Cuba: Um tempo ávido de paradigmas
Fonte
Prensa Latina
Data

São tempos convulsos e esta é uma ideia que parece se repetir quase mecanicamente em todas as partes nos meios de comunicação de massa, de uma ou outra forma.
 
A ideia fundamenta-se basicamente nas razões econômicas que provocam altos e baixos em todas as ordens que compõem as sociedades do planeta.
 
E quando determinados acontecimentos removem os alicerces de uma sociedade, quase sempre impactam porque irrompem, precisamente, no setor mais vulnerável: a economia.
 
No entanto, em Cuba, um acontecimento tem comovido a quase toda sua gente e o mobilizador não tem sido econômico, mas meramente afetivo.
 
E para além inclusive, tem tocado as fibras mais sensíveis da cada cubano, aquelas relacionadas com a lealdade e o exemplo que não se quebra graças a cinco homens incontestáveis que, desde que desceram do avião e pisaram solo cubano, têm motivado emoções, apegos, esperanças e certezas.
 
Então converter-nos em testemunhas de lágrimas coletivas ante o abraço de um filho com seu pai ou uma esposa que coloca toda a felicidade do mundo em um beijo, se transforma em um privilégio pouco comum nestes tempos.
 
É que a alegria coletiva tem inundado ruas e casas desde o mais privado dos sentimentos.
 
Também não ficou rosto isento de lágrimas quando no palco cinco homens cantaram, como adolescentes renovados, o tema de Silvio Rodríguez tornado hino desde a escuridão de suas celas: El necio.
 
Um hino transcendente até para quem já considerou nevada sua existência igual a minha vizinha, que comovida nesta manhã, em seu constante delírio ao pé da notícia, me contava tudo como se me avisasse de primeira mão que este fim de ano sim celebraríamos diferente.
 
E então descubro que esta é uma história comum hoje e agora, aqui, onde todas as gerações unidas recorrem simultâneas ao pranto emocionado neste tempo ávido de paradigmas por um mesmo abraço, um mesmo gesto, um mesmo canto.
 
Ania Ortega*
 
*Jornalista da Redação Nacional da Prensa Latina