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Começa conferência climática de Durban sob fantasma de Kioto
A XVII conferência da ONU sobre mudança climática começa hoje nesta cidade, precedida pela crítica de que os países industrializados assumam novos compromissos quantificados para mitigar as causas do aquecimento global.
Fonte
Prensa Latina
Data
A XVII conferência da ONU sobre mudança climática começa hoje nesta cidade, precedida pela crítica de que os países industrializados assumam novos compromissos quantificados para mitigar as causas do aquecimento global.
A reunião, à que assistem representantes de 194 países e blocos regionais sucede ao foro do balneário mexicano de Cancun em 2010, onde as decisões ficaram muito abaixo do que se requer para fazer frente de forma efetiva ao aumento das temperaturas.
Não obstante, analistas avaliam que o encontro em México contribuiu para o processo negociador dentro das Nações Unidas, diante do perigo de que o debate sobre mudança climática fosse transladado pelos países industrializados a outros cenários, como o G-20, a tom com a manobra desatada em um ano antes em Copenhague.
Na capital dinamarquesa, Estados Unidos e um grupo de nações desenvolvidas trataram de impor um projeto de documento, intitulado "Acordo de Copenhague", que foi negociado em um círculo muito fechado de países ricos, ao mesmo tempo os mais beneficiados com o texto.
A XVII Conferência das Partes da Convenção Marco de Nações Unidas sobre Mudança Climática (COP17) a ser realizada em Durban com a VII Conferência das Partes do Protocolo de Kioto (CMP17), pacto cujo primeiro período de compromissos expira em 2012.
E é precisamente a chegada a seu fim deste capítulo e a necessidade de novas metas de mitigação quantificadas o ingrediente principal destes foros, ainda que a agenda inclui temas como o financiamento, a transferência tecnológica e os mecanismos de adaptação à mudança climática, entre outros assuntos.
Em declarações à Prensa Latina, o vice-ministro de Patrimônio Natural e Cultural de Equador, Tarsicio Granizo, qualificou de condição sine qua non para esta conferência que existam novas metas de mitigação para as nações industrializadas.
"Qualquer resultado que saia de Durban estará supeditado a que se produza um segundo período de compromissos, e sabemos que há países que não querem assiná-lo", expressou o servidor público.
De acordo com Granizo, essas nações devem deixar de beneficiar de qualquer mecanismo que a Convenção estabeleça como, por exemplo, o mercado de carbono.
"No momento em que esses países não confirmem sua adesão ao segundo período de compromissos deveriam sair da Convenção, e nós deveríamos denunciar à opinião pública como estão bloqueando o avanço de uma negociação e um resultado concreto aqui em Durban", destacou.
Neste cenário existe um risco de que se as conversas não progridem, ainda que seja de maneira paulatina, com uma crescente efetividade, se afetaria seu curso, e algumas nações tratem de levar a discussão climática a outro foro mais reduzido, como se tramou em Copenhague.
Não poucos diplomatas comentam nos corredores do Centro Internacional de Convenções de Durban que nestas circunstâncias é necessário preservar o multilateralismo sob o esquema das Nações Unidas, onde cada país tem um voto.
O Protocolo de Kioto foi aprovado em 1997, ratificado por 156 governos e, finalmente, rejeitado por dois dos principais contaminantes do mundo, Estados Unidos e Austrália.
Seu texto estabelece o objetivo de reduzir as emissões de gases de efeito estufa em uma média de 5,2 por cento com respeito aos níveis de 1990 para o ano 2012.
No entanto, segundo evidência o Quarto Relatório de Avaliação do Painel Intergovernamental sobre Mudança Climática (IPCC), para estabilizar as concentrações de gases de efeito estufa aos níveis mínimos aceitados requer-se que os países desenvolvidos reduzam suas emissões entre 25 e 40 por cento para o ano 2020 e entre 80 e 95 por cento para 2050.
Segundo dados publicados pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento em 2007, Estados Unidos, com 4,6 por cento da população mundial, gera 21 por cento das emissões de CO2, de maneira que as emanações per capita ascendem a umas 20 toneladas métricas de CO2, isto é, um dano climático nove vezes maior que a de um habitante dos países subdesenvolvidos.
Países como Canadá, inclusive Japão, onde paradoxalmente foi assinado o Protocolo há 15 anos, resistem a assumir novas metas, e, portanto, a entrar na arquitetura legal desse acordo.
O quarto relatório do IPCC indica que entre os anos 1906 e 2005 se registrou um incremento das temperaturas médias globais de 0.74 graus centígrados, e a acusação de aumentar para a última década deste século oscilaria entre 1,1 e 6,4 graus centígrados.
O incremento do aquecimento global em uma cifra próxima aos sete graus centígrados, como média nos dois séculos, teria consequências catastróficas para o Planeta.
As conferências de Durban se estenderão até o 9 de dezembro, dia em que devem emanar seus ditames em forma de decisões.
A reunião, à que assistem representantes de 194 países e blocos regionais sucede ao foro do balneário mexicano de Cancun em 2010, onde as decisões ficaram muito abaixo do que se requer para fazer frente de forma efetiva ao aumento das temperaturas.
Não obstante, analistas avaliam que o encontro em México contribuiu para o processo negociador dentro das Nações Unidas, diante do perigo de que o debate sobre mudança climática fosse transladado pelos países industrializados a outros cenários, como o G-20, a tom com a manobra desatada em um ano antes em Copenhague.
Na capital dinamarquesa, Estados Unidos e um grupo de nações desenvolvidas trataram de impor um projeto de documento, intitulado "Acordo de Copenhague", que foi negociado em um círculo muito fechado de países ricos, ao mesmo tempo os mais beneficiados com o texto.
A XVII Conferência das Partes da Convenção Marco de Nações Unidas sobre Mudança Climática (COP17) a ser realizada em Durban com a VII Conferência das Partes do Protocolo de Kioto (CMP17), pacto cujo primeiro período de compromissos expira em 2012.
E é precisamente a chegada a seu fim deste capítulo e a necessidade de novas metas de mitigação quantificadas o ingrediente principal destes foros, ainda que a agenda inclui temas como o financiamento, a transferência tecnológica e os mecanismos de adaptação à mudança climática, entre outros assuntos.
Em declarações à Prensa Latina, o vice-ministro de Patrimônio Natural e Cultural de Equador, Tarsicio Granizo, qualificou de condição sine qua non para esta conferência que existam novas metas de mitigação para as nações industrializadas.
"Qualquer resultado que saia de Durban estará supeditado a que se produza um segundo período de compromissos, e sabemos que há países que não querem assiná-lo", expressou o servidor público.
De acordo com Granizo, essas nações devem deixar de beneficiar de qualquer mecanismo que a Convenção estabeleça como, por exemplo, o mercado de carbono.
"No momento em que esses países não confirmem sua adesão ao segundo período de compromissos deveriam sair da Convenção, e nós deveríamos denunciar à opinião pública como estão bloqueando o avanço de uma negociação e um resultado concreto aqui em Durban", destacou.
Neste cenário existe um risco de que se as conversas não progridem, ainda que seja de maneira paulatina, com uma crescente efetividade, se afetaria seu curso, e algumas nações tratem de levar a discussão climática a outro foro mais reduzido, como se tramou em Copenhague.
Não poucos diplomatas comentam nos corredores do Centro Internacional de Convenções de Durban que nestas circunstâncias é necessário preservar o multilateralismo sob o esquema das Nações Unidas, onde cada país tem um voto.
O Protocolo de Kioto foi aprovado em 1997, ratificado por 156 governos e, finalmente, rejeitado por dois dos principais contaminantes do mundo, Estados Unidos e Austrália.
Seu texto estabelece o objetivo de reduzir as emissões de gases de efeito estufa em uma média de 5,2 por cento com respeito aos níveis de 1990 para o ano 2012.
No entanto, segundo evidência o Quarto Relatório de Avaliação do Painel Intergovernamental sobre Mudança Climática (IPCC), para estabilizar as concentrações de gases de efeito estufa aos níveis mínimos aceitados requer-se que os países desenvolvidos reduzam suas emissões entre 25 e 40 por cento para o ano 2020 e entre 80 e 95 por cento para 2050.
Segundo dados publicados pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento em 2007, Estados Unidos, com 4,6 por cento da população mundial, gera 21 por cento das emissões de CO2, de maneira que as emanações per capita ascendem a umas 20 toneladas métricas de CO2, isto é, um dano climático nove vezes maior que a de um habitante dos países subdesenvolvidos.
Países como Canadá, inclusive Japão, onde paradoxalmente foi assinado o Protocolo há 15 anos, resistem a assumir novas metas, e, portanto, a entrar na arquitetura legal desse acordo.
O quarto relatório do IPCC indica que entre os anos 1906 e 2005 se registrou um incremento das temperaturas médias globais de 0.74 graus centígrados, e a acusação de aumentar para a última década deste século oscilaria entre 1,1 e 6,4 graus centígrados.
O incremento do aquecimento global em uma cifra próxima aos sete graus centígrados, como média nos dois séculos, teria consequências catastróficas para o Planeta.
As conferências de Durban se estenderão até o 9 de dezembro, dia em que devem emanar seus ditames em forma de decisões.
