressão a favor da paz. Johnson e o primeiro-ministro soviético, Nikita Jruschev, trocaram hoje promessas mútuas, que se esforçarão por melhorar as relações em 1964. Na Casa Branca do Texas recebeu-se ontem a mensagem do líder soviético, que expressa a esperança de que o ano 1964 será caraterizado por progressos adicionais e significativos, a solução de importantes problemas internacionais e o melhoramento das relações entre nossos países, em interesse dos povos soviético e norte-americano e os interesses do fortalecimento da paz mundial”.

Em sua resposta, o presidente norte-americano disse que “já passou o tempo de limitar-se a falar da paz; 1964 deverá ser um ano no qual se adotarão medidas com vista a conseguir esse objetivo; os esforços dos químicos nos laboratórios, dos cientistas no espaço e dos agrônomos no campo, serão em vão, a menos que aprendamos viver juntos em paz”, disse. “Nenhuma realização da ciência física poderá comparar-se à que se obtiver no campo da ciência política, e que dê à terra uma paz justa.” E continuou: “o povo norte-americano e seu governo têm fixado o fortalecimento da paz como seu objetivo mais alto do novo ano; eu pessoalmente estou totalmente comprometido a procurar uma melhor compreensão entre os povos de todas as partes. Paz na Terra, boa vontade para os homens, não tem por que ser uma mera ilusão, podemos convertê-la em realidade”.

A mensagem de Johnson, que também é encaminhada ao presidente soviético, Leonid Brezhnev termina sublinhando: “em nossas mãos têm sido depositados os destinos da paz e a esperança de milhões. Tenho a fervorosa esperança de que seremos bons custódios desse depósito”.

Certamente que esta é uma declaração de paz. Poderia chamar-se uma declaração alentadora de paz, mas nós temos nossas reservas, infelizmente temos que pôr no meio um “mas”.  Tomara que não tivéssemos razão para pôr aí no meio um “mas”. E Johnson nos fala nesta mensagem que ele está comprometido a procurar melhor compreensão entre os povos de todas as partes. Bem, nós e o povo norte-americano somos povos de todas as partes também (APLAUSOS). Diz que é necessário que aprendamos a viver juntos em paz, e diz que está na hora de falar menos e fazer mais a favor da paz. Bem, mas faz apenas uns dias, nas vésperas de 24 de dezembro, agentes da CIA fizeram derramar criminalmente sangue cubano, agentes da CIA, operando a partir da Flórida.

E algo mais, nós sabemos que os mesmos elementos que participaram das operações do “Rex” foram os que colocaram uma bomba submarina no casco de um de nossos navios de guerra. E não só isso, colocaram-na com uma armadilha; tentaram provocar uma chacina parecida com a de “La Coubre”. Quer dizer, primeiro provocaram uma pequena explosão — a bomba, que tinhan colocado ao amparo da noite e utilizando meios submarinos, a colocaram de maneira que primeiro produzisse uma pequena explosão, e minutos depois, quando se concentrasse o pessoal para ver o que tinha ocorrido, uma grande explosão. E custou a vida de três companheiros da Marinha de Guerra Revolucionária e custou sangue também de 17 companheiros que foram feridos. Esse foi um ataque criminal, um ataque covarde e um ataque injustificado. Esse foi o presente de Natal da CIA, esse foi o presente de Natal dos Estados Unidos ao povo cubano, sangue de jovens cubanos criminal, traiçoeira e covardemente derramada. E já que a CIA não age por conta própria, pois a CIA age por conta dos Estados Unidos, nós temos direito a dizer que o presidente Johnson é o responsável pelo sangue que se derramou ali de nossos companheiros jovens (APLAUSOS).

E, portanto, nós temos direito a dizer-lhe que está na hora de falar menos e fazer mais pela paz, porque com esses fatos não se propugna a paz, com essas violações das leis internacionais não se propugna a paz, com esses fatos sangrentos não se propugna a paz, esses são fatos envergonhantes e covardes; que nos dói o sangue que se perde, mas que desprestigiam e desacreditam os Estados Unidos, que não lhe dão nenhum prestígio e não lhe dão nenhuma glória.

