EUA: escândalo por intercâmbio de presos na base naval de Guantánamo
O recente intercâmbio de prisioneiros entre Estados Unidos e as forças insurgentes afegãs, que para alguns parecia algo simples, converteu-se em um escândalo que envolve o Pentágono, o Congresso e o próprio presidente Barack Obama.
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Prensa Latina
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O recente intercâmbio de prisioneiros entre Estados Unidos e as forças insurgentes afegãs, que para alguns parecia algo simples, converteu-se em um escândalo que envolve o Pentágono, o Congresso e o próprio presidente Barack Obama.

Os talibãs libertaram em passado 31 de maio passado o sargento Bowe Bergdahl em troca da saída de cinco prisioneiros afegãos da prisão na base naval de Guantánamo, no leste de Cuba, em uma negociação em que o governo do Catar serviu de intermediário.

Washington mantém desde 2002 um centro de reclusão nessa instalação, localizada em território cubano contra a vontade do povo e do governo da ilha caribenha.

Os críticos do intercâmbio destacam que este é "uma vitória moral para os talibãs" em um momento crítico para as tropas dos Estados Unidos no país asiático, cuja maioria dos integrantes voltarão para casa antes de que finalize 2014.

Por outro lado, o presidente Barack Obama defendeu em 3 de junho, durante uma visita a Varsóvia, Polônia, sua decisão de intercambiar os réus de Guantánamo pelo militar estadunidense e disse que ele passará por um processo de interrogatórios para determinar se cometeu algum delito.

O presidente tratou de acalmar os ânimos daqueles que dizem que os ex-prisioneiros poderiam retornar às suas atividades insurgentes, e sobre o tema disse que os Estados Unidos e o governo do Catar participarão em ações conjuntas para monitorar o comportamento dessas pessoas no futuro.

"Consultamos com o Congresso há algum tempo a respeito da possibilidade de realizar um intercâmbio de réus para recuperar Bergdahl, e vimos uma oportunidade que aproveitamos, com a ajuda das autoridades catares", acrescentou Obama.

Mas esta não parece ser a opinião do presidente do Comitê de Serviços Armados da Câmara de Representantes, o republicano Buck McKeon, que assegurou que o presidente "violou a lei ao não informar sobre a libertação dos presos ao Capitólio com 30 dias de antecedência".

As conversas iniciaram há algum tempo, mas os congressistas estiveram sempre à margem, "e eu não fui parte disto apesar do meu cargo", acrescentou McKeon.

O intercâmbio de presos provocou fortes críticas também entre outros legisladores republicanos, muitos dos quais acusam o chefe da Casa Branca de "negociar com os terroristas" para libertar um militar acusado de desertar das filas do Exército estadunidense no Afeganistão.

Meios de imprensa estadunidenses afirmaram que o Pentágono determinou em 2010 que Bergdahl abandonou seu posto em 30 de junho de 2009, após deixar uma carta no dormitório na qual rejeitava a guerra que Washington realiza nesse país desde 2001.

Vários soldados que estavam na mesma unidade de Bergdahl corroboraram com esta tese e acusam o sargento de ser o culpado da morte de vários de seus colegas que cumpriram missões de busca e resgate após seu desaparecimento.

O Pentágono também prometeu uma investigação sobre o caso, e sobre o tema, o presidente da Junta de Chefes do Estado Maior dos Estados Unidos, general Martin Dempsey, disse em 3 de junho que a investigação determinará se na realidade Bergdahl era um desertor, como alegam vários de seus colegas. Dempsey, que é o militar de mais alto rango nas forças armadas norte-americanas, acrescentou que a investigação determinará se realmente Bergdahl abandonou sua unidade no Afeganistão em 2009 e se assim foi, as medidas apropriadas serão tomadas.

No entanto, o general defendeu a obrigação das forças armadas dos Estados Unidos de fazer todo o necessário para resgatar qualquer de seus membros que seja capturado pelo adversário.

Bergdahl, de 28 anos, está atualmente internado no centro médico do Pentágono em Landstuhl, Alemanha, até que se decida seu translado ao território continental dos Estados Unidos.

Por sua vez, o jornal The Washington Post publicou em 3 de junho uma relação dos cinco presos afegãos que foram trocados pelo militar estadunidense, entre os que se destaca Khirullah Said Wali Khairkhwa, ex-ministro do Interior e fundador do movimento talibã.

Outro dos libertados foi Mullah Mohammad Fazl, que segundo o Post foi chefe do estado maior das unidades insurgentes afegãs na década dos anos 90, acusado de matar em 2001 o oficial da CIA Johnny Michael Spann, o primeiro estadunidense morto em território afegão.

Os nomes dos restantes são Mohammed Nabi Omari, que segundo o Post era um dos mais importantes líderes talibãs presos em Guantánamo; Mullah Norullah Noori, ex-governador de várias províncias, assim como Abdul Haq Wasiq, ex-vice-chefe de inteligência dos talibãs.

Neste contexto, analistas e meios de imprensa estadunidenses consideram que os republicanos aproveitam a conjuntura para somar este tema à lista de acusações que mantêm contra seus colegas democratas no Congresso e o chefe da Casa Branca em política exterior.

É evidente para estes observadores que a liderança do partido vermelho decidiu não perder esta oportunidade para criticar o governo e seus seguidores, a poucos meses das eleições da terça-feira 4 de novembro de 2014.

Em ditas eleições estarão em jogo os 435 assentos da Câmara de Representantes, 33 dos 100 assentos do Senado, 38 cargos de governadores e a integração de 46 das 50 legislaturas estaduais.