O reverendo norte-americano Jesse Jackson qualificou hoje de antiquado e obsoleto o bloqueio econômico dos Estados Unidos a Cuba, e assegurou esperar o restabelecimento de relações entre dois países vizinhos que -sublinhou- se precisam mutuamente.
"Podemos (o governo estadunidense) conversar, entender-nos e estabelecer relações com a China, que tem uma ideologia diferente à nossa, é uma ideia antiquada não o fazer com Cuba", afirmou o destacado ativista pelos direitos civis em seu país.
Em entrevista à Prensa Latina na capital do Catar, onde participa do XI Foro de Doha, Jackson apontou que a ilha caribenha é um Estado soberano, membro pleno da Assembleia Geral da ONU -que tem condenado a política de Washington- e da comunidade internacional. "Além do que, somos vizinhos e por isso nos precisamos uns e outros, podemos desenvolver vínculos que contribuam benefícios comuns", disse para depois remarcar que "espero no dia em que caia a muralha do bloqueio que separa a Estados Unidos e a Cuba".
Por outro lado, ao ser perguntado sobre se o governo de seu país e os da Europa atuam de forma transparente com os países árabes sacudidos por revoltas revolucionárias, declarou-se "otimista" de que "o movimento popular pela liberdade sabe o que tem que fazer".
Jackson, fundador da coalizão humanista Rainbow/PUSH, pediu não esquecer que Ocidente apoiou os antigos regimes autoritários, e assinalou que as forças progressistas do mundo "temos que estar ao lado da gente que quer democracia, justiça e liberdade".
Há que parar de apoiar os regimes repressivos nesta região, esta gente está demandando derrocar toda forma de controle opressivo, e geralmente quem no mundo estão oprimidos terminam se rebelando mais cedo ou mais tarde, assinalou.
No entanto, o religioso advertiu que se Estados Unidos e Europa se envolvem parecerá que tratam de controlar e influir, e isso é contraproducente. "Devemos apoiar a Primavera Árabe, mas não a controlar ou a desviar", declarou.
Na opinião do reverendo Jackson, as reformas fundamentais no mundo árabe "têm que ser progressistas e transparentes", e as potências ocidentais devem fazer em consequência.