Queremos paz, ansiamos pela paz; paz aqui em Cuba e paz também no Vietnã do Sul (APLAUSOS), onde 15 mil militares ianques, onde milhares e milhares de mercenários ianques bombardeam ali a população vietnamita, assassinam camponeses, trabalhadores e patriotas vietnamitas. E que é que fazem lá os soldados do imperialismo ianque, travando essa guerra covarde, essa guerra estúpida, essa guerra criminosa? Que não haja um só povo excluído do direito da paz; que esse direito à paz, tão almejado por todas as nações, tão legitimamente proclamado e pelo qual com tamanha decisão se luta, que não seja negado para nenhuma nação nem para nenhum povo do mundo. Porque se os imperialistas ianques pensam que pode haver paz agredindo países pequenos, derramando sangue cubano, sangue de outros povos, isso não é um conceito pacífico; intrometendo-se nos assuntos internos de outros países, porque deve ser cada país quem determinar livremente e por ele mesmo seu próprio destino, livremente e ele mesmo seus próprios caminhos. Essa é a condição indispensável da paz universal.

Tomara que os dirigentes dos Estados Unidos compreendessem os erros e a estupidez de sua política. Tomara que aderissem deveras à luta pela paz, cujos porta-bandeiras têm sido os países do bloco socialista (APLAUSOS), e que hoje é um sentimento que tem apoio universal em todos os lados, inclusive dentro dos Estados Unidos. A política de força, a guerra fria, a belicosidade, o guerreirismo, estão cada vez mais desacreditados, estão cada vez mais desprestigiados. Nosso país anseia viver em paz e nosso país pode viver em paz com todos os demais países, por quê? Porque nós não temos que tirar nada a ninguém, nós não temos que interferir na vida de ninguém, nós temos uma tarefa, um desejo, um direito: trabalhar, progredir, fazer marchar adiante nosso país; não temos que interferir no comércio de nenhum país, não temos que criar dificuldades a nenhum país. Em seu trato conosco todos os países se podem beneficiar, todos os países nos podem vender, a todos os países podemos comprar e podemos vender. Não praticamos discriminação contra ninguém, não excluímos ninguém, nosso comércio está aberto por igual para todos os países, comerciamos com todos os países irmãos do bloco socialista e estamos dispostos a comerciar em condições de recíproco benefício com todos os países também do bloco capitalista, inclusive com os Estados Unidos (APLAUSOS).

Eles pensam que nos fazem um terrível dano ao não comerciarem conosco, e se enganam, os fatos nos estão dando a razão, suas agressões econômicas são um bumerangue que se virou contra eles. Nós não imploramos o comércio com eles, não poderiam vir com essa moeda tentar comprar a nossa Revolução. Se um dia querem normalizar suas relações conosco, terá que ser sobre a base do mais estrito e cabal respeito à nossa soberania e ao nosso sistema econômico, social e político (APLAUSOS). Jamais faremos concessões ideológicas e nossa postura será marxista-leninista intransigentemente (APLAUSOS).

Contudo, isso não é obstáculo para que possamos viver em paz, seria absurdo que nós disséssemos aos norte-americanos que se querem comerciar e ter boas relações conosco abram mão da sua filosofia burguesa, e que ponhamos como condição que abram mão da sua filosofia burguesa, e que lhes ponhamos condições do que têm que fazer eles ali, isso seria tão ridículo que ninguém poderia ter essa ideia. Bem, pois que eles tampouco nos proponham essa ideia, porque também é muito ridícula (APLAUSOS).

Eles falam de que o marxismo, que não é tolerável, que não é admissível, e quem são eles para dizer como tem que ser governado cada um dos países? Quem são eles para ditar leis dentro das fronteiras de outros países? Nosso direito, tal como o direito de qualquer país da América Latina, é e deve ser sempre escolher o sistema de governo que estimarmos pertinente (APLAUSOS). Se um país não quer fazer a revolução, que não a faça, isso é coisa desse país; se a quer fazer, que a faça, esse é um direito desse país, é um direito de cada país.

E sobre a base de um respeito estrito à soberania de cada país, nós podemos viver perfeitamente em paz com todos os países deste continente; sobre a base de uma política de normas, nós podemos viver perfeitamente em paz com todos os países deste continente. O que não aceitamos são “leis do funil”, como a que querem estabelecer contra nós; o que não aceitamos é que tanto proclamem...

