O chanceler Serguei Lavrov assegurou hoje em entrevista ao jornal Kommersant que a associação estratégica de Rússia com Cuba é inquebrantável, ao se referir ao recente anúncio de ações para a normalização de relações entre Havana e Washington.
Indicou o ministro russo de Assuntos Exteriores que essa realidade ficou demonstrada com a visita realizada a Cuba em julho pelo presidente, Vladimir Putin, e a recém concluída reunião da Comissão Intergovernamental para a Cooperação Econômica e Comercial.
Os cubanos e os russos nunca esquecem aos que sempre estão a seu lado na hora da verdade e não colocarão em risco um interesse vital que é aprofundar a associação estratégica, enfatizou o chefe da diplomacia do Kremlin.
Ante uma pergunta do jornal que reflete os interesses dos grandes empresários do estado eurasiático, Lavrov negou que o início de um diálogo para a normalização de relações com Estados Unidos signifique a deriva da ilha em outra direção com relação a Moscou.
Se outros países procuram amizade com Cuba, tanto Cuba como Rússia sempre estão abertas a isso, acrescentou em sua resposta ao jornal de maior tiragem no país mais extenso do planeta.
Lavrov indicou que igualmente a Cuba, Rússia jamais será amiga de ninguém a expensas de terceiros.
Não me cabe a menor dúvida de que os cubanos mantêm a mesma postura. É uma postura de gente digna, orgulhosa e confiável, concluiu.
No dia 17 de dezembro, os presidentes Raúl Castro e Barack Obama, de Cuba e Estados Unidos, respectivamente, anunciaram em falas simultâneas televisadas o início de ações para a normalização de relações depois de conversas diretas nas que o papa Francisco desempenhou um importante papel e Canadá contribuiu apoio logístico.
"Concordamos com a restauração das relações diplomáticas, ainda que isso não quer dizer que o principal esteja resolvido, que é o bloqueio econômico, comercial e financeiro que provoca grandes danos e que deve cessar", disse o presidente cubano.
Obama, entretanto, ao referir-se ao bloqueio contra a ilha admitiu que "estes 50 anos demonstraram que o isolamento não funcionou" e é hora de um novo enfoque.
Por razões humanitárias, Cuba libertou e permitiu a volta ao seu país do cidadão dos Estados Unidos Alan Gross, que trabalhava para a Agência Estadunidense para o Desenvolvimento Internacional (USAID, em inglês) e foi condenado em 2011 a 15 anos de prisão por delitos contra a independência e a integridade territorial do Estado cubano.
Washington, por sua vez, libertou os antiterroristas Gerardo Hernández, Ramón Labañino e Antonio Guerrero, que permaneciam presos nos Estados Unidos por dar rastreamento a grupos que desse país organizavam ações violentas contra Cuba.
Anteriormente, já tinham regressado à ilha depois de cumprir completamente suas condenações René González e Fernando González, também integrantes do grupo conhecido mundialmente como os Cinco.
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Associação estratégica russo-cubana é inquebrantável, afirma Lavrov
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Prensa Latina
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