Peço a todos que me perdoem que não possa continuar acompanhando-os, devido a uma situação especial criada por minha presença nesta Cúpula, e que me veja obrigado a regressar imediatamente a meu país. À frente da Delegação de Cuba, fica o companheiro Ricardo Alarcón de Quesada, Presidente da Assembléia Nacional do Poder Popular, incansável lutador na defesa dos direitos do Terceiro Mundo. Delego a ele as prerrogativas que me correspondiam nesta reunião, como Chefe de Estado.
Quanto sofrimento! Que satisfação!, apesar daquilo que lhes dizia de crise econômica, de preços do açúcar, que são miseráveis, e de preços do níquel, que também estão apenas cobrindo os custos, ou do golpe sofrido pelo turismo, com o ato terrorista levado a cabo em Nova York contra o povo norte-americano, mais as conseqüências políticas que tudo isso trouxe, conduzindo o mundo a um nível de grande tensão e de grandes problemas, aos quais há muito tempo vocês e nós estamos acostumados.
Mas batalha de idéias não significa apenas princípios, teoria, conhecimentos, cultura, argumentos, réplica y contra-réplica, destruir mentiras e semear verdades; significa fatos e realizações concretas. Ainda em período especial, sob o bloqueio, a hostilidade e as ameaças do império mais poderoso que já existiu, nosso povo projeta e constrói a mais justa e humana sociedade que até hoje se conheceu. Disso estamos plenamente conscientes. À vanguarda dessa grandiosa obra, estão os jovens, os estudantes e nossas maravilhosas crianças. Por isso, a cada dia, são mais fortes nosso otimismo e…
A minha recusa de apresentar as provas do que aconteceu em Monterrei, o que me obrigou a ir embora no mesmo dia do meu discurso na Cimeira, devia-se a que o senhor Castañeda tinha arrastado na sua descocada aventura ao Presidente Vicente Fox. Não podia apresentá-las sem implicar ao próprio Chefe de Estado mexicano. A atual conspiração contra Cuba em Genebra foi urdida pelo senhor Castañeda em Washington. O governo tcheco já estava aborrecido do seu custoso e desacreditante papel mercenário. O governo dos Estados Unidos no ano passado, depois da resolução imposta pela força contra Cuba em…
Fomos condenados, em Genebra, por aqueles que consideram que esse mar de povo aqui reunido, cuja imagem se pode observar de qualquer canto do mundo, foi privado de seus direitos humanos. Com toda certeza, nenhum desses que na América Latina promoveram, co-auspiciaram ou apoiaram esse projeto, poderia reunir na capital de seus respectivos países cinco por cento dos cidadãos aqui reunidos.
Há apenas três dias, um personagem sobejamente conhecido, Otto Reich, secretário assistente de Estado, foi flagrado em uma vergonhosa mentira, ao afirmar que no dia 12 de abril quatro aviões cubanos tinham aterrado na capital venezuelana, sem que se soubesse "o que estavam fazendo ali, o que estavam levando, não sabemos". Parece que era o início de uma campanha contra Cuba, ou uma vingança pelo extraordinário fracasso do golpe fascista que ele promoveu, ou ambas as coisas.
Hoje se convertem em realidade os sinceros desejos, que em mais de uma ocasião lhe formulei, nos breves encontros que tivemos no exterior, de que visitasse Cuba.Os dois compartilhamos, em um mesmo período de tempo, a responsabilidade de dirigir os destinos de nossos países. O senhor, em uma imensa e poderosa nação; eu, em uma pequena ilha, a 90 milhas de seu país.
Havia por aí um programa que dizia: "Finalmente, anunciam as palavras centrais", assim se costuma dizer nos atos públicos, nas tribunas abertas, etc., e eu pensei, em todo caso, se digo alguma coisa, serão as palavras finais, porque as palavras centrais correspondiam ao presidente Carter. Para que compreendam isso de presidente e de ex-presidente, acontece que, por uma questão de cortesia, nos Estados Unidos, os que já foram presidentes, mesmo depois que deixam de ser, continuam, de forma familiar, sendo chamados presidentes, e nós estamos tratando-o familiarmente na tarde de hoje.
Somos homens de idéias e não uma comunidade de fanáticos. Em Cuba nunca se culpou, nem se semeou ódio contra o povo dos Estados Unidos, pelas agressões que sofremos de seus governos. Isso estaria contra nossas doutrinas políticas e contra nossa consciência internacionalista, bem provada ao longo de muitos anos, e a cada dia mais arraigada em nosso pensamento.
Em 20 de maio, dia do vergonhoso espetáculo do auditório de Miami, era irônico escutar o senhor W. Bush falar energicamente de independência e liberdade – não para Porto Rico, senão para Cuba –, e muito sobre democracia – não para a Flórida, senão para Cuba. Especial ênfase pôs, o senhor W., na defesa da propriedade privada, como se esta não existisse em Cuba.  
O senhor Bush, ao proclamar, em 20 de setembro de 2001, que quem não apoiasse seu projeto de guerra contra o terrorismo seria considerado terrorista, expondo-se a seus ataques, ignorou abertamente as prerrogativas da ONU e assumiu, em virtude de seu poderio militar, o papel de amo e polícia do mundo. Para os que estamos familiarizados com a literatura marxista, nesse dia ocorreu o Dezoito Brumário de W. Bush. Os historiadores do futuro deverão registrar qual foi a reação dos líderes políticos da imensa maioria dos países. O pânico e o temor apoderaram-se da maioria deles.
Na quarta-feira, 5 de junho, há exatamente oito dias, quando me reuni com os líderes das organizações de massas, para analisar o projeto que, após aprovação de suas direções nacionais, propunham-se a apresentar à Assembléia Nacional, como resposta ao discurso do senhor W. Bush ante a máfia de Miami, eu lhes propus três coisas. Um, debater publicamente a idéia diante de todo o povo; dois, mobilizar a nação inteira em apoio a tão justa, digna e contundente resposta; três, oferecer a cada cidadão, com idade de votar e em pleno exercício desse direito, a possibilidade de subscrever e assumir como…