Estes senhores nos estão acusando de interferir nos assuntos internos de outros países, quando são eles os que têm estado descaradamente interferindo, durante cinco anos, nos assuntos internos de Cuba e cometendo todo o tipo de malfeitorias e de ataques. E o quê? Que pensam? Ah! Vão consagrar todos os crimes dos Estados Unidos contra nós? Os governos da América Latina não poderão fazer isso, os governos da América Latina não se podem tornar surdos, não podem fazer ouvidos de mercador à realidade das desvergonhas e dos crimes que os imperialistas cometem contra a nossa pátria (APLAUSOS) e condenar Cuba porque assim convém ao imperialismo ianque, sempre que o imperialismo ianque sinta desejos. Cada país da América Latina é livre de fazer o que estimar pertinente, cada país da América saberá quais são seus interesses. Mas é bom advertir aos povos da América Latina e aos governos, que a Cuba, que à Revolução Cubana têm muito que agradecer. Porque se a muitos governos não os trata hoje o imperialismo como cachorros — ainda que, de vez em quando, dão um bom pontapé a qualquer governo da América Latina — se deve à Revolução Cubana. Se hoje os povos da América Latina têm esperança de exigir aos imperialistas que paguem melhor preço por seus produtos, se têm esperança de que os imperialistas lhes emprestem um pouco de dinheiro, isso é devido à Revolução Cubana. Se a Revolução Cubana fosse esmagada pelos imperialistas, no dia seguinte vão dar pontapés à economia e aos interesses de todos os povos da América Latina (APLAUSOS).

Os governos da América Latina devem compreender que conspirar contra a Revolução é conspirar contra seus interesses e conspirar contra seus povos.  Os governos da América Latina devem compreender que, na mesma medida em que ajudaram os imperialistas contra Cuba, estariam cavando sua própria sepultura, e que no dia em que a Revolução Cubana não existir, acabou o susto dos imperialistas, acabou o medo dos imperialistas. E adeus aos quatro centavinhos que lhes estão mandando para fazer algum caminho, alguma escola e algum hospitalzinho, porque então nem esses quatro centavinhos vão receber; e nem a esperança de obter melhores preços para seus produtos.

A presença da Revolução Cubana, assustando os imperialistas e tirando o sono aos imperialistas, tem sido uma das coisas mais benéficas para os povos da América Latina, ainda que não tenha ocorrido ali nenhuma revolução. E por isso, fazer o jogo aos imperialistas é algo estúpido.

Muitos governos da América Latina que são inteligentes, que estão mais de acordo com os sentimentos de seus povos, vários países, tiveram uma postura de resistência e de firmeza frente a essas pressões imperialistas. Não tiveram a posição desses governos fantoches e desses governos lacaios, que não fazem mais do que receber ordens de Washington, e que a cada certo tempo os tiram, tiram um e põem outro; que é o que aconteceu a todos esses:  Ydígoras, Villeda Morales, Frondizi. Perde-se a conta de... (EXCLAMAÇÕES DE: “Rómulo!”). Esse é um cadáver político, esse senhor do qual vocês estão falando aí; mas é um problema do povo venezuelano, não é um problema nosso. Agora: nós conhecemos os povos e sabemos que o povo da Venezuela é um povo heróico, lutador, tenaz (APLAUSOS).

E por que se revolta o povo da Venezuela contra os imperialistas? Porque o estão saqueando. Porque a Venezuela poderia ser o país mais rico do mundo, e o padrão mais alto do mundo poderia ser o padrão do povo da Venezuela, pelos depósitos de petróleo que tem. Quem leva tudo isto? Os imperialistas, as camadas militares, os políticos ladrões, os burgueses reacionários, os latifundiários, os comerciantes, os grandes comerciantes daquele país. Essa é a causa da revolta do povo venezuelano. Mas o povo da Venezuela tem direito a fazer sua revolução.

