Haiti e a promessa perene de um médico boliviano
A cada manhã o médico boliviano Lucio Pinto renova sua promessa de servir aqueles que mais precisam, a razão principal de sua presença no Haiti desde início de fevereiro.
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Prensa Latina
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A cada manhã o médico boliviano Lucio Pinto renova sua promessa de servir aqueles que mais precisam, a razão principal de sua presença no Haiti desde início de fevereiro.

Lucio Pinto, graduado em 2009 na Escola Latinoamericana de Medicina (ELAM), fazia seu serviço social no departamento boliviano de La Paz, quando soube do terremoto no Haiti e, sem pensar duas vezes, buscou a maneira de ir em auxílio daqueles irmãos caribenhos.

As notícias que chegavam à Bolívia deixaram o doutor Lucio Pinto estupefato: mais de 200 mil mortos, 300 mil feridos e mais de um milhão de desabrigados, mas essas cifras só o incentivaram mais em sua tentativa de pegar um voo para esta capital.

"Trabalhava na província de Roma, no município de Patacamaya, junto à brigada cubana que presta serviços na Bolívia, quando soube da convocação para vir ao Haiti e em seguida me alistei", comentou Pinto em exclusiva à Prensa Latina.

"Decidi deixar meu serviço rural imediatamente, ainda com o risco de que me anulassem o feito, mas foi minha determinação, por princípios, pelo que aprendi em Cuba, na ELAM", recordou.

Para Pinto, "o primeiro é a humanidade. E não podia permanecer indiferente depois de ver pela televisão tanta gente carecendo de serviços médicos. É como tornar realidade o sonho do comandante Fidel Castro, quando orientou a criação da ELAM, o de ir trabalhar nos países onde não existam médicos".

Lucio Pinto é um dos 50 médicos que viajaram da Bolívia ao Haiti, via Havana, onde fizeram um intensivo de uma semana, além de outros cinco que se encontravam em solo cubano fazendo suas especialidades e também se somaram à causa deste povo.

Todos eles são graduados da ELAM e de promoções diversas, uma das razões que enche de orgulho Lucio Pinto, que adverte que sua presença aqui depende do que decida o povo haitiano.

"Quando saímos da Bolívia, pensamos que só seria enquanto durasse a emergência, que deve terminar no próximo dia 12 de abril, mas depois que chegamos aqui, tenho claro que isso pode se estender um pouco mais", esclareceu.

"Nós sabemos que o povo boliviano também precisa de ajuda, que é um povo do Terceiro Mundo, mas agora o Haiti precisa mais do que nós. E depois voltaremos para casa, para trabalhar com nossos compatriotas, afirmou.

Para Pinto, o "Haiti deixou-me uma experiência fundamental para minha vida e não só como médico. Desde que cheguei encontrei doenças crônicas, em crianças, as quais não havia visto nunca e as enfrentar me serve muito".

"Minha experiência como estudante de medicina em Cuba não me permitiu encontrar nunca situações como as daqui, onde muitas vezes os pais levam as crianças ao médico quando já estão graves e às vezes não querem os levar, porque acham que vão ser cobrados. Apagar isso é difícil".

Pinto dedica seu tempo livre, quase sempre muito escasso, a deixar em branco e preto todos esses episódios e histórias que vive a cada dia.

Sua intenção é que outros colegas, bolivianos ou de qualquer outro país, conheçam de primeira mão o que se viveu no Haiti após o terremoto do dia 12 de janeiro deste ano.

O jovem médico boliviano sabe que sua história é só a de mais um médico, mas sua experiência pode servir ou incentivar a outros em situações similares no futuro.

Enquanto isso, em longo prazo, pensa em formar-se nefrólogo, "não porque seja a especialidade que mais goste, mas sim porque é uma das que mais precisa o povo boliviano".