Evidências de Trinidad excluídas de julgamento contra Posada Carriles
Apesar das evidências contribuídas pela polícia de Trinidad e Tobago aos Estados Unidos, que processa Luis Posada Carriles, as acusações reconhecidas são por mentir e falsificação de documentos, denunciou o jornal Newsday.
Fonte
Prensa Latina
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Apesar das evidências contribuídas pela polícia de Trinidad e Tobago aos Estados Unidos, que processa Luis Posada Carriles, as acusações reconhecidas são por mentir e falsificação de documentos, denunciou o jornal Newsday.
 
Embora seja requerido por ataques terroristas contra Cuba, um contra o consulado da Guiana em Porto Espanha e os escritórios barbadenses de BWIA em 1976, Posada só enfrenta acusações de perjúrio, fraude migratória e obstrução da justiça, assegura o jornal.
 
Assinado por Andre Bagoo, o artigo denuncia o longo histórico terrorista de Posada, do qual não é julgado neste processo por ações como fazer explodir um avião da Cubana de Aviação em pleno voo em 1976, que custou a vida de 73 pessoas.
 
Durante anos, Cuba e Venezuela demandam para que esses crimes não fiquem impunes. Da Venezuela, onde foi condenado a nove anos de prisão por acusações de conspirar com os que puseram a bomba no avião, Posada escapou subornando seus carcereiros, sendo foragido da justiça venezuelana.
 
Hernan Ricardo Lozano and Freddy Lugo, matadores de aluguel que trabalhavam para Posada, foram presos horas após o atentado contra o avião cubano e confessaram ao vice-comissionado da Polícia em Porto Espanha que eles eram responsáveis pelo crime.
 
Há um detalhe de suas declarações, não publicado pela imprensa da época, reflete o artigo, de que disseram ser agentes da CIA e que tinham uma lista de objetivos terroristas, muitos relacionados com Trinidad e Tobago.
 
O relatório manuscrito preparado por Ricardo foi desclassificado pelo Arquivo de Segurança Nacional dos Estados Unidos em 2007. Contém um compilado sobre as empresas, as embaixadas e escritórios que mantinham relações com Cuba, fornecendo descrições detalhadas de objetivos em Barbados, Colômbia, Panamá e Trinidad e Tobago.
 
Com Trinidad à frente, os objetivos incluíam os escritórios da linha aérea BWIA (agora Caribbean Airlines) e até as marcas, modelos, cor e placas dos veículos de servidores públicos cubanos nesses países.
 
No dia primeiro de setembro de 1976, antes das eleições desse ano, uma bomba explodiu no Consulado da Guiana em Porto Espanha. Esse ataque ocasionou ferimentos a três pessoas.
 
Algumas semanas antes, no dia 14 de julho de 1976, os escritórios da BWIA em Bridgetown, Barbados foram atacados. Nos três atentados está envolvido Posada.
 
O terrorista negou estar vinculado à bomba do voo 455 da Cubana, mas foi delatado por seus empregados depois de serem interrogados pelo então procurador Dennis Ramdwar em 1976, além de aparecer nos relatórios desclassificados da CIA.
 
O relatório do interrogatório que ocorreu na delegacia de polícia de Porto Espanha também foi desclassificado pelo Arquivo de Segurança Nacional dos Estados Unidos. O jornalista dá conta com riqueza de detalhes das declarações de Ricardo e Lugo.
 
Ricardo declarou ao comissionado Ramdwar que ele era membro da CIA e que foi recrutado na Venezuela entre 1970 e 1971, que foi treinado na Venezuela e no Panamá em contrainteligência.
 
Também disse que o grupo "Condor", que se atribuiu responsabilidade, era a fachada de outro grupo chamado CORU, dirigido por Orlando Bosch.
 
Sustentou também que Posada era o chefe de uma empresa privada conhecida como Agência de Investigações Industriais e Comerciais, e que era seu chefe.
 
Ricardo confessou que a bomba posta no consulado da Guiana em Porto Espanha foi colocada por um panamenho naturalizado venezuelano e outro membro de uma organização vinculado a Posada.
 
Também disse, segundo a reportagem, que tanto ele como Lugo estavam em Barbados quando os escritórios da BWIA foram atacados na semana anterior.
 
Posada Carriles negou estar envolvido com o atentado ao avião da Cubana, mas documentos desclassificados do FBI situam-no em duas reuniões efetuadas em Santo Domingo onde se planejou o ato terrorista contra o avião, cita o texto.
 
O jornalista finaliza o artigo com um resumo de toda a atividade terrorista de Luis Posada Carriles, reportada em documentos desclassificados pelos Estados Unidos que o vinculam com o caso Irã-Contras e, de acordo com alguns teóricos, o envolvem no assassinato de John F. Kennedy e na invasão mercenária de Baía dos Porcos.