Segunda Declaração de Havana, 55 anos de vigência
Fonte
Prensa Latina
Data

A 55 anos de sua aprovação em Assembleia Geral Nacional do Povo de Cuba, a Segunda Declaração de Havana mantém validade ante a ofensiva da direita continental, representada por Washington, para recuperar espaços políticos.
 
Através desse documento, aclamado por mais de um milhão e meio de pessoas em 4 de fevereiro de 1962, em imediata resposta à expulsão do país caribenho da Organização de Estados Americanos (OEA), Cuba desmascarou a estratégia divisionista dos Estados Unidos e fixou ante o mundo sua postura anti-imperialista.
 
Não é casual que o texto dessa Declaração lida pelo líder histórico da Revolução cubana, Fidel Castro, na praça da Revolução José Martí, evoque o ideário desse prócer independentista cubano, como expressão da continuidade histórica das lutas pela emancipação da ilha.
 
Em carta inconclusa a seu amigo Manuel Mercado, Martí propôs a necessidade de 'impedir que em Cuba se abra, pela anexação dos imperialistas, o caminho que se tem de cegar, e com nosso sangue estamos cegando, da anexação dos povos de nossa América ao Norte revolto e brutal que os despreza'.
 
A expulsão de Cuba da OEA foi, de fato, a antessala do recrudescimento do bloqueio econômico, comercial e financeiro, as agressões, e do acionar de Washington contra as aspirações legítimas dos povos da região de superar a tutela da potência do norte.
 
As ações para subverter na região processos progressistas, anti-imperialistas, socialistas, ou simplesmente reformadores mantiveram-se como parte da estratégia de política exterior de democratas e republicanos em seu afã de preservar a hegemonia estadunidense por qualquer via.
 
Golpes parlamentares, julgamentos políticos, guerras econômicas, apoios à subversão interna somam-se hoje ao arsenal estratégico de Washington para frear o impulso emancipador na América Latina, e minar seus esforços integradores.
 
Diante dos novos desafios que entranha a chegada de Donald Trump à Casa Branca, Cuba reiterou recentemente a vontade de aperfeiçoar a via socialista escolhida para seu desenvolvimento, bem como seu compromisso com a alavancagem da unidade e a paz da América Latina e o Caribe.
 
Ao comparecer no segmento de alto nível da V Cimeira da Comunidade de Estados Latino-americanos e Caribenhos, celebrada na República Dominicana, o presidente cubano, Raúl Castro, chamou para fortalecer a integração da região, tendo em conta os numerosos interesses em comum.
 
Trabalhar pela unidade na diversidade constitui uma necessidade impostergável para as nações da área, apontou.
 
Afirmou o estadista cubano que para o sucesso deste esforço unitário se requer de um irrestrito apego à proclame da América Latina e o Caribe como zona de paz, assinada pelos chefes de Estado e de Governo da região em Havana em 2014.
 
Assim mesmo, reiterou a vontade de Cuba de continuar negociando os assuntos bilaterais pendentes com os Estados Unidos sobre a base da igualdade, a reciprocidade e o respeito à soberania e a independência, e prosseguir o diálogo respeitoso e a cooperação em temas de interesse comum.
 
Cuba e Estados Unidos podem cooperar e conviver civilizadamente respeitando as diferenças e promovendo tudo aquilo que beneficia a ambos países e povos, disse; mas reafirmou que para isso a ilha caribenha não realizará concessões em assuntos inerentes a sua soberania e independência.
 
Diante do novo palco proposto com a restauração dos nexos diplomáticos entre Cuba e Estados Unidos e o início do complexo processo para a normalização de suas relações, a nação caribenha arvora hoje sua independência, latino americanismo, e anti-imperialismo como eixos fundamentais de sua política, tal como o fizesse há 55 anos.