ZunZuneo viola princípios do Direito, afirma acadêmico na Suíça
O programa estadunidense ZunZuneo, criado para promover a subversão em Cuba, constitui uma violação dos princípios básicos do direito e as relações internacionais, opinou hoje o acadêmico Alfred de Zayas.
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Prensa Latina
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O programa estadunidense ZunZuneo, criado para promover a subversão em Cuba, constitui uma violação dos princípios básicos do direito e as relações internacionais, opinou hoje o acadêmico Alfred de Zayas.

Segundo revelou recentemente a agência Associated Press (AP), este Twitter que funcionou de 2010 a 2012 tinha como objetivo influir em jovens da ilha e instigar a desestabilização interna.

Particularmente grave é o fato de que essa rede social secreta captou mais de 40 mil assinantes, sem lhes dar conhecimento de que prestadores recolhiam sua informação privada com fins políticos, afirmou De Zayas, professor de Direito Internacional na Geneva School of Diplomacy.

Em entrevista concedida à Prensa Latina, o acadêmico afirmou que os Estados poderosos se outorgam na prerrogativa de ignorar princípios básicos quando lhes convém.

"Essa atitude é tão rotineira que pode ser chamada de uma cultura de ingerência nos assuntos internos de outros Estados, uma usurpação de direitos coletivos e individuais de povos e cidadãos", ressaltou.

O professor recordou os artigos 1 e 2 da Carta das Nações Unidas que afirmam a igualdade soberana de todos seus membros e o Pacto Internacional que proclama o direito à autodeterminação e à vida privada.

Também mencionou numerosas resoluções da Assembleia Geral, entre elas a que estipula a obrigação dos Estados de não intervir nos assuntos de qualquer outro, o que é condição essencial para assegurar a convivência pacífica entre as nações.

De acordo com as revelações da AP, o programa ZunZuneo, que emprega novas tecnologias com fins desestabilizadores, foi criado pela Agência dos Estados Unidos para a Assistência Internacional.

Esta agência, que se supõe tenha uma vocação humanitária e de não ingerência e tergiversação, tem sofrido uma perda de confiança da população e de credibilidade internacional, afirmou De Zayas.

Interrogado sobre a utilização de fundos dos contribuintes norte-americanos para estes fins, opinou o professor que os cidadãos desse país têm direito a saber como se gastam seus impostos. De conhecê-lo antes, afirmou, "duvido que tivessem aprovado seu uso para tais propósitos".

"Esperemos que os representantes e senadores do Congresso norte-americano consigam esclarecer os múltiplos aspectos do ZunZuneo, inclusive quem autorizou o programa. Alguém tem que prestar contas. Faz falta mais transparência e responsabilidade", declarou o professor da Geneva School of Diplomacy.