As Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia-Exército do Povo (FARC-EP) responsabilizaram hoje o governo de ensanguentar o panorama político da nação.
"É o sangue dos de abaixo, que como heróis descamisados recebem as balas, as bombas aturdidoras, os gases e a brutalidade das forças de repressão, especialmente do Esquadrão Móvel Antidistúrbios", sublinha um comunicado divulgado em Havana pela delegação das FARC-EP que participa nas conversas de paz.
O desemprego agrário e seus ecos de indignação e de interpelação ao regime que não param, têm a resposta governamental de sempre: prometer, enganar, reprimir e continuar com a pauperização do campo e a entrega da soberania às transnacionais, mais recentemente mediante os Tratados de Livre Comércio, indica o texto.
Não param os projetos neoliberais e a repressão, mas não para também o levantamento dos mineiros, dos camponeses, enquanto os educadores paralisam seus trabalhos e os estudantes alçam suas vozes em defesa de uma educação gratuita e de qualidade, pontua o comunicado.
"O cenário político agita-se, mas o protesto social se desborda e o regime no desespero de sua avareza mancha de sangue a contenda", enfatiza o documento.
Todas as exigências dos manifestantes são velhas aspirações postergadas que conduziram o país ao fundo da miséria e de uma confrontação entre compatriotas que já cumpre mais de meio século sem soluções, agrega o texto.
Em Havana -asseguram as FARC-EP- procuram-se os caminhos para atingir a paz estável e duradoura, com a particularidade que, ainda que o discurso de paz esteja na boca dos governantes, suas ações são de hostilidade econômica e bélica contra os despossuídos.
No meio da dramática situação o presidente de Colômbia, Juan Manuel Santos, anunciou um Pacto Nacional pela Agricultura e o Desenvolvimento Rural para fazer a refundação do campo colombiano, mas nada se diz de pôr ponto final aos Tratados de Livre Comércio.
Os mesmos -prossegue o comunicado da guerrilha- são os que mais ruína trazem ao campo, também não se faz referência à estrangeirização da terra, ou de sua redistribuição a partir da culminação do latifúndio.
O problema não se resolve com oportunismo e panos de água morna, alertam as FARC-EP, e ratificam seu compromisso com as maiorias camponesas.
