Chávez e Fidel inspiram compromisso com América Latina, afirma Ben Jeddou
Fonte
Prensa Latina
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A apresentação hoje do portal em espanhol do canal árabe Al-Mayadeen TV nasce do forte compromisso com a América Latina e com o exemplo de líderes como Hugo Chávez e Fidel Castro, destacou seu presidente, Ghassan Ben Jeddou.
 
Ao cumprir, neste 5 de março, dois anos da morte do presidente venezuelano Hugo Chávez, Ben Jeddou disse à Prensa Latina que o canal é o primeiro do mundo árabe em assumir como suas as causas dos povos da América Latina, e em estrear sua segunda página digital em um idioma que não seja inglês.
 
Mencionou os processos na Venezuela, em Cuba, Nicarágua, Argentina, Bolívia, Equador, Brasil e "todos os países onde há um governo patriótico ou progressista" como objeto das notícias que transmite esse canal satelital a uma ampla audiência, mas com ênfase no público de cerca de 20 países.
 
Com o novo espaço em espanhol, que estreia hoje para prestar homenagem a Chávez, Al-Mayadeen TV pretende se expandir e captar a atenção dos povos de língua espanhola da América Latina e do Caribe, incluída a diáspora árabe.
 
Mencionou a ampla cobertura dada em setembro passado ao discurso da presidenta argentina Cristina Fernández perante o Conselho de Segurança da ONU, com programas e spots apoiando as posições dignas que sempre assumiu "em prol de seu próprio povo e os [povos] do resto do mundo", apontou.
 
Acrescentou que Al-Mayadeen TV passa diariamente materiais sobre a Revolução Cubana para enaltecer seus ensinamentos e o legado de seu líder histórico, Fidel Castro, bem como o do legendário guerrilheiro Ernesto Che Guevara.
 
"E isso é todos os dias, repetido, para deixar gravado na consciência e na mente dos povos árabes. Fizemos muitos spots sobre Chávez e isso fica nas pessoas devido à repetição", enfatizou ao revelar que não se preocupa com críticas ou observações de amigos árabes por manter uma linha [política] tão aberta.
 
O mesmo tratamento foi dado à denúncia de tentativa de golpe contra o presidente venezuelano Nicolás Maduro. "Condenamos desde o primeiro momento e fizemos materiais audiovisuais e spots para apoiar Maduro, além de ter sido um tema central em nossos principais noticiários da noite", dimensionou.
 
Inclusive, quando souberam que o canal Telesur era um dos objetivos táticos da tentativa e que iam bombardear sua sede, prepararam uma campanha de solidariedade muito clara com essa entidade homóloga latino-americana.
 
"Isto significa que estamos incitando o cidadão árabe a se interessar mais pelo que dói aos povos da América Latina, porque não é um programa e, pronto, já se acaba, é uma estratégia e ensino contínuos", explicou.
 
"A América Latina é um desafio que nos propusemos e o seguiremos", indicou ao explicar que a iniciativa inaugurada hoje tenta ser referência no esforço de mostrar aos públicos árabes e latino-americanos sobre a diversidade social, política, econômica e cultural de suas respectivas regiões.
 
Lamentou a distância entre ambos povos e a atribuiu à insuficiente preocupação de governantes e regimes árabes por fortalecer essas relações, porque inclusive - disse - aqueles que as promovem, normalmente as reduziram ao político e econômico.
 
Também responsabilizou a esquerda política e a elite intelectual árabes porque - opinou - a primeira trabalhou com base em relações partidárias estreitas, "às vezes em procura de interesses próprios", e uma parte da segunda professa lealdade a antigas metrópoles coloniais (França e Grã-Bretanha).
 
Agregou que outro setor da intelectualidade nesta região mantém relações de caráter ideológico islâmico e, por isso, professa lealdade à Turquia ou ao Irã, mas em nenhum dos casos há profundidade no olhar para a América Latina.
 
O portal em espanhol inclui a seção 'Minuto a Minuto' da agência de notícias Prensa Latina, com a qual Al-Mayadeen assinou há justamente um ano um acordo de cooperação, e uma seção de análise que recebe trabalhos de autores latino-americanos e os traduz para colocar no site em árabe.
 
Também haverá seções fixas dedicadas a mostrar a realidade do mundo árabe, artigos de opinião e uma para a Rede Internacional de Meios em Defesa da Humanidade, um projeto que a Al-Mayadeen defendeu desde a primeira convenção de rádio e televisão realizada em Havana em 2013, lembrou.
 
"Vamos abrir (os meios na América Latina) para todo o mundo ter acesso e poder chegar longe, mas sem ocultar nossa identidade política. Abrir-se não significa de nenhuma maneira perder nossos traços e princípios políticos, nossos valores. Vamos defendê-los", explicou.