Discursos
A Revolução entra hoje no seu terceiro ano. Felizmente, os cubanos poderemos ir contando os anos da Revolução com o calendário. Felizmente, um dia Primeiro de Janeiro chegou ao poder a Revolução. E este terceiro ano é o “Ano da Educação”.
Desde o início do Governo Revolucionário, o primeiro esforço feito pelos inimigos da Revolução foi impedir que o nosso povo se armasse. Os primeiros passos dos nossos inimigos tinham intenção de manter o nosso povo desarmado, e, ante o fracasso das pressões de tipo político que tinham feito para impedir que nós adquiríssemos essas armas, ante o fracasso dos primeiros passos de tipo diplomático, recorreram à sabotagem, recorreram à utilização de procedimentos de violência, para impedir que essas armas chegassem às nossas mãos, para dificultar a aquisição dessas armas e, ainda por cima,…
Após três sessões em que se discutiu esse problema, em que se colocaram muitas coisas interessantes, em que muitas delas foram discutidas, ainda que outras tenham ficado sem resposta – e acontece que materialmente seria impossível abordar todas as coisas que foram colocadas –, tocou-nos, na nossa vez, no nosso turno, não como a pessoa mais autorizada para falar sobre essa matéria, mas, por se tratar de uma reunião entre vocês e nós, pela necessidade de que também expressemos aqui alguns pontos de vista.
Já completamos três anos, e se quiséssemos um veredicto da obra nesses três anos, se quiséssemos uma prova irrefutável do que foram três anos de luta vitoriosa, do que foram três anos de criação, do que foram três anos de trabalho frutuoso, basta olhar esta praça, basta olhar esta multidão, basta olhar este povo, para que sejam derrubadas todas as calúnias dos inimigos da Revolução, para que sejam derrubadas todas suas mentiras. Basta olhar esta praça, para saber e para compreender que a obra da Revolução tem sido justa, tem sido útil, proveitosa e redentora para nosso povo.
Se fossem vocês, se os que estavam falando tivessem cantado, teriam visto o desagradável que é o grande barulho que havia aqui. Está bom... E, sabem por que aconteceu isso? Porque os que tinham planejado tudo isto, e entre os que estavam planejando estava eu também, não tínhamos contado com uma coisa, não tínhamos contado com vocês. Tudo foi preparado muito bem, na única coisa em que não se pensou foi na algazarra e no alvoroço que vocês iam ter aqui no dia de hoje.
O valor que tem Punta del Este, é, sobretudo, o valor da polêmica ideológica, que vai ser travada entre o imperialismo e Cuba. E de qualquer maneira, eles não têm uma tarefa fácil, nem muito menos. A tarefa que têm os imperialistas vai ser uma tarefa muito difícil moralmente. E os imperialistas vão estar no “banco dos réus”. Porque Cuba vai sentar o imperialismo ianque em Punta del Este no “banco dos réus”! Essa é a missão e a posição de Cuba em Punta del Este. A de vocês, é informar tudo, orientar o povo, explicar tudo, para que o povo receba a máxima informação e o povo fique assim…
Evidentemente, nosso povo sabia muito bem o que se propunham os imperialistas ianques; nossos povos estão perfeitamente informados de suas intenções; nosso povo —que há três anos está sob a fustigação incessante do imperialismo ianque— sabia o objetivo deles em Punta del Este, sabia que essa conferência não tinha outro propósito do que promover novas agressões e novos conluios contra nosso país. E, logicamente já o imperialismo deu novos passos agressivos. Como explicou nosso Presidente quando falou hoje à tarde, já os imperialistas acordaram mais um embargo—mais um! — sobre nossas relações…
E porquê acreditamos que se desenvolverá esta juventude revolucionariamente? Simplesmente, porque tem todas as condições para o conseguir, tem todas as condições que lhe permitirão seu desenvolvimento revolucionário, pensar e agir revolucionariamente. Não dizemos que o exemplo não seja bom; o exemplo influi, o exemplo vale, mas, mais do que a influência do exemplo, vale a própria convicção, vale o pensamento próprio. E nós sabemos que esta juventude será revolucionária, simplesmente porque acreditamos na Revolução, porque temos fé nas idéias revolucionárias , e porque sabemos que essas idéias…
Hoje não tínhamos planejado aqui nenhum ato propriamente, senão uma coisa muito simples, que era a entrega deste local de descanso para os trabalhadores. Mas, de qualquer maneira, acho que o significado deste ato de hoje, e vou ser mais franco: a satisfação com que viemos a entregar estas casas, fez com que sinta a vontade de lhes dizer algumas palavras sobre isto.
Hoje, são 300 instrutoras revolucionárias. Na realidade, receio que algumas pessoas ainda não compreendam bem de que se trata, porque na realidade são tantas e tantas escolas de tantos tipos que existem, que acho que o povo perdeu a conta. Para precisar um pouco melhor os conceitos: trata-se de uma escola que foi organizada com o objetivo de formar as instrutoras, isto é, as pessoas que vão orientar as alunas das escolas noturnas para moças que trabalham no serviço doméstico.
E é lógico, porque o capitalismo significa a pilhagem, e o socialismo significa o trabalho; os capitalistas querem viver da pilhagem, querem viver da exploração do trabalho humano, querem viver da exploração do trabalho dos povos; e os socialistas aspiramos a viver do trabalho, do nosso próprio trabalho.
Coube-nos lidar com toda a herança que nos deixou o passado. Mas em câmbio, confessamos que sentimos uma emoção profunda; sentimos uma compensação muito grande quando começamos ver em vocês, quando começamos ver neste contingente imenso de jovens, os frutos da Revolução que estamos fazendo. Quando começamos ver nesta multidão de jovens o povo do amanhã; quando começamos ver em vocês a imagem do porvir, quando começamos ver em vocês a justeza da obra da Revolução.