Nós não temos direito de intervir nos assuntos internos da Venezuela, mas os imperialistas tampouco têm direito de intervir nos assuntos internos da Venezuela e enviar armas à Venezuela para assassinar patriotas venezuelanos (APLAUSOS). Nós não temos direito de enviar armas à Guatemala ou a qualquer outro país, mas os imperialistas não têm direito a estar enviando armas e querer fazer nesses países o que estão fazendo no Vietnã; os imperialistas dos Estados Unidos não têm direito de nenhuma classe a realizar esse tipo de violações à soberania dos demais países.

Nós, sobre a base de uma política de normas, de respeito irrestrito à soberania de todos os países, por parte de todos os países, podemos viver em perfeita e absoluta paz com qualquer país e com qualquer governo da América Latina, e com os próprios Estados Unidos, independentemente do regime social que existir nesses países.

Os imperialistas dizem que nós nacionalizamos suas empresas, e o que lhes preocupa não é que tenham sido nacionalizadas — porque, claro, já estão nacionalizando mais de uma empresa deles por aí — mas que nós paguemos.  Bem: Preocupa-lhes isso de nós? Nós também estamos dispostos a pagá-las; mas se eles querem que as paguemos, então que comerciem conosco.

Agora: que não pensem realmente que lhes estamos suplicando comerciar com eles. Nós temos exposto que estamos dispostos a pagar indenização sobre determinadas bases: se se normalizam as relações comerciais conosco.  Agora: Acaso pensam que não vamos viver se não as normalizam? Não!

Estão enganados! Não querem normalizar as relações? Que não as normalizem; não lhes pagamos mais nunca nem meio centavo por todas essas empresas! (APLAUSOS).

E aqui estaremos felizes da vida. Se for necessário nossos netos discutirão com os netos dos atuais dirigentes dos Estados Unidos, da atual geração dos Estados Unidos. Não há pressa.

Vejam: vou dizer-lhes com muita sinceridade o que eu dizia a um jornalista francês. Nós somos revolucionários; e o perigo e o risco não nos preocupam.  Os revolucionários preferimos, por causa do nosso temperamento, — se assim for — a vida de risco à vida tranquila e sem problemas. Nós defendemos a política de paz por uma questão de princípios, porque a paz é uma aspiração justa de toda a humanidade; por uma posição de princípios, e porque interessa a toda a humanidade. Nosso temperamento de revolucionários se sente maravilhosamente bem no rio turbulento das situações agitadas (APLAUSOS).  Se os imperialistas querem manter indefinidamente esta situação de agitação, nessa água nadamos nós maravilhosamente bem, porque é a água própria do revolucionário!  (APLAUSOS).

E nós temos chegado ao poder porque temos temperamento revolucionário, e estamos fazendo a Revolução porque temos vocação e temperamento revolucionários. Não temos perdido o temperamento ao chegarmos ao governo nem muito menos; não temos perdido esse temperamento depois de cinco anos de poder. Tampouco somos dóceis.

Que os imperialistas não pensem que nós vamos ficar de braços cruzados enquanto eles fazem horrores contra nós. Porque tentaremos devolver-lhes golpe por golpe! (APLAUSOS.) E os imperialistas devem saber que todo o dano que nos tentem fazer a nós, nós o tentaremos fazer a eles (APLAUSOS).

Ora: nós não somos os culpados por essa situação, nós não somos os culpados por essa política. Eles são e são eles os que têm aplicado essa política contra nosso país. Eles são os que têm aplicado uma orgulhosa, altaneira e soberba política relativamente a Cuba, política ingloriosa, política fracassada, política pírrica, política ridícula, que não lhes custou mais que derrotas. E enquanto mais tentaram fazer-nos dano, mais mérito reuniu esta Revolução, mais glória terá esta Revolução, mais prestígio terá esta Revolução perante os olhos das gerações presentes e perante os olhos das gerações futuras!

Implorar-lhes que comerciem conosco? Não! Que restabeleçam as relações diplomáticas? Eu dizia a este jornalista: “Veja, por razões de princípios nos interessa simplesmente a paz; que se esqueçam de nós, e nós nos esquecemos deles. Nós não necessitamos do seu comércio hoje para viver, porque eles nos obrigaram a buscar outros mercados, porque hoje nós temos o mercado inesgotável e seguro do bloco socialista” (APLAUSOS). Nosso país não tem problemas no porvir; mercados ilimitados para seus produtos fundamentais. Tem recebido uma ajuda ilimitada por parte da União Soviética e dos demais países do bloco socialista nestes anos difíceis (APLAUSOS), ajuda à qual estaremos eternamente gratos, e que nessas provas, essas inúmeras provas que temos recebido os cubanos, nelas se baseiam os laços indestrutíveis da amizade entre nossos povos revolucionários (APLAUSOS).

Eu dizia ao jornalista francês: “veja, nós preferimos os Estados Unidos representado pelo embaixador suíço”, porque realmente o representa bem, e não anda com espionagem nem tem 200 espiões na embaixada. E as embaixadas dos Estados Unidos provocam dores de cabeça terríveis a qualquer. E lhe dizia: “veja, este é um país austero, onde os vícios foram sendo erradicados; aqui já não existe um cassino, aqui estão desaparecendo os prostíbulos, aqui não restam esses centros de vício todo aonde iam muitos turistas norte-americanos. O turismo pode significar uma fonte de ingressos, 50 milhões, 100 milhões; mas, sabe o que é para nós começar a ver pessoas com camisas de cores, bêbadas nas ruas, buscando prostíbulos, buscando salões de jogos? Repare, essa ajuda não nos interessa. Com nosso trabalho nós somos capazes de criar 100 milhões e muito mais que 100 milhões, sem necessidade de passar por essas provas humilhantes!” (APLAUSOS).

E digo isso com franqueza: o melhor seria que se esquecessem de nós, e nós deles. E se estivermos 20 anos sem cumprimentarmo-nos sequer, estaremos 20 anos sem cumprimentar-nos (APLAUSOS). Porque também o único que a nós realmente nos interessa, por uma questão de princípios, é a paz, que nos deixem em paz. Mas do resto, nem precisamos deles, por fortuna; e é uma grande sorte, uma grande sorte poder dizer que não precisamos deles absolutamente para nada, que não precisamos do seu comércio, nem precisamos das suas relações (APLAUSOS).

Se eles querem comerciar, comerciamos; não nos recusamos. Se querem estabelecer relações, deveras que nos vão dar muitas dores de cabeça, ora bem, estaríamos dispostos também a estabelecer relações. Mas, com certeza que não estamos fundamentalmente interessados nessas coisas. Portanto eles não têm que pôr cláusulas que não nos ajudem, ou nos ajudem... nós nem lhes pedimos, nem lhes temos pedido nunca, nem jamais lhes pediremos ajuda, jamais!  (APLAUSOS).

Se nós sabemos ajudar-nos, se nós podemos ajudar-nos trabalhando, estudando, aplicando a técnica, melhorando a organização, acaso temos necessidade dessas ajudas espúrias, qual é a necessidade que temos dessas ajudas chantagistas? Para que um dia comerciemos com a Guiana e digam: “atenção, se vocês comerciam com a Guiana lhes tiramos os cinco pesos que lhes estamos dando”. Senhores, e sentiríamos tamanha vergonha, e diríamos:  “Mas acaso nós não somos livres? Que é que acontece conosco?” É intolerável que digam isso a um país.

E aonde quer que os americanos vão com sua ajuda, mais tarde aparecem com essa chantagem e aparecem mais tarde com essas condições.

E com certeza que nós verdadeiramente estamos muito contentes. Acaso não estamos contentes sem essa ajuda? (EXCLAMAÇÕES UNÂNIMES DE: “Sim!”) Eu acho que não é um sentimento pessoal meu, é o sentimento de todo o povo.

Sentimo-nos muito contentes, muito satisfeitos do que somos capazes (GRANDES APLAUSOS). Nossa terra é rica, nosso povo é inteligente e entusiástico, nossos cidadãos vão adquirindo cada vez mais capacidade, nós temos amigos, nosso porvir é bom: Que nos importam os imperialistas? Não precisamos dos imperialistas e nos sentimos muito afortunados de não ter que precisar dos imperialistas!

Estamos dispostos a qualquer solução de paz, estamos dispostos a viver em paz com todos os povos do mundo; não pouparemos jamais nosso esforço na luta pela paz. Mas saibam os imperialistas que, às vezes, pretendem pensar que nós nos estamos afogando e que queremos que nos tirem do fundo do poço, queremos dizer aos imperialistas que quem está no fundo do poço não somos nós, são eles os que estão no poço! (APLAUSOS). E vejam se estamos melhor que eles, que enquanto nós neste ano temos mais divisas que no ano passado, eles têm menos; e têm um milhão de problemas dos quais nós nos temos livrado. E nós podemos avançar com uma economia que se desenvolve planificada e vigorosamente e construir o futuro que queiramos. E isso é o que nos que deve dar mais alento e mais alegria neste Quinto Aniversário: Que temos por diante o amanhã, que é nosso, porque temos ganhado esse direito ao amanhã, e esse direito o defendemos com essas armas que passaram por aí e com este povo que veio atrás das armas! (OVAÇÃO).

A Revolução é sólida, firme, está consolidada; já não é somente filha do entusiasmo, é filha da consciência, é filha do conhecimento, é filha da experiência que o povo tem vindo a adquirir. A Revolução Cubana não tem marcha à re possível; a Revolução Cubana é indestrutível, porque para destruí-la será preciso destruir o povo todo e um povo inteiro não se pode destruir hoje impunemente (APLAUSOS).

A Revolução Cubana marcha adiante. Surgiu em um minuto da história da humanidade em que os povos se liberam, surgiu em um dos minutos mais gloriosos e mais promissórios dos povos da humanidade, em que os povos avassalados por séculos na África, na Ásia, na América Latina, têm compreendido o direito e têm compreendido, sobretudo, a oportunidade de se independizarem, de serem livres, de deixarem de ser vassalos dos exploradores; nesse momento surgiu a Revolução Cubana, a Revolução que deu a nosso país nome, que o fez ser conhecido em todos os recantos do mundo, onde ainda pensavam que era um apêndice da Flórida, uma pequena ilha a mais da cordilheira de ilhotas que há ao sul dos Estados Unidos; é a Revolução que tem alentado esperanças, alento para centenas de milhões de oprimidos, amigos em todos os lados do mundo, emoções, simpatias; a Revolução que tem deixado os imperialistas sem sono; a Revolução que tem servido de exemplo tanto para os explorados como para os exploradores. Essa é nossa Revolução! Essa é a Revolução que hoje completa cinco anos, como completará cinquenta, como completará cem! (APLAUSOS), porque será um farol, uma tocha acesa na história de nossa pátria, um impulso que irão recolhendo as gerações vindouras, um começo para nossa pátria, porque outras gerações irão recolhendo esse impulso, irão recolhendo essa força, irão recolhendo essa tradição, e cada vez mais e mais avançará nosso país! Cada geração irá fazendo sua parte e cada parte dessa geração será brilhante.

Assim vemos, por exemplo, como a atual geração soviética foi capaz de conquistar o espaço cósmico (APLAUSOS) e tem realizado grandes façanhas na ciência e na técnica, como à geração anterior coube a glória da Revolução e sentar as bases para essas possibilidades.

O que farão as gerações vindoiras? O que farão os descendentes dos atuais cubanos? Talvez nossa imaginação não alcance sequer a imaginá-lo, não consiga vê-lo, mas conseguiremos compreender perfeitamente que estamos preparando o caminho desse futuro, que essa oportunidade a estamos lavrando hoje, e que sobre esse caminho, sobre essa rota que com nosso suor, com nosso sangue, com nosso entusiasmo estamos construindo, marchará o desfile das futuras gerações da pátria.

Por isso hoje, ao se completar este Quinto Aniversário, nós felicitamos o povo, felicitamos o povo por esta data, por este aniversário, pelo novo ano, porque quis o azar que ano novo e vida nova e Revolução nova viessem juntos ao mundo e juntos avancem no calendário (APLAUSOS).

Nossa gratidão a todos os que nos têm visitado, a todos os que se somaram ao entusiasmo do povo nestes dias.

Nossa boa hora ao povo, nossa felicitação, nosso desejo de que avance, de que marchemos todos por este caminho, e nossa convicção de que assim será.

Pátria ou Morte!

Venceremos!

(OVAÇÃO)