Artigos e Reflexões
Algum milagre deve ter acontecido, pensei. A pedra filosofal foi descoberta. Por que preocupar-se um segundo a mais? Ninguém pense que foi uma obra da casualidade. Por acaso é que não sabemos ler nem escrever? Foi a OEA quem nos salvou a todos. Isso consta em 14 das 97 epígrafes, das 67 páginas da declaração final.
Uma coisa que realmente me impactou na etapa da Cimeira decorrida até hoje sábado 18 de Abril, 11 e 47 minutos, em que escrevo estas linhas: o discurso de Daniel Ortega. Prometi-me a não publicar nada até a próxima segunda-feira 20 de Abril para observar o que acontecia na famosa Cimeira.
Não se sabe quantas pessoas nos Estados Unidos lhe escrevem a Obama e quantos temas diferentes lhe colocam. É evidente que não pode ler todas as cartas e abordar cada um dos assuntos, porque não lhe alcançariam às 24 horas do dia e os 365 dias do ano. Mas o que é certo é que os assessores, apoiados pelos computadores, equipamentos eletrônicos e celulares respondem todas as cartas. Seu conteúdo será registrado e existem de antemão as respostas apoiadas em múltiplas declarações do novo Presidente durante sua campanha pela candidatura e eleição.
Hoje falei com franqueza sobre as crueldades cometidas contra os povos de América Latina. Esses povos do Caribe nem sequer eram independentes quando triunfou a Revolução cubana. Justamente o dia 19, em que conclui a Cimeira das Américas, se completarão 48 anos da vitória de Cuba em Girón. Fui cauteloso com a OEA; não disse uma única palavra que pudera interpretar-se como uma ofensa à vetusta instituição, embora todos sabem quanta repugnância nos produz.
Quanto petróleo será consumido no mundo, a que custo e a que preço? Quem são os responsáveis da tragédia? Que limites lhe imporão em Copenhague aos países que estão por se desenvolver? É um problema verdadeiramente complicado.
Há 48 anos, forças mercenárias ao serviço de uma potência estrangeira invadiram a sua própria pátria, escoltadas pela esquadra dos Estados Unidos, incluindo um porta-aviões e dezenas de aviões de ataque.
Cuba tem resistido e resistirá. Não estenderá jamais suas mãos para pedir esmola. Seguirá para frente com a cabeça erguida, cooperando com os povos irmãos da América Latina e do Caribe, houver ou não Cúpulas das Américas, presidida ou não Obama os Estados Unidos, um homem ou uma mulher, um cidadão branco ou um cidadão negro.
Evo entrava hoje em seu quarto dia de rigorosa greve de fome. Falou ontem à noite e falou hoje pelo meio-dia. Suas palavras foram serenas, persuasivas e contundentes. Ofereceu “um padrão eleitoral biométrico”, ainda melhor que aquele que tem regido os processos eleitorais de seu país, qualificado pelas instituições internacionais como confiável e de qualidade.
Pensei várias vezes que no dia seguinte não teria que escrever e podia dedicar parte do tempo a ler e estudar, como fiz em muitas ocasiões. Mas os importantes fatos que aconteceram nas últimas semanas, relativos à economia e à política mundial e ocorrências como as que têm lugar na Bolívia impediram-mo.
Se na Bolívia a oligarquia choca com um líder sério e sólido como Evo Morales, na Venezuela os adversários da Revolução Bolivariana, que colocavam todas suas esperanças no golpe que a crise econômica internacional assestaria a esse país, compreenderão que a luta pelo socialismo de Chávez é capaz de ultrapassar qualquer obstáculo.
O Presidente Evo Morales, a Coordenadora Nacional a favor da Mudança e a Central Operária Boliviana declararam-se em greve de fome maciça no Palácio de Governo, exigindo respeito à Constituição e à Lei Transitória Eleitoral, demorada durante meses para sabotar as eleições.
Embora portador das contradições assinaladas, com uma saúde a toda prova, como uma máquina de trabalho e mente ágil, o Presidente negro realizou com indubitáveis resultados políticos sua primeira visita ao exterior.
Certamente em nada se parece a seu predecessor.