Discursos
Nosso povo heróico lutou durante 44 anos, de uma pequena ilha do Caribe, a poucas milhas da mais poderosa potência imperial que a humanidade conheceu. Assim escreveu uma página sem precedentes na história. O mundo nunca tinha visto luta tão desigual.
Os que acreditavam que a ascensão do império à condição de única superpotência, cujo poder militar e tecnológico não tem nenhum contrapeso no mundo, provocaria medo ou desalento no povo cubano não têm outra alternativa senão assombrar-se diante do valor potencializado desse povo valoroso. Num dia como hoje, data gloriosa dos trabalhadores, que comemora a morte dos cinco mártires de Chicago, declaro, em nome do milhão de cubanos aqui reunidos, que enfrentaremos todas as ameaças, não cederemos a nenhuma pressão, e que estamos dispostos a defender a Pátria e a Revolução, com as idéias e com as…
Nós não temos nem uma gota de arrependimento do que fizemos em nosso país e da forma como organizamos nossa sociedade (Aplausos). Tivemos a possibilidade de aprender muito sobre nossas possibilidades, e temos uma idéia de prioridades, porque é muito importante, para os que desejamos um mundo melhor, ter idéia das prioridades, das possibilidades, das realidades.
Parece algo irreal estar aqui, neste mesmo lugar, 50 anos depois dos acontecimentos que comemoramos hoje, ocorridos naquela manhã de 26 de julho de 1953. Eu tinha então 26 anos; hoje, já se passaram mais 50 anos de luta em minha vida.
Há apenas 30 anos, a humanidade não tinha a menor consciência da grande tragédia. Pensava-se, naquele momento, que o único perigo de extinção estava na cifra colossal de armas nucleares prontas para serem disparadas em questão de minutos. Sem que ameaças dessa índole tenham absolutamente cessado, um perigo adicional, aterrador e dantesco, espreita-a. Não vacilo em utilizar essa frase forte, que parece dramática. O verdadeiro drama está na ignorância desses riscos, em que estamos vivendo há tanto tempo.
O nome de Cuba passará à história pelo que fez e está fazendo pela humanidade, nos campos da educação, da cultura e da saúde, na época mais difícil que nossa espécie conheceu. Bloqueado nosso país pela única superpotência, e quase bloqueado pela Europa, as duas juntas não poderão derrotar a Revolução Cubana, entre outras razões, porque as duas juntas não têm nem terão jamais o capital humano, nem os valores morais para fazer o que a Cuba Socialista foi capaz.
Esse é o país que esse império monstruoso deseja destruir, deseja fazer desaparecer do mapa, porque este país, este povo, vocês, tornaram-se num exemplo para o resto dos países da América Latina, que vivem cada vez com mais pobreza, mais problemas e menos recursos para a educação e a saúde; e eles, que não querem que mude a vida de todos os países irmãos da América Latina e do Caribe, nem desejam que os governos desses países possam dizer Não a qualquer exigência do império, não desejam que exista Cuba como farol, como uma estrela.
Nossos objetivos nunca foram procurar glória, honras nem reconhecimentos individuais ou coletivos. Os que hoje ostentamos o legítimo direito de chamar-nos revolucionários cubanos vimo-nos obrigados, porém, a escrever o que tem resultado uma pagina sem precedentes na história. Insatisfeitos com a situação política e social do nosso país, estávamos simplesmente decididos a mudá-la. Não era uma questão nova em Cuba, tinha acontecido muitas vezes ao longo de quase um século.
A Revolução segue vitoriosa, com mais força política e êxitos que nunca. Tivemos provas recentes: as reuniões de Genebra em 15 e 22 de abril entrarão para a história da diplomacia revolucionária. Marcam o instante de um contundente golpe dado à grande hipocrisia, à permanente mentira e ao cinismo com que os donos do mundo pretendem preservar seu podre sistema de dominação política e econômica imposto à humanidade.
Já que o senhor decidiu que nossa sorte está lançada, tenho o prazer de despedir-me como os gladiadores romanos que iam lutar no circo: Ave, César, os que vão morrer te saúdam.
Apenas lamento que não poderia nem mesmo ver sua cara, porque, nesse caso, o senhor estará a milhares de quilômetros de distância, e eu estarei na primeira linha, para morrer combatendo em defesa de minha pátria.
Primeiro: A cumplicidade da União Européia com os crimes e agressões dos Estados Unidos contra Cuba, através de sua infame e hipócrita conduta em Genebra, e sua vergonhosa compreensão e conivência com a Lei Helms-Burton, de inaceitável e ignominioso caráter extraterritorial, tornam-na indigna de ser levada a sério por nosso povo.
Queridos compatriotas:
Duas novas infâmias do governo dos Estados Unidos – a inclusão de Cuba em outra das prepotentes listas dos que pretendem ser amos do mundo, introduzida em um informe do Departamento de Estado publicado em 14 de junho, no qual se acusa a nosso país de participar do tráfico de pessoas e se acrescenta a vil calúnia de promover o turismo sexual, e a proclamação, no dia 16, de cruéis medidas adicionais de bloqueio para asfixiar a economia que sustenta a vida de nosso povo – obrigam-me a dirigir uma segunda mensagem ao Presidente dos Estados Unidos.