O escritor canadense Stephen Kimber afirmou que os antiterroristas cubanos condenados a longas penas nos cárceres dos Estados Unidos foram vítimas de um "extravio da justiça e a melhor maneira de corrigir esse erro é os libertando".
"Se os estadunidenses comuns compreendessem o que aconteceu na realidade, eles se sentiriam tão indignados como eu estou pelo extravio da justiça que aconteceu ali e pressionariam seu governo para que os libertasse", expressou em declarações exclusivas via correio eletrônico à Prensa Latina.
Em 12 de setembro, quando cumprem 15 anos da detenção de Gerardo Hernández, Ramón Labañino, Antonio Guerrero, Fernando Gonzalez e René González, Kimber realizará um giro com seu mais recente livro pelos Estados Unidos.
De 11 a 17 de setembro, o também professor de jornalismo da Universidade de King em Halifax dissertará em Washington DC, Maryland, Nova Iorque (Manhattan e Brooklyn) e em Boston, sobre sua obra "O que há do outro lado do mar: A verdadeira história dos Cinco Cubanos" (What lies across the water, the real story of the Cuban Five).
Publicado pela editorial canadense Fernwood Publishing, o livro, disse, é uma tentativa de colocar a história dos Cinco em um contexto que os leitores norte-americanos consigam entendê-la.
Kimber comentou que o texto conta essencialmente a história desses homens desde a suposta deserção "de René (González Sehwerert) em 1990 até sua detenção em setembro de 1998".
Segundo o autor, tenta demonstrar o que estava acontecendo em Miami naquele momento; como os terroristas Luis Posada Carriles, Orlando Bosch (que morreu sem ser levado à justiça), a Fundação Nacional Cubano-Americana e outros grupos anticubanos conspiravam para atacar a ilha.
"Contando essas histórias paralelamente, eu aspiro a que os leitores compreendam porque o Governo cubano enviou os Cinco à Flórida em primeiro lugar", apontou.
O livro usa a informação que saiu do julgamento para ajudar a contar a história do que eles faziam e porquê, mas minha narração não se foca no julgamento. Isso pode ser motivo de outro livro, expressou o professor Kimber.
Durante a preparação desta obra, considerada a mais importante divulgada até hoje sobre este complexo caso, Stephen Kimber analisou mais de 20 mil páginas do julgamento realizado contra os Cinco nessa cidade do sul da Flórida.
"Também examinei milhares de páginas de documentos apresentados como evidência, entrevistei membros dos Cinco e suas famílias, além de investigar o que estava acontecendo em Miami através dos jornais e de outras fontes", enfatizou.
Perguntado sobre qual a mensagem do livro do ponto de vista pessoal e profissional nesta aproximação à história dos Cinco, Kimber apontou: "Eu quis contar a história dos Cinco bem clara e exatamente como foi possível".
Não queria glorificá-los, só narrar suas histórias de maneira que as pessoas compreendessem o quê os motivou a fazer o que fizeram, explicou.
Considerou também que 15 anos de prisão merecem uma reflexão, "uma oportunidade para levar esse processo à atenção da opinião pública norte-americana".
Os Cinco foram presos na cidade de Miami no dia 12 de setembro de 1998 quando monitoravam os planos de grupos criminosos de origem cubana que com total impunidade operavam a partir dali contra a nação antilhana por mais de 50 anos.
Especialistas criticam irracionalidade das condenações que cumprem Hernández (dupla perpétua mais 15 anos), Labañino (30 anos), Guerreiro (21 anos mais 10 meses e cinco anos de liberdade condicional, e González Llort (17 anos e nove meses).
No dia 22 de abril René González chegou à Havana com uma permissão das autoridades estadunidenses para participar de uma homenagem em memória de seu pai falecido nesse mês.
Já aqui apresentou uma moção para que lhe permitissem continuar em Cuba junto a seus seres queridos, em troca da renúncia de sua cidadania norte-americana, condição aceita no dia 3 de maio pela juíza do distrito sul da Flórida, Joan Lenard.
González Sehewerert tinha saído da prisão em outubro de 2011 ao cumprir sua injusta sanção e como pena adicional passou ao regime de liberdade condicional dentro do território dos Estados Unidos.
Um painel da Organização das Nações Unidas concluiu em maio de 2005 que a detenção desses homens é ilegal e arbitrária, mas a Casa Branca nada fez até hoje para solucionar o problema.
Mas a decisão de libertar os Cinco em última instância será política, já que se esgotaram as possibilidades legais, acrescentou ao sugerir que espera que "prevaleça a razão".
Por isso o livro A verdadeira história... aparece quando o caso chega a um momento crucial, à espera de que o tribunal de Miami se pronuncie sobre as apelações colaterais (Habeas Corpus) cujo fundamento principal é precisamente a conspiração governamental, financiando e organizando a campanha mediática que em Miami envenenou todo o processo contra os Cinco.
Kimber adiantou finalmente, que a Editoria cubana Capitan San Luis está traduzindo o texto e o editará em espanhol para a próxima Feira Internacional do Livro de Havana, em 2014